GAETAN CLAESSENS // EUROPEAN COUNCIL
BRUXELAS 18 dez. (EUROPA PRESS) -
Os líderes da União Europeia lutaram nesta quinta-feira para chegar a um acordo sobre uma fórmula de financiamento para manter a Ucrânia à tona pelos próximos dois anos, já que as diferenças continuam sobre a utilização da liquidez dos ativos vinculados pelas sanções da UE para um potencial "empréstimo de reparação" de 90 bilhões de euros para Kiev.
"Temos uma escolha simples: dinheiro hoje ou sangue amanhã. E não estou falando apenas da Ucrânia. Estou falando da Europa", disse o primeiro-ministro polonês Donald Tusk aos repórteres em sua chegada à cúpula em Bruxelas, insistindo que os líderes europeus devem "estar à altura do momento".
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que a cúpula durará o tempo que for necessário para obter o sinal verde para o apoio econômico à Ucrânia. "Não deixaremos este Conselho sem uma decisão final e nunca aprovaremos uma solução que não garanta a segurança total da Bélgica", enfatizou.
O foco está na Bélgica, que abriga a sede da Euroclear - o depositário que detém a grande maioria dos ativos em questão - e que continua se opondo ao plano, citando os riscos que correria diante de futuras reivindicações russas. A proposta sobre a mesa inclui um mecanismo de liquidez para que tanto os estados-membros quanto as instituições financeiras possam atender rapidamente às demandas da Rússia, embora o governo belga insista em explorar outras opções "mais seguras e transparentes" e solicite que a opção de emitir uma dívida conjunta para um empréstimo à Ucrânia seja colocada novamente sobre a mesa.
Pouco antes do início da cúpula, o primeiro-ministro belga Bart de Wever garantiu ao parlamento belga que "nenhum texto" que ele viu o convenceu a "mudar a posição da Bélgica". "Espero vê-lo hoje, mas até agora ele não chegou", disse ele, reiterando que a alternativa é pagar a ajuda emitindo eurobônus, com o orçamento da UE como garantia.
UM SINAL DE FORÇA EM RELAÇÃO À RÚSSIA
O chanceler alemão, Friedrich Merz, um dos maiores defensores do uso dos ativos russos imobilizados, insistiu que não há "opção melhor" e apostou em chegar a um resultado no final da cúpula que está sendo realizada na capital da UE, apesar das preocupações persistentes da Bélgica.
"Espero que possamos esclarecê-las juntos e que também possamos embarcar juntos em uma maneira de a UE dar um sinal de força e determinação em relação à Rússia", disse Merz em sua chegada ao Conselho Europeu.
Para seu colega lituano Gitanas Nauseda, o importante é que a cúpula culmine com uma decisão sobre o empréstimo para reparos. "Essa decisão já deveria ter sido tomada há muito tempo e é muito importante", argumentou ele, enfatizando que "ninguém pode fornecer apoio financeiro em um montante tão grande quanto a Europa".
Seu colega irlandês, Micheal Martin, pediu um acordo que trouxesse segurança financeira para a Ucrânia. "É importante que a Europa hoje tenha coesão e unidade nessa questão", disse ele, observando que há "um forte impulso para se chegar a um acordo sobre ativos irrecuperáveis".
"A melhor opção, sem dúvida, é usar os ativos congelados. É claro que também há outras opções, mas acho que é muito importante que a Europa demonstre determinação e seja capaz de decidir o que quer fazer com relação à Ucrânia", disse a primeira-ministra da Letônia, Evika Silina, antes da reunião dos chefes de Estado e de governo da UE.
Por sua vez, o primeiro-ministro Pedro Sánchez pediu aos seus colegas europeus que "tomem decisões" sobre os bens russos congelados, enfatizando que a UE deve "caminhar junto" em sua resposta à Rússia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também se manifestou, argumentando que os líderes devem fechar os fundos para Kiev sustentar seu esforço militar pelos próximos dois anos. "Temos que encontrar uma solução hoje", alertou ela, acrescentando que entendia a posição da Bélgica e garantiu que o risco "será compartilhado por todos".
Usar os ativos russos presos na Europa é "a opção mais viável" para ajudar Kiev, insistiu a Alta Representante da UE, Kaja Kallas, que elogiou as negociações com a Bélgica por terem progredido nessa questão "e aliviado suas preocupações". "Espero que possamos levar isso até o fim", declarou ela, alertando que o presidente russo Vladimir Putin "quer ver essa iniciativa fracassar".
O contraponto foi dado pelo primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que chegou à cúpula criticando a própria ideia de manter o apoio financeiro à Ucrânia e enfatizou que a proposta de usar ativos russos "está morta". "Eu não gostaria de ver uma União Europeia em guerra. Dar dinheiro significa guerra", disse ele, afirmando que empréstimos usando ativos russos congelados "estão fora de questão" devido à falta de apoio e "são um beco sem saída".
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