Europa Press/Contacto/Pierre Teyssot
MADRID, 14 jul. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou como “pirataria” a intenção expressada por seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, de cobrar uma taxa de 20% em troca de garantir a passagem de navios pelo estreito de Ormuz, em meio às novas tensões com o Irã, apesar do cessar-fogo acordado em abril e do memorando de entendimento assinado em junho.
“O presidente Trump tuitou que vai desbloquear o Estreito de Ormuz. Mas, por cada navio desbloqueado que for retirado do estreito, o proprietário do petróleo deve pagar 20% a ele. Isso antes era considerado pirataria”, afirmou durante um evento em São Caetano do Sul, no estado de São Paulo.
“Um Estado importante como os Estados Unidos, que combateu a pirataria por muito tempo, não deve agora se tornar pirata”, argumentou, antes de afirmar que a situação no Estreito de Ormuz é “responsabilidade” dos Estados Unidos por sua ofensiva conjunta com Israel contra o Irã.
Assim, ele destacou que, antes do conflito, “o estreito não estava fechado”. “Não foi o Brasil quem inventou a guerra com o Irã. O Brasil disparou? Não. O Brasil matou alguém? Não. Foi ele quem inventou essa guerra”, explicou, referindo-se ao ocupante da Casa Branca.
Nesse sentido, o presidente brasileiro acusou Washington de “mentir” ao afirmar que o Irã queria obter armas nucleares e traçou um paralelo com os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para invadir o Iraque em 2003, sob acusações contra o regime de Saddam Hussein por suposta posse de armas de destruição em massa.
“É muito delicado ver que os Estados Unidos provocam uma guerra e agora começam a cobrar dos navios que vão atravessar o estreito pela segurança que oferecem. Isso não é comum, não é normal, não é democrático nem civilizado. É algo anormal que alguém se aproveite da desgraça para ganhar dinheiro às custas da desgraça”, explicou.
Por outro lado, lamentou que “o preço da guerra” tenha começado a afetar a economia brasileira, incluindo um aumento nos preços dos produtos básicos, em grande parte devido aos impactos no estreito de Ormuz, uma das principais rotas de exportação e tráfego marítimo do mundo.
Trump declarou o estreito de Ormuz “aberto” na segunda-feira e anunciou que Washington cobrará uma taxa de 20% sobre todas as cargas que transitarem por essa passagem, argumentando que os Estados Unidos atuarão como “guardiões” da rota, depois que Teerã anunciou, no domingo, seu fechamento em resposta aos últimos ataques norte-americanos contra o país, alegando que se trata de violações do pré-acordo de junho.
Em resposta, o Exército do Irã garantiu que Teerã não permitirá que Washington “interfira na gestão do Estreito de Ormuz”, enquanto o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, ironizou o anúncio de Trump. “O Irã sempre foi o guardião do estreito e continuará sendo para sempre. 20% é, obviamente, demais. Seremos justos”, concluiu.
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