BRUXELAS, 24 abr. (EUROPA PRESS) -
Os presidentes da Síria e do Líbano exigiram nesta sexta-feira à União Europeia que a comunidade internacional “assuma sua responsabilidade” diante das agressões de Israel a outros países da região e defenderam que se aproveite “a oportunidade” oferecida pelos “dramáticos acontecimentos” no Oriente Médio para reforçar a cooperação econômica e de segurança com Bruxelas.
Em uma coletiva de imprensa na capital de Chipre, Nicósia, onde ocorreu um Conselho Europeu informal para o qual foram convidados os líderes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e de outros países como o Líbano ou o Egito, o presidente de transição da Síria, Ahmed al Shara, condenou os ataques de Israel na região.
“Gostaria de convidar a comunidade internacional a assumir sua responsabilidade diante de todas as agressões israelenses, de todo tipo e em todos os territórios, que estão atingindo nossas terras”, afirmou na presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Segundo o líder sírio, “a Europa precisa da Síria tanto quanto a Síria precisa da Europa”, pois é “importante” e “inevitável” garantir também a segurança e as cadeias de abastecimento no mundo e retornar ao Acordo de Separação de 1974 para um cessar-fogo com Israel, a fim de recuperar “a estabilidade regional”.
“Por isso, o compromisso da Europa com a estabilidade e a segurança da Síria conduzirá inevitavelmente a deter as agressões de Israel sobre o território sírio e a pôr fim a todas as violações da soberania da Síria”, acrescentou Al Shara.
Dito isso, ele destacou o momento de “maturidade política” nas relações entre a UE e a Síria e defendeu que a estabilidade e a segurança do Oriente Médio e da Europa “constituem um equilíbrio geopolítico” que espera aprofundar durante o diálogo político de alto nível que ocorrerá em 11 de maio.
LÍBANO PAGA “UM ALTO PREÇO HUMANITÁRIO”
Por sua vez, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, lamentou que seu país esteja pagando “um alto preço humanitário” pela operação militar de Israel contra o partido-milícia xiita Hezbollah no sul do país, com um grande fluxo de deslocados e forte pressão sobre as infraestruturas e a economia.
No entanto, ele apelou para que os “acontecimentos dramáticos” fossem vistos como “uma janela de oportunidades” para avançar rumo a uma maior integração econômica regional e para promover a estabilidade e torná-la sustentável em toda a região.
“O Líbano não encara essas questões sob a ótica do conflito, mas sim como uma janela de oportunidades, e precisamos avançar nessa direção. A região tem um grande potencial para alcançar a integração econômica, bem como a interconectividade em serviços e comércio, mas são potenciais que não podem ser garantidos em um contexto de instabilidade”, indicou.
Por esse motivo, ele defendeu a necessidade de que a estabilidade do Líbano faça parte da estabilidade da região, pois “o que ocorre no Líbano não se limita às suas fronteiras”, mas também afeta a região e seus parceiros, como a União Europeia.
APOIO DIPLOMÁTICO E HUMANITÁRIO DA UE
Por sua vez, os líderes da União Europeia transmitiram aos seus homólogos do Oriente Médio a disposição de reforçar o apoio político, econômico e em matéria de segurança para contribuir para a estabilização da região, ao mesmo tempo em que insistiram na necessidade de avançar para uma solução negociada do conflito.
“A situação atual ressalta claramente até que ponto a segurança da Europa está ligada à do Oriente Médio e o quanto nossa cooperação em matéria de segurança e defesa se tornou vital”, afirmou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que insistiu que “a diplomacia é a única via sustentável” para avançar rumo ao fim do conflito.
O líder português destacou que a UE mantém “total solidariedade” com os países da região e garantiu que eles podem contar com o bloco comunitário num momento em que a guerra está a ter consequências “desastrosas” para a população e a economia global.
Nesse sentido, defendeu o envolvimento da União nos esforços em curso para alcançar uma solução duradoura e exigiu a reabertura “imediata” do Estreito de Ormuz “sem restrições”, em conformidade com o Direito internacional e a liberdade de navegação.
“A diplomacia é o único caminho sustentável e a União Europeia está disposta a contribuir para todos os esforços em curso. Isso inclui a questão nuclear e a ajuda para restaurar as infraestruturas energéticas do Golfo, com o objetivo de estabilizar os mercados energéticos mundiais”, acrescentou.
Costa também enfatizou a situação no Líbano, onde reiterou o apoio da UE às autoridades para avançar na desmilitarização do Hezbollah, que considerou um “fator desestabilizador perigoso” para a região, ao mesmo tempo em que confirmou que Bruxelas continuará a fornecer apoio humanitário e econômico.
“Continuaremos apoiando seus esforços para desarmar o Hezbollah. É a única solução sustentável para restaurar a estabilidade do país”, afirmou, referindo-se às autoridades libanesas.
VON DER LEYEN PROPÕE AMPLIAR A MISSÃO 'ASPIDES'
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também quis reafirmar a “solidariedade absoluta” da UE com seus parceiros e destacou a vontade de reforçar a cooperação com a região em todos os níveis, indo além da gestão imediata da crise.
“Poderíamos considerar ampliar o alcance de missões como a Aspides, evoluindo da mera proteção para uma coordenação marítima conjunta mais sofisticada”, assinalou a mandatária alemã, que também defendeu a necessidade de estabelecer “uma cooperação estrutural para aumentar a produção de defesa”, diante da ameaça que representa a proliferação maciça de drones e mísseis.
Paralelamente, a líder alemã destacou a disposição da UE em trabalhar com os países do Golfo para diversificar as infraestruturas energéticas e reduzir a dependência de rotas críticas como o Estreito de Ormuz, além de impulsionar projetos de conectividade estratégica entre a Europa e a região.
“Agora é o momento de avançar em projetos de conectividade promissores”, afirmou, referindo-se ao corredor econômico entre a Índia, o Oriente Médio e a Europa, uma das iniciativas com as quais Bruxelas busca reforçar os laços econômicos com a região.
Von der Leyen defendeu que o objetivo comum deve ser negociar “um fim duradouro” para a guerra, o que, segundo ela, passa também por garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e abordar questões como o programa nuclear e balístico do Irã.
“Precisamos de um caminho permanente para a paz. Uma pausa temporária não é suficiente”, alertou, ao mesmo tempo em que destacou o apoio humanitário mobilizado pela UE, com mais de 100 milhões de euros e envios de ajuda por meio de uma ponte aérea.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático