Publicado 04/06/2026 08:55

López Obrador elogia Sheinbaum e atribui a assessores "ressentidos e fanáticos" de Trump a pressão exercida sobre o México

López Obrador acusa os assessores "ressentidos e fanáticos" de pressionarem o México: "Que volte o outro Trump"**O ex-presidente elogia Sheinbaum como a melhor chefe de Estado que o México teve nos últimos anos

Archivo - Arquivo - 8 de julho de 2020, Washington, Distrito de Columbia, EUA: O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, e o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, chegam para uma coletiva de imprensa no Cross Hall da Casa Branca, em W
Europa Press/Contacto/Anna Moneymaker - Arquivo

MADRID, 4 jun. (EUROPA PRESS) -

O ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador publicou nesta quinta-feira uma carta na qual expressa seu apoio incondicional à atual governadora, Claudia Sheinbaum, diante do “ataque” e das “práticas intervencionistas” do governo dos Estados Unidos, no qual Donald Trump “não exerce sua liderança como antes” e depende cada vez mais “de seus conselheiros inexperientes, ressentidos e fanáticos”.

López Obrador chamou a atenção para o que considera uma mudança de paradigma marcante de Trump em sua postura em relação ao México. O atual presidente dos Estados Unidos é “diferente” daquele com quem ele lidou, disse ele. “Foram várias as questões que resolvemos (...) por meio do diálogo e sem confronto”, lembrou.

Assim, ele afirmou que “em poucas ocasiões” houve divergências. “Enquanto fui presidente, ele se absteve de falar mal dos mexicanos”, destacou, enumerando alguns dos acordos mais importantes entre os dois governos, ou a mão estendida de Trump para ajudar o México com a pandemia do coronavírus.

López Obrador destacou que “as relações eram tão boas e havia tanta confiança” entre eles, que Trump concordou em permitir que o México revisasse a acusação contra o ex-ministro da Defesa Salvador Cienfuegos, que havia sido detido nos Estados Unidos acusado de tráfico de drogas, diante das dúvidas que isso lhe gerava.

Trump transferiu o caso para o México, lembra López Obrador, e foi lá que “ficou demonstrado que se tratava de uma retaliação política arquitetada para subjugar uma instituição fundamental do Estado mexicano”.

Por outro lado, ele relembrou que, em outra ocasião, Trump o consultou sobre classificar os cartéis de tráfico de drogas como grupos terroristas e que o alertou de que cometeria um “erro colossal” se o fizesse. Essa “simples acusação” justifica “sequestrar, caçar e executar de forma extraterritorial qualquer pessoa sem provas, julgamento ou sentença alguma”, advertiu.

Por tudo isso e muito mais, o ex-presidente se perguntou como Trump mudou tanto em relação àqueles anos. “Poder-se-ia responder que são outros tempos e que as circunstâncias mudaram; que se trata de seu último mandato como presidente e que ele não é obrigado a se moderar”, argumentou.

No entanto, devido às qualidades de Sheinbaum, ele se inclinou mais a pensar que ele já “não exerce sua liderança de maneira direta como antes” e que “depende com maior frequência das decisões de seus conselheiros inexperientes, ressentidos e fanáticos, que não são exatamente homens de Estado”.

"Atribuo a surpreendente mudança de Trump aos seus falsos amigos e conselheiros internos e externos que o têm envolvido em aventuras vis e sinistras (...) Pelo bem de todos, que volte o outro Trump", afirmou, ao mesmo tempo em que expressou o desejo de que o chefe da Casa Branca acabe por corrigir o rumo.

“Espero que ele volte a governar como antes, com entusiasmo, de maneira pessoal, sem delegar o essencial, confiando em seu julgamento prático e em seu instinto certeiro, e que mande para o inferno os parasitas que o cercam e o incitam”, enfatizou.

“Sejam quem forem, sejam bajuladores, manipuladores, chefões, aproveitadores, ladrões, policiais corruptos, advogados de segunda, especuladores, obstrucionistas, magnatas, arrivistas ou malvados”, qualificou o ex-presidente mexicano.

ELOGIA SHEINBAUM E DUVIDA DAS INTENÇÕES DE WASHINGTON

López Obrador explicou que optou por considerar a influência do círculo próximo de Trump como fator determinante nesta nova “ofensiva” contra o México, que, por outro lado, conta com numerosos antecedentes no passado, em parte devido ao bom trabalho da atual presidente Claudia Sheinbaum.

"A presidente Sheinbaum tem sido eficiente, responsável, prudente e respeitosa. Em essência, por seus feitos e suas obras, ela se revelou a melhor presidente do México de nossa época”, elogiou López Obrador, que, assim como ela, também duvida que a luta contra o crime organizado e o tráfico de drogas seja a verdadeira motivação dos Estados Unidos para mirar nas autoridades mexicanas.

Para reforçar essa tese, ele aponta que o fato de Trump não poder concorrer a outro mandato não é motivo suficiente para essa suposta mudança de rumo que ele deu, pois acredita que o presidente dos Estados Unidos “não gostaria de ser lembrado como responsável por uma crise econômica e de bem-estar” e de ser lembrado por brigar “com quase todo mundo, incluindo o Papa”.

“Alguns funcionários dos Estados Unidos estão tramando enfraquecer o Morena e fortalecer a oposição de direita no México com a ideia de voltar a ter um governo submisso, corrupto, mafioso e cruel e, por isso mesmo, vulnerável, subordinado e fiel aos seus desígnios intervencionistas”, destacou.

“Eles confiam que poderão enganar novamente muitos cidadãos norte-americanos com a tática propagandística hitleriana de repetir e repetir mentiras, de olho nas próximas eleições de novembro, para continuar culpando o México por todos e cada um de seus males. Embora eu reitere, nada disso é novidade e a arrogância costuma ser sempre previsível, sobretudo em épocas de decadência", acrescentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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