DAVID ESTEBAN GONZALEZ/JCCM
TOLEDO 21 jul. (EUROPA PRESS) -
O governo de Castilla-La Mancha expressou sua "rejeição" ao novo modelo de financiamento singular para a Catalunha, considerando que ele "não pode ser extrapolado" para o resto das comunidades autônomas, pois não tem paralelo em nenhum outro país do mundo.
"Em nenhum país do mundo 100% dos impostos são gerenciados por uma administração que não seja a do Estado, porque se todos nós aplicássemos esse sistema, logicamente perderíamos as comunidades cuja renda per capita é menor do que a média nacional", disse ele.
Essa foi a afirmação do Ministro das Finanças, Administrações Públicas e Transformação Digital, Juan Alfonso Ruiz Molina, durante a entrevista que concedeu ao programa 'Espejo Públicó' na Antena 3, para falar sobre o acordo entre o governo espanhol e a Generalitat sobre o novo modelo de financiamento para a Catalunha, acordado na reunião bilateral do dia 14.
Ruiz Molina indicou que, com esse novo modelo, os únicos beneficiários, além da Catalunha, seriam as comunidades de Madri e das Ilhas Baleares, por terem uma renda per capita maior, e isso prejudicaria o restante, além de colocar em jogo o papel do Estado como redistribuidor da riqueza do país e da coesão territorial.
"Um modelo que, portanto, questiona o princípio da igualdade que garante que, independentemente da capacidade econômica dos espanhóis e de seu local de residência, todos os espanhóis têm direito ao mesmo nível de acesso, em termos de qualidade, aos serviços públicos fundamentais", observou.
Durante seu discurso, o ministro deixou claro que essa proposta surgiu porque "a Catalunha considera que está subfinanciada e o objetivo final é obter um volume maior de recursos"; algo que ele descreveu como "legítimo", já que todas as comunidades autônomas "querem mais recursos para financiar as despesas que estão crescendo, como saúde e educação".
No entanto, ele explicou que um modelo de financiamento singular, como o que está sendo buscado, não é coerente porque, "em um sistema de soma zero, se uma comunidade autônoma, neste caso a Catalunha, obtiver mais recursos do que tem direito, isso teria que ser feito às custas do financiamento do restante das regiões".
UM DOCUMENTO QUE É "INJUSTO E EGOÍSTA".
Nesse mesmo contexto, o diretor de Finanças, Administrações Públicas e Transformação Digital destacou que as declarações que foram feitas pelo governo de Emiliano García-Page sobre essa questão são aquelas que "já tivemos a oportunidade de declarar há um ano, com o acordo entre o Partido Socialista da Catalunha (PSC) e a Esquerra Republicana (ERC)", que dissemos ser "um acordo injusto e egoísta, que só buscava privilégios para a Catalunha".
E o relacionou com o novo documento, resultado das negociações entre o governo espanhol e a Generalitat; um documento que "infelizmente conhecemos através da mídia", e do qual ele destacou que "é muito mais vago, mas que complementa o anterior".
"Estamos falando de um acordo ou cota catalã, com todas as nuances que queremos colocar em relação à cota do País Basco e de Navarra", indicou, um acordo que agora eles passaram a chamar de "financiamento singular", para o qual partidos como Junts se manifestaram, expressando sua recusa, "o de financiamento singular para todas as comunidades autônomas, eles não o veem", disse ele.
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