Publicado 14/08/2026 23:13

Lula adia a chegada do novo embaixador dos EUA em mais um desentendimento com a Casa Branca

SÃO PAULO, 2 de agosto de 2026  -- O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa na convenção nacional do Partido dos Trabalhadores, atualmente no poder, em São Paulo, Brasil, em 2 de agosto de 2026. O Partido dos Trabalhadores, atualmente no
Europa Press/Contacto/Paulo Lopes

MADRID 15 ago. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou nesta sexta-feira que seu governo adiará até depois das eleições de outubro a aprovação do candidato indicado pela Casa Branca para a embaixada dos Estados Unidos em Brasília, ao mesmo tempo em que acusou Washington de tentar interferir nos assuntos internos do país.

“Fiquei sabendo que eles (os Estados Unidos) queriam enviar duas pessoas para cá para estudar as urnas, e por isso não lhes concedemos vistos. Agora querem que eu aceite urgentemente o embaixador deles. Mas, por enquanto, só o aceitaremos após as eleições”, esclareceu o presidente, que mantém, nos últimos meses, uma relação difícil e tensa com Washington.

Em entrevista concedida aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”, o presidente brasileiro questionou a pressa do governo Trump em enviar o candidato a embaixador no Brasil, Daniel Pérez, poucos dias antes das eleições, depois de ter mantido o cargo vago por um ano e meio.

“Se o embaixador dos Estados Unidos é importante para o Brasil, por que ficaram um ano e meio sem enviar um embaixador? E por que só agora, a 45 dias das eleições, querem enviar um?”, questionou o candidato à reeleição.

Apesar dessas divergências, o presidente brasileiro esclareceu que sua intenção não é entrar em conflito com a Casa Branca, mas manter uma relação séria e de respeito mútuo. Nesse sentido, Lula isentou Trump das recentes fricções bilaterais e apontou diretamente seu secretário de Estado, Marco Rubio, como o principal responsável pela deterioração das relações, acusando-o de agir com animosidade em relação ao Brasil e ao restante da América Latina.

“Não precisamos brigar. Não quero guerra. Quero debater (os assuntos) seriamente. O Brasil quer ter um bom relacionamento com os Estados Unidos”, afirmou. “Não acho que seja ele quem não gosta do Brasil”, esclareceu, referindo-se ao presidente norte-americano, Donald Trump.

As declarações foram feitas um dia depois de o governo brasileiro apresentar a Lei da Reciprocidade em resposta às novas tarifas impostas por Washington.

“É para demonstrar que não somos insignificantes e que nos respeitamos mutuamente”, garantiu Lula, ressaltando que as acusações comerciais contra seu país se baseiam em “falsidades” e reafirmando sua disposição de defender os interesses nacionais em qualquer fórum internacional.

Por fim, Lula se mostrou disposto a defender os interesses de Brasília diante dos desacordos com o governo Trump, mais próximo do candidato da oposição Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro.

“Estou muito tranquilo, ciente do que pode acontecer e preparado para falar sobre a defesa do Brasil em qualquer lugar do planeta Terra”, concluiu Lula.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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