Publicado 26/06/2026 04:20

Luis Arce afirma que não tratou com Zapatero de “nenhum litígio judicial” na Bolívia para atuar como mediador em relação a uma empre

Ele afirma que sua relação com o ex-presidente espanhol foi “institucional” devido à crise no partido MAS, embora não tenha conhecimento de sua agenda em Sucre

Archivo - Arquivo - FOTO DE DIVULGAÇÃO - 7 de junho de 2024, Rússia, São Petersburgo: O presidente da Bolívia, Luis Arce, profere um discurso no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, na cidade de São Petersburgo. Foto: -/Kremlin/dpa - ATENÇÃO:
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MADRID, 26 jun. (EUROPA PRESS) -

O ex-presidente da Bolívia, Luis Arce, afirmou que não tratou com José Luis Rodríguez Zapatero de “nenhum litígio judicial” envolvendo a empresa peruana Grupo Gloria, após o relatório da Polícia espanhola que aponta que o ex-líder socialista recebeu 200.000 euros entre 2024 e 2025 como “contraprestação econômica” do conglomerado para intermediar junto ao governo boliviano em processos judiciais que ele tinha em andamento nesse país.

Em um comunicado, Arce, que está em prisão preventiva desde dezembro por desvio de fundos durante seu mandato como ministro da Economia, negou ainda estar envolvido em “qualquer tráfico de influências que tenha favorecido” a Sociedad Boliviana de Cementos (SOBOCE), a empresa do Grupo Gloria com sede na Bolívia, nem com qualquer “outra empresa privada”.

Além disso, ele afirmou que sua relação com o ex-presidente espanhol se limita ao âmbito institucional e político. Segundo explicou, “as últimas conversas” que manteve com Zapatero ocorreram no âmbito “dos esforços realizados por membros do Grupo de Puebla para mediar a crise interna” pela qual passava o Movimento ao Socialismo (MAS) nas eleições de 2025.

Arce detalhou que, nessa reunião com Zapatero em La Paz, no ano de 2024, “abordou a conjuntura política boliviana, as posições intransigentes” do ex-presidente Evo Morales e “a proposta de unidade do movimento popular” que haviam apresentado em conjunto com organizações sociais e sindicais, “colocando os interesses do povo acima de qualquer interesse político pessoal”.

“Não foi discutido nenhum litígio judicial envolvendo a SOBOCE”, afirmou Arce, que também indicou posteriormente que não tem conhecimento da agenda que Zapatero manteve em Sucre, capital da Bolívia.

O ex-líder latino-americano respondeu dessa forma ao relatório da Unidade de Crimes Econômicos e Fiscais (UDEF), no qual foram interceptadas dezenas de conversas entre Zapatero e sua secretária, Gertrudis Alcázar, nas quais o ex-líder socialista mencionou questões como “é preciso falar com o presidente da Bolívia”, na época Luis Arce.

Mais especificamente, essa menção consta de uma conversa incluída em um relatório que a UDEF encaminhou ao juiz da Audiencia Nacional que investiga o “caso Plus Ultra”, José Luis Calama, e que os investigadores associam a um pagamento de 200.000 euros que o ex-presidente teria recebido como “contraprestação econômica” por intermediar junto ao Executivo da Bolívia para “beneficiar os interesses” da empresa peruana Grupo Gloria, que mantinha litígios econômicos com o governo boliviano.

O relatório especifica que o pagamento foi justificado por “um contrato simulado com uma empresa de fachada”, chamada Focus Social Research, pela “prestação de serviços de consultoria”, e indica que o ex-líder socialista tomou medidas para conseguir uma reunião entre os diretores do Grupo Gloria e as autoridades bolivianas.

Os investigadores enfatizam que o processo judicial em questão era contra uma empresa desse grupo peruano na Bolívia, a Sociedad Boliviana de Cementos (SOBOCE), por concorrência desleal, na sequência de uma ação movida pela Fábrica Nacional de Cementos (FANCESA). O Grupo Gloria é um conglomerado de empresas com sede em Lima, capital do Peru, e com investimentos em vários países da América do Sul em diversos setores, como alimentos, cimento, agroindústria, papel e papelão e transportes.

AFIRMA QUE O CONFLITO COM O GRUPO GLORIA NÃO OCORREU DURANTE SEU GOVERNO

Nesse contexto, Arce afirmou que o conflito do governo boliviano com o Grupo Gloria não surgiu durante seu governo, acrescentando que, em novembro de 2023, “a Bolívia obteve uma sentença da Corte Permanente de Arbitragem (CPA), que se declarou sem jurisdição para julgar a reclamação de US$ 269,4 milhões, ao concluir que a SOBOCE era uma empresa local boliviana e não um investidor estrangeiro para os fins do tratado bilateral entre o Peru e a Bolívia”.

“Esse resultado encerrou essa via específica, mas não extinguiu a controvérsia relacionada à indenização ao Grupo Gloria pela expropriação das ações da FANCESA”, destacou Arce, que ressalta que o conflito persiste “e deve ser canalizado pelas vias legais cabíveis”.

Além disso, ele lembrou que o ex-procurador-geral do Estado, Ricardo Condori Tola, durante seu governo, “contestou publicamente” a decisão do Tribunal Departamental de Justiça de La Paz (TDJ) que concedeu a tutela em uma ação de amparo constitucional movida pela SOBOCE em 2025.

“Se meu governo tivesse tido alguma participação nessa decisão judicial, como se está tentando alegar falsamente, a Procuradoria, que representa os interesses do Estado, não teria rejeitado nem contestado essa mesma decisão com uma posição absolutamente clara”, justificou ele, para em seguida indicar que o caso está atualmente em revisão perante o Tribunal Constitucional Plurinacional (TCP) desde julho de 2025, “e ainda continua sem sentença”. Dito isso, ele esclareceu que “não foi efetuado nenhum tipo de liberação de pagamento à SOBOCE em relação a este caso com a FANCESA”.

A SUPOSTA INTERMEDIÁRIA “NÃO FAZIA PARTE” DE SEU GOVERNO

Os investigadores apontam que Ana María Ospina, diretora do Grupo Gloria, teve participação ativa na assinatura do contrato entre Zapatero e a empresa supostamente de fachada. Além disso, apontam Carmen Almendras, que foi embaixadora da Bolívia na Espanha entre 2007 e 2015, como intermediária no processo.

Sobre Almendras, Arce esclareceu que “ela foi embaixadora durante os governos de Evo Morales”, mas não ocupou nenhum cargo durante o período em que ele esteve à frente da Presidência da Bolívia. Segundo ele, ela ocupou cargos no governo provincial de Chuquisaca.

“Toda denúncia deve ser investigada sob parâmetros rigorosos do direito internacional e dentro do marco do estipulado pela nossa Constituição Política do Estado, para evitar arbitrariedades e condenações antecipadas”, afirmou Arce, que também reivindicou “a obrigação legal de realizar uma investigação imparcial, objetiva e que respeite a presunção de inocência”. “Portanto, exijo que a investigação seja conduzida de acordo com esses princípios, sem tirar conclusões que mais parecem condenações antecipadas com fins políticos”, acrescentou.

Por fim, Arce demonstrou total disposição para colaborar com “qualquer autoridade judicial” nesta investigação e em qualquer outra. “Não fugi, não tenho nada a esconder, respeito a independência dos órgãos do Estado e não estive nem estou envolvido em nenhum tráfico de influências que tenha favorecido a SOBOCE ou qualquer outra empresa privada”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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