Europa Press/Contacto/Claudio Reis / Ag. Enquadrar
MADRID, 4 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva classificou nesta terça-feira como "inadmissível" a ameaça dos Estados Unidos de impor sanções contra o juiz do Supremo Tribunal Federal e relator do caso do golpe de Estado no início de 2023, Alexandre de Moraes.
"É inadmissível que o presidente de qualquer país do mundo se manifeste sobre a decisão da Suprema Corte de outro país", disse ele em entrevista coletiva realizada no Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, segundo a Agência Brasil.
Lula considerou que, independentemente das ações da Suprema Corte, Washington deveria "permanecer em silêncio" e não dar sua opinião. "Acho que os Estados Unidos só precisam entender que o respeito à integridade das instituições de outros países é muito importante", disse.
O presidente brasileiro ressaltou que, no momento, seu governo está ciente apenas das declarações das autoridades norte-americanas, mas não de medidas específicas, embora tenha assegurado que "o Brasil defenderá não apenas seu ministro, mas também a Suprema Corte".
JUIZ DE MORAES, ALVO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou na semana passada que Washington proibiria a entrada no país de todas as pessoas, inclusive funcionários, que fossem "cúmplices da censura aos americanos", "seja na América Latina, na Europa ou em qualquer outro lugar".
A medida foi amplamente vista como uma mensagem para De Moraes, depois que o chefe da diplomacia dos EUA confirmou que havia "uma grande possibilidade" de que ele fosse sancionado pelas autoridades dos EUA.
O magistrado havia iniciado apenas dois dias antes uma investigação contra o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pelos crimes de obstrução de investigações, coação durante o processo em curso e atentado contra a soberania do Brasil, como parte de uma campanha para defender a inocência de seu pai, acusado de um golpe de Estado pelo ataque às instituições em janeiro de 2023, a partir dos Estados Unidos.
Em março deste ano, o parlamentar solicitou uma licença de 122 dias e foi morar nos Estados Unidos, onde, segundo o Ministério Público brasileiro, está tentando fazer com que Washington imponha sanções contra o juiz brasileiro para "coagir" a Suprema Corte.
Na próxima segunda-feira, 9 de junho, Jair Bolsonaro e outros sete réus comparecerão perante o mais alto tribunal do Brasil na trama da tentativa de golpe contra o presidente Lula.
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