Publicado 19/06/2026 06:18

Líderes europeus estão divididos quanto à possibilidade de estabelecer canais de comunicação com a Rússia após os contatos diplomáti

O socialista português defende que a UE deve estar “preparada” para estabelecer contato com o Kremlin “quando chegar a hora”

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, recebe os líderes no início do segundo dia do Conselho Europeu, que ocorre nesta quinta-feira e sexta-feira em Bruxelas
FREDERIC SIERAKOWSKI

BRUXELAS, 19 jun. (EUROPA PRESS) -

Os líderes da União Europeia demonstraram posições divergentes sobre a conveniência de abrir canais de comunicação com a Rússia com vistas a eventuais negociações de paz, depois que, no debate realizado na noite desta quinta-feira no Conselho Europeu, seu presidente, António Costa, defendeu a necessidade de a UE estar “preparada” para o caso de estabelecer contato com Moscou.

O socialista português destacou durante a reunião a importância de dialogar com o Kremlin para garantir uma “paz justa e duradoura” e que também esteja de acordo “com os interesses da Europa”. “É isso que o presidente Zelenski está nos pedindo que façamos: que a Europa assuma um papel mais ativo em seus esforços diplomáticos”, transmitiu Costa aos líderes, segundo fontes europeias.

Além disso, ele explicou que os recentes “breves contatos” explorados por sua equipe no âmbito diplomático com a Rússia não foram negociações nem constituíram uma troca substancial, e que o objetivo, em todo caso, era que o bloco comunitário estivesse “preparado” quando chegasse o momento de defender seus interesses.

No início do segundo dia da cúpula, o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, defendeu a iniciativa de Costa, demonstrando sua confiança no presidente do Conselho Europeu. Ele precisou, no entanto, que a Europa “não está mediando nem atuará como mediadora” e que Costa apenas representaria a União caso as negociações fossem iniciadas e competências europeias entrassem em jogo.

Martin reconheceu que “não há nenhuma indicação de que a Rússia esteja disposta a sentar-se à mesa” e que os prazos são “completamente incertos”, mas apelou à experiência irlandesa em resolução de conflitos para defender que abrir canais de comunicação não é algo “negativo”. “Qualquer negociação teria que ocorrer, antes de tudo, entre a Ucrânia e a Rússia”, ressaltou.

O ministro das Relações Exteriores da Áustria, Christian Stocker, também apoiou a posição de Costa e negou que houvesse críticas a ele no debate. Em sua opinião, o consenso foi que, uma vez que Putin “não está disposto a negociar”, o importante é “estar preparado e dispor de canais de comunicação para quando chegar esse momento”, de modo que a União Europeia possa “defender seus interesses nesse processo”.

“Não houve críticas a António Costa. Trata-se simplesmente de dispor de canais e nos prepararmos para uma situação em que as negociações possam começar, de modo que a União Europeia possa defender seus interesses nesse processo”, explicou ele em declarações à imprensa.

Uma posição semelhante foi expressa pelo primeiro-ministro da Holanda, Rob Jetten, que, após definir o debate da noite passada como “muito produtivo”, defendeu que, por enquanto, se continue pressionando mais o Kremlin para forçá-lo a negociar, mas, ao mesmo tempo, preparar o terreno para que, “quando houver vontade real de negociar” por parte de Moscou, “a União Europeia esteja preparada”.

Questionado sobre quem poderia representar o bloco comunitário em eventuais negociações de paz, ele evitou responder, argumentando que os líderes “não vão discutir sobre quem serão os homens ou mulheres que negociarão” em seu nome.

“NÃO FAZ SENTIDO MANTER CANAIS DIPLOMÁTICOS”

Por outro lado, um dos líderes cujo país fica próximo à fronteira com a Rússia, o primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulbergs, mostrou-se muito mais crítico em relação aos “breves contatos” iniciados pela equipe de Costa e descartou categoricamente a abertura de canais diplomáticos com a Rússia enquanto Moscou não der sinais claros de que deseja negociar.

“Os canais diplomáticos com a Rússia não servem para nada se a Rússia não quiser fazer diplomacia. Primeiro, é preciso haver sinais claros de que Moscou está disposta a isso. Hoje, neste exato momento, não há nenhum sinal nesse sentido. Portanto, não faz sentido manter canais diplomáticos”, afirmou.

O pró-russo Andrij Babis, primeiro-ministro da República Tcheca, não expressou diretamente sua opinião, mas lamentou que o debate sobre a Ucrânia da noite passada, que se prolongou mais do que o previsto, “infelizmente confirmou que a Europa não é capaz de chegar a um acordo nem sobre se vai negociar, nem sobre quem vai negociar”.

Ontem à noite, ao final do primeiro dia do Conselho Europeu, pouco depois das 2h, também se pronunciou o primeiro-ministro da Bélgica, Bart de Wever, que revelou que poucos de seus colegas acreditam que Vladimir Putin esteja preparado para iniciar “negociações sérias” sobre uma “paz sustentável e aceitável para a Ucrânia e a Europa”.

Enquanto dava declarações à imprensa, o primeiro-ministro belga e António Costa protagonizaram um momento engraçado quando este último apareceu por trás. “Estava justamente falando de você, António”, disse De Wever, acrescentando: “Você é o único que nos representa, vamos mandá-lo para Moscou”. “Isso é porque vocês não me querem em Bruxelas”, respondeu o socialista português, entre risadas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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