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Segundo eles, o envio de tropas é "muito cedo" para falar sobre isso
BRUXELAS/MADRI, 17 fev. (EUROPA PRESS) -
Os líderes europeus concordaram nesta segunda-feira, na cúpula informal organizada pelo presidente francês Emmanuel Macron, em Paris, sobre a necessidade de dar um passo adiante no apoio à Ucrânia, ao mesmo tempo em que aumentam o investimento em defesa para assumir mais responsabilidade pela situação no continente, embora tenham ressaltado que os Estados Unidos não podem se desvincular da futura segurança de Kiev.
Após a cúpula de emergência convocada por Macron diante das medidas diplomáticas iniciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que ameaçam um acordo de paz nas costas dos europeus e ucranianos, o chanceler alemão Olaf Scholz insistiu que a Ucrânia não pode aceitar "uma paz imposta" ou "aceitar o que quer que lhe seja apresentado, independentemente das condições".
Por esse motivo, ele garantiu que Kiev pode continuar contando com o apoio europeu e "confiar" nos países do bloco. De qualquer forma, ele esfriou a opção de enviar tropas ao campo para controlar um eventual cessar-fogo, como defendem o Reino Unido e a França, ressaltando que se trata de um debate prematuro.
Por outro lado, Scholz confirmou o compromisso comum de aumentar os gastos com defesa para "pelo menos" 2% do PIB e de mantê-los fora dos limites do controle orçamentário.
Por sua vez, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer enfatizou que é essencial que os Estados Unidos estejam envolvidos para dissuadir Moscou de futuros ataques. "O importante é garantirmos que a Ucrânia esteja na posição mais forte possível", disse ele após sair da reunião.
"Temos que reconhecer a nova era em que estamos, e não nos apegarmos irremediavelmente aos confortos do passado", disse ele, acrescentando que "somente uma paz duradoura na Ucrânia, que proteja sua soberania, dissuadirá Putin" de novas agressões.
O primeiro-ministro britânico, que disse que irá a Washington na próxima semana, insistiu que a chave é "manter a paz por meio da força". "Os europeus terão que intensificar seus esforços, tanto em termos de gastos quanto em termos das capacidades que fornecemos à Ucrânia", disse ele.
FORTALECIMENTO DA COOPERAÇÃO COM OS EUA
Na mesma linha, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, enfatizou que a reunião serviu para cerrar fileiras sobre a urgência de fortalecer a cooperação com os Estados Unidos para as negociações de paz e o fim da guerra na Ucrânia, admitindo que a Europa deve desempenhar um papel maior na garantia da segurança no continente.
Em vez de confrontar Washington, os europeus devem encarar o fato de que as relações transatlânticas "estão em uma nova fase", argumentou Tusk. "Todos nós estamos vendo isso. Ninguém deve se surpreender", disse ele, observando que os parceiros europeus devem assumir que "a Europa tem uma capacidade muito maior de autodefesa".
Ele também enfatizou a necessidade de aumentar os gastos com defesa, algo que ele disse ser "unânime" na mesa. Não há razão para ficar irritado quando um aliado americano diz: "Gaste mais, seja mais forte, seja mais resistente, porque essas palavras são absolutamente justificadas pelos fatos", destacou, embora tenha mantido sua recusa em enviar forças de paz para a Ucrânia, como fez a Alemanha e em oposição ao Reino Unido e à França.
Em todo caso, sobre os mecanismos de segurança para garantir que a Rússia não repita uma nova invasão no futuro, Tusk insistiu mais uma vez no papel de Washington, admitindo que sem o apoio dos Estados Unidos "é difícil imaginar uma garantia de segurança eficaz".
Da mesma forma, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reiterou que a mensagem mais importante da reunião é que a Europa deve reforçar sua defesa, embora, como os outros líderes europeus, ela tenha enfatizado que é "muito cedo" para falar sobre tropas.
"Um cessar-fogo pode parecer melhor do que é. Corremos o risco de que isso não aconteça. Corremos o risco de que isso não traga paz, mas que a Rússia use o cessar-fogo para se mobilizar, recomeçar e atacar outro país", alertou, de acordo com relatos da mídia dinamarquesa.
Por sua vez, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deixou claro que há três linhas vermelhas que devem ser cumpridas nas negociações de paz iminentes, como ter a Ucrânia e a UE a bordo, que as negociações devem reforçar a ordem multilateral e o direito internacional e que devem resultar em "uma União Europeia mais forte".
Sánchez defendeu a necessidade de se alcançar "uma paz justa e duradoura" na Ucrânia e não um "novo fechamento falso", como já ocorreu com a anexação da Crimeia por Moscou, e que "poderíamos nos encontrar daqui a alguns anos com uma crise ainda maior".
Quanto a futuras garantias de segurança ou até mesmo o envio de tropas para a Ucrânia quando houver um acordo de paz, Sánchez advertiu que "ainda estamos em guerra" e, portanto, ainda não há "condições" para lidar com essa possibilidade, mas enfatizou que, nas eventuais garantias de segurança, "deve haver responsabilidade e solidariedade de todos os aliados". "De todos os aliados", enfatizou.
Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse em uma mensagem nas redes sociais que a reunião dos líderes europeus serviu para "reafirmar que a Ucrânia merece a paz através da força". Ela defendeu uma paz que "respeite a independência, a soberania e a integridade territorial", "com sólidas garantias de segurança", ressaltando que a Europa deve assumir "plenamente" sua parcela de ajuda militar à Ucrânia e aumentar a defesa no continente.
A reunião de Paris, organizada por Macron, contou com a presença dos chefes de governo da Espanha, Alemanha, Reino Unido, Itália, Polônia, Holanda e Dinamarca. Também estiveram presentes os chefes da Comissão Europeia e do Conselho, Ursula von der Leyen e António Costa, respectivamente, e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte.
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