Carlos González - Europa Press
Ele considera que a proposta de Trump não é uma solução definitiva, mas acredita que a prioridade é interromper os bombardeios e o "genocídio".
MADRID, 1 out. (EUROPA PRESS) -
O ministro da Transformação Digital e da Função Pública, Óscar López, não esclareceu hoje o que acontecerá se a flotilha de Gaza for atacada por Israel, mas quis deixar claro que o governo foi o mais longe possível e não vai colocar o navio do Exército nas águas que Israel considerou excludentes.
Em uma entrevista na RTVE, captada pela Europa Press, ele também destacou que o plano de paz proposto por Donald Trump não é uma solução definitiva, porque isso só acontecerá quando os dois estados forem reconhecidos, mas ele acolhe a proposta porque acredita que é uma prioridade parar os bombardeios e o "genocídio".
Oscar López explicou que o governo pediu à flotilha que "por favor" não entre nas águas que Israel estabeleceu como zonas de exclusão porque a "prioridade absoluta" é a segurança dos membros da missão humanitária.
Ele enfatizou "toda a empatia" do governo pela causa "justa" que eles estão defendendo, mas também quis deixar claro que o governo "não vai colocar o navio (do exército 'Furor') nessas águas", apesar de reconhecer que Israel "tem violado o direito internacional desde o primeiro minuto".
Ele acrescentou que o governo tem que tomar suas decisões e foi até onde pode ir, mas não quis arriscar o que acontecerá se a flotilha de Gaza for atacada ou se houver vítimas espanholas. A esse respeito, ele ressaltou que o governo está tomando todas as medidas diplomáticas necessárias, mas acredita que "na política, um cenário tem de ser visto como um e outro".
"Eu lhe digo qual seria o outro, e isso não vai acontecer", enfatizou, mas não quis "arriscar" qual seria esse outro cenário. E quando perguntado sobre o que o navio do exército fará se os navios da flotilha forem destruídos no mar, se será capaz de resgatá-los quando estiver a poucas milhas deles, Óscar López expressou sua esperança de que isso não aconteça, mas não quis "fazer previsões".
Ele também não quis especificar se um ataque aos navios da flotilha seria considerado agressão pelo governo espanhol, ou o que o governo faria caso algum cidadão espanhol fosse ferido: "Não quero avaliar esses cenários, eles nem sequer passam pela minha cabeça". Ele também deixou claro que não quer "escalar" ou "divagar sobre possíveis cenários".
A PRIORIDADE É QUE OS ATENTADOS PAREM
O ministro também comentou sobre o plano de paz apresentado por Trump, afirmando que não é a solução definitiva porque só virá a partir do reconhecimento dos dois Estados. Mas ele ressaltou que uma coisa é dar uma opinião em uma mesa e outra coisa é estar lá. Por esse motivo, ele considera que a prioridade é que "os bombardeios parem, que o massacre pare". "Se conseguirmos acabar com o genocídio, estou dentro", exclamou.
De fato, ele lembrou que "toda a comunidade internacional, as Nações Unidas, a União Europeia e o mundo inteiro saúdam essa iniciativa de parar os bombardeios" e perguntou quem não concorda que isso aconteça, que a ajuda humanitária chegue ou que os reféns sejam libertados.
Óscar López disse não saber se o acordo não inclui uma investigação sobre os crimes de guerra perpetrados por Israel em Gaza, mas insistiu em não ser "maximalista" ou escolher entre "tudo e nada", porque o importante é parar o genocídio: "Não sei se entendemos a urgência da situação".
A esse respeito, o ministro explicou que, quando as bombas pararem, será necessário "continuar avançando em direção a uma solução definitiva, o que não acontecerá se não houver dois Estados e se o Estado da Palestina não for reconhecido".
SANÇÕES CONTRA ISRAEL COMO AQUELAS CONTRA A RÚSSIA?
O Ministro da Transformação Digital e do Serviço Civil também foi questionado se as sanções poderiam ser as mesmas aplicadas à Rússia, incluindo o congelamento de fundos para cidadãos privados daquele estado.
A esse respeito, ele disse que "sempre é possível fazer mais", mas lembrou que o governo do qual ele faz parte fez tudo o que estava ao seu alcance e esteve na "vanguarda" de toda a comunidade internacional ao pressionar o governo de Benjamin Netanyahu. "O governo espanhol fez mais do que os outros e, é claro, continuaremos a fazer mais com essa pressão", disse ele.
Ele ressaltou que esse governo foi o primeiro a reconhecer o Estado da Palestina e, embora tenham dito a eles que estavam sozinhos, mais tarde descobriram que não era esse o caso, mas sim que eram "os primeiros a serem deixados sozinhos na Assembleia das Nações Unidas". Ele também disse que a Espanha está na vanguarda do envio de fundos para cooperação e ajuda humanitária e que tomou medidas econômicas "complexas".
Apoiamos a manifestação maciça em Madri no dia da Vuelta Ciclista, que o PP chamou de "ralé" por se manifestar contra o genocídio", acrescentou ele, ressaltando que apoiaram a decisão da RTVE de "pressionar o Eurovision".
Ele concluiu que o governo apoia "todas as causas" que considera justas, mas insistiu que "há algumas medidas que precisam ser tomadas em nível internacional", como foi feito no caso da Rússia, lembrando que as sanções adotadas contra esse país foram aprovadas pela União Europeia, ou seja, que são medidas que "precisam ser tomadas muitas vezes em nível europeu" ou internacional.
"Sou a favor de tomar todas as medidas possíveis para pressionar o governo de Netanyahu a interromper o genocídio. Porque não há nenhuma relação econômica que tenha um preço mais alto do que esse. Não há", concluiu.
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