Defende o processo judicial contra Bolsonaro e denuncia "medidas unilaterais e arbitrárias" contra as instituições e a economia brasileiras
Pede diálogo para resolver a crise na Venezuela e na Ucrânia; e ressalta que os ataques do Hamas não justificam o "genocídio em Gaza".
MADRID, 23 set. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, advertiu na Assembleia Geral das Nações Unidas que a autoridade desse fórum "está em xeque" diante do crescente impulso de "forças antidemocráticas" representadas em "ataques à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais".
"Os ideais que inspiraram seus fundadores estão ameaçados como nunca antes em sua história", disse Lula, no que foi o primeiro discurso dos líderes da 80ª Assembleia Geral. "Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, as consequências são trágicas", alertou.
Lula deu como exemplo dessas "forças antidemocráticas" aqueles que tentaram reverter quatro décadas de democracia no Brasil, em uma clara alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem ele não se referiu diretamente.
Lula defendeu a lisura e a transparência do processo judicial para o golpe de Estado que seu antecessor teve que enfrentar e criticou aqueles que tentaram, em retaliação, atacar a democracia brasileira e sua economia com medidas unilaterais e arbitrárias, em referência ao governo Trump.
"O Brasil enviou uma mensagem aos candidatos autocratas e seus apoiadores. Nossa democracia e nossa soberania não são negociáveis. Continuaremos como uma nação independente e como um povo livre de qualquer tipo de tutela", disse o líder brasileiro sob aplausos da Assembleia Geral.
AMEAÇAS À DEMOCRACIA
Lula alertou que as ameaças à democracia têm várias faces, como a desigualdade entre homens e mulheres, os problemas de acesso à educação, saúde e moradia, o aumento da pobreza e da fome, os ataques à internet, as mudanças climáticas e a perseguição aos imigrantes.
Lula pediu uma mudança de paradigma global, na qual as principais potências revertam suas prioridades, focadas principalmente em conflitos, para o desenvolvimento, aliviando a dívida externa dos mais pobres e legislando para que os "super-ricos" paguem mais impostos.
Como já havia feito em discursos e fóruns anteriores, Lula defendeu a América Latina como um continente de paz, livre de armas de destruição em massa e de conflitos étnico-religiosos, embora tenha reconhecido que há um problema de violência e insegurança, principalmente devido ao tráfico de drogas.
POLÍTICA EXTERNA
O presidente brasileiro tem insistido no diálogo como a única solução viável para conflitos em andamento em lugares como a Venezuela e a Ucrânia, onde "todo mundo" sabe, enfatizou ele, "que não haverá solução militar".
"É necessário construir uma solução realista, o que significa levar em conta as preocupações legítimas de segurança de todas as partes", enfatizou.
Em relação ao Oriente Médio, Lula ressaltou que não há exemplo mais claro "de uso desproporcional e ilegal da força do que o que está ocorrendo na Palestina" e destacou que os ataques "indefensáveis" do Hamas em 7 de outubro "não justificam o genocídio em curso em Gaza".
"Dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes estão enterradas lá em toneladas de escombros, a lei internacional e o mito da superioridade moral do Ocidente estão enterrados lá. Esse massacre não aconteceria sem a cumplicidade daqueles que poderiam tê-lo evitado", disse ele, sendo aplaudido de pé mais uma vez.
Lula aproveitou a oportunidade para expressar sua "admiração" pelos judeus de fora de Israel que se manifestaram contra essa "punição coletiva" e alertou que "o povo palestino corre o risco de desaparecer" e que só sobreviverá como um Estado independente por direito próprio.
"Essa é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU", disse ele, lamentando que seja "um único veto" que obstrua as aspirações do povo palestino. Ele também criticou os Estados Unidos por não permitirem que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, participasse do debate.
Lula concluiu enfatizando a necessidade de um mundo multipolar, com reformas profundas em vários fóruns internacionais, incluindo a própria ONU e seu Conselho de Segurança. "A voz do Sul Global deve ser respeitada e ouvida", disse ele.
"O confronto é inevitável. Precisamos de uma liderança com uma visão clara, que entenda que a ordem internacional não é um jogo nas sombras", disse ele.
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