-/Belarusian Presidency/dpa - Arquivo
MADRID, 5 mar. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, ofereceu aos líderes dos Estados Unidos, Donald Trump; da Rússia, Vladimir Putin; e da Ucrânia, Volodimir Zelenski, que viessem a Minsk para organizar uma cúpula de paz a fim de chegar a um acordo para acabar com a guerra na Ucrânia, desencadeada pela invasão ordenada em fevereiro de 2022 pelo Kremlin.
"É importante negociar. Se eles quiserem, que venham. São 200 quilômetros da fronteira da Bielorrússia até Kiev. Leva meia hora de avião. Venham", disse ele durante uma entrevista com o youtuber Mario Nawfal, gravada em 27 de fevereiro e relatada na quarta-feira pela BelTA, a agência de notícias estatal da Bielorrússia.
"Vamos nos sentar aqui e chegar a um acordo em uma atmosfera calma, sem tensões", disse ele. "Por favor, diga a Trump que estou esperando por ele aqui para conversar com Putin e Zelenski. Negociaremos com calma se vocês quiserem chegar a um acordo", reiterou o líder bielorrusso.
Ele enfatizou que "não há necessidade de intimidar Zelenski, independentemente do que se pensa dele". "É importante chegar a acordos com Zelenski porque uma grande parte da sociedade ucraniana o apoia", argumentou, antes de afirmar que considera Trump mais independente do que seu antecessor na Casa Branca, Joe Biden.
"Ele tomará suas próprias decisões, mesmo que estejam erradas. Biden não tomava decisões por conta própria. Quando lhe disseram para não telefonar, ele não telefonou. Quando lhe disseram para não telefonar, ele não telefonou. Quando lhe disseram para chamar Putin de ditador, ele o chamou de ditador", disse Lukashenko, que afirmou que "havia um enorme exército de pessoas empurrando Biden em uma determinada direção".
Ele descartou a possibilidade de desempenhar qualquer tipo de papel de mediação na guerra na Ucrânia. "Eu odeio mediação acima de tudo. Significa entrar no meio de duas pessoas e fingir que você pode fazer alguma coisa. Se eu puder ajudar em algo, como unir as pessoas ou acrescentar dinâmica a um processo, farei isso com prazer, se isso puder melhorar a vida das pessoas (...), mas não quero ser um mediador, especialmente em um processo de paz na Ucrânia", acrescentou.
Lukashenko também elogiou Trump e garantiu que considera que "ele está fazendo um ótimo trabalho". "Ele não está apenas falando, ele está transformando suas palavras em ações em termos de acabar com a guerra na Ucrânia e no Oriente Médio. Seus esforços para acabar com a guerra precisam ser reconhecidos. Parece-me que ele não tem outra política externa além da paz, e isso é brilhante. Estou preparado para ficar ao seu lado e fazer tudo o que puder para acabar com a guerra e melhorar a vida das pessoas", argumentou.
Nesse sentido, ele defendeu a promoção de um processo de paz e deixou para outro momento "a atribuição de culpa". "Ninguém escapará da responsabilidade", disse ele, enquanto assegurava que, embora "não tenha falado sobre isso" com Putin, ele acredita que o presidente russo "não esperava que ela (a invasão) se transformasse em uma guerra como esta". "Quando ele viu o grande número de pessoas morrendo, concordou imediatamente com as negociações para interromper o conflito e negociar", disse ele.
"Sempre há uma escolha e talvez Putin tenha tido essa escolha. No entanto, não se trata tanto da expansão da OTAN para o leste, mas sim das ameaças que foram criadas na Ucrânia. Foi lá que ele viu uma ameaça à Rússia e, a partir daí, as ameaças contra ele se tornaram públicas. Esse é um dos grandes motivos do que aconteceu", explicou, antes de acusar o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson de "proibir Zelenski de fazer as pazes" durante as conversas em Istambul, meses após o início da invasão.
"Ele empurrou Zelenski para a guerra novamente. Eu conheço muito bem o funcionamento interno da política no Ocidente. Johnson nunca teria feito isso por conta própria, sem a bênção do que era então a administração dos EUA. É por isso que estou absolutamente convencido de que o Reino Unido e o governo Biden desempenharam um papel na escalada do conflito na Ucrânia", disse Lukashenko, acrescentando que, se o documento acordado tivesse sido implementado, "estaríamos em uma situação melhor agora".
Ele enfatizou que ele mesmo "pediu publicamente às autoridades ucranianas que fizessem a paz". "Eles se recusaram, optando por lutar até o último ucraniano. Isso é o que o Ocidente estava pressionando a Ucrânia a fazer. Bem, eles ainda estão lutando até o último ucraniano", disse ele, antes de continuar dizendo que a Rússia "nunca aceitaria" o envio de forças de paz da UE para a Ucrânia.
"A Rússia nunca aceitará isso. Pelo menos essa é a posição russa no momento. Especialmente porque a liderança da UE, representada principalmente pela Alemanha e pela França, está adotando uma postura muito agressiva no momento", disse ele.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático