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O órgão alerta para as “consequências perigosas” dessas declarações para “a paz e a estabilidade” no Oriente Médio
MADRID, 7 set. (EUROPA PRESS) -
A Liga Árabe condenou “firmemente” as declarações feitas recentemente por dois ministros de Israel sobre planos para deslocar a população palestina da Faixa de Gaza e alertou para as “consequências perigosas” desse tipo de comentário para “a paz e a estabilidade” na região do Oriente Médio.
O secretário-geral do órgão, Nabil Fahmi, criticou duramente os ministros da Defesa e da Segurança Nacional de Israel, Israel Katz e Itamar Ben Gvir, respectivamente, por suas declarações e destacou que “elas minam os esforços da comunidade internacional para alcançar a paz e avançar no sentido de pôr fim à guerra em Gaza e ao sofrimento dos residentes da Faixa nos últimos meses, causado pelas políticas unilaterais de Israel”.
“Falar em deslocar o povo palestino é totalmente inaceitável”, afirmou ele, antes de insistir que “tais declarações, planos e medidas propostas para infringir os direitos inalienáveis do povo palestino são, em essência, uma violação clara e flagrante dos princípios do Direito Internacional”, segundo um comunicado divulgado pelo órgão regional.
Assim, ele enfatizou que “fazer tais declarações neste momento, enquanto o sofrimento do povo palestino na Faixa de Gaza continua e enquanto Israel continua sem responder aos esforços de paz apoiados internacionalmente, representa uma tentativa deliberada da potência ocupante de complicar a situação, colocar em risco a segurança e a estabilidade da região e desviar a atenção das verdadeiras razões por trás da obstrução dos esforços de paz”.
Fahmi também destacou as “consequências perigosas desse tipo de declaração para a paz e a estabilidade na região” e acrescentou que as considera “uma continuação da escalada israelense, que ameaça a região com uma nova onda de instabilidade por meros objetivos eleitorais”.
Nesse sentido, ele manifestou seu apoio ao povo palestino e reiterou que Gaza “é parte integrante, tanto no plano geográfico quanto demográfico, da discussão sobre o estabelecimento de um Estado palestino nas fronteiras de 4 de junho de 1967, com Jerusalém Oriental como capital, em conformidade com as resoluções internacionais pertinentes”.
Por isso, exigiu que a comunidade internacional “trate rapidamente desse tipo de declarações” e “cumpra sua responsabilidade de conter qualquer tentativa de alterar a situação no terreno e entre a população, evitando que se imponha uma nova realidade que reduza os direitos inalienáveis dos palestinos”.
O comunicado foi divulgado depois que Ben Gvir revelou, na semana passada, um plano para eliminar a grande maioria da população palestina da Faixa de Gaza por meio da “emigração voluntária”. A iniciativa inclui a criação de um ministério específico e seria colocada em prática caso a atual coalizão renove o governo nas eleições previstas para outubro.
Apenas um dia antes, Katz afirmou que há um plano para promover a emigração de Gaza que está sendo debatido e que a iniciativa está apenas “paralisada” por ordem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujo plano inicial para Gaza incluía realocar os 2,3 milhões de habitantes da Faixa em outros países da região do Oriente Médio.
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