BRUXELAS, 19 jun. (EUROPA PRESS) -
Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia comemoraram a abertura do primeiro grupo de capítulos para a adesão da Ucrânia ao bloco comunitário e defenderam que todos sejam abertos “o mais rápido possível”, além de terem explorado a possibilidade de estabelecer relações diplomáticas com a Rússia com vistas a eventuais negociações de paz, segundo fontes europeias.
Após uma reunião dos Vinte e Sete durante o Conselho Europeu, realizado nesta quinta e sexta-feira em Bruxelas — a primeira com Peter Magyar como primeiro-ministro da Hungria —, os líderes também prorrogaram as sanções setoriais contra a Rússia por um período de 12 meses, em uma decisão rápida que, após a saída de Viktor Orbán, não encontrou resistência.
Conforme explicaram essas mesmas fontes, o Conselho Europeu manifestou sua satisfação com a abertura formal das negociações de adesão de Kiev à União Europeia, sustentando que isso representa um “marco importante e histórico” que põe fim “a um longo impasse no processo de integração europeia da Ucrânia”.
“Com base na posição favorável da Comissão Europeia e nos méritos próprios da Ucrânia, o objetivo agora é abrir todos os demais grupos de capítulos o mais rápido possível”, acrescentaram, constatando que, na primeira cúpula europeia sem Orbán em 16 anos, “há um novo senso de unidade” em relação a Kiev.
Durante parte do debate, no qual também esteve presente o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, os líderes abordaram os esforços diplomáticos para apoiar a Ucrânia, concordando que todos os esforços da União devem seguir “na mesma direção”: “Fortalecer a posição da Ucrânia e exercer mais pressão sobre a Rússia com vistas a futuras negociações de paz”.
Nesse ponto, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, destacou a necessidade de o bloco comunitário confiar em suas próprias capacidades para apoiar a Ucrânia e também para “estar preparado” para assumir sua responsabilidade “desde que as condições” para estabelecer contato com a Rússia “sejam as corretas”.
O socialista português também destacou a importância do diálogo com o Kremlin para garantir uma “paz justa e duradoura” e que também esteja de acordo “com os interesses da Europa”. “É isso que o presidente Zelenski está nos pedindo para fazer: que a Europa assuma um papel mais ativo em seus esforços diplomáticos”, transmitiu Costa aos líderes.
Sobre os recentes “breves contatos” explorados pela equipe do presidente do Conselho Europeu, em nível diplomático, com a Rússia para abrir “canais de comunicação”, Costa explicou que não se tratou de negociações nem de uma troca substancial, e que o objetivo é estar “preparados, quando chegar a hora, para defender os interesses da União Europeia”.
Nas conclusões, os líderes concordaram em apoiar os esforços diplomáticos agora que a Rússia, “tendo fracassado em alcançar seus objetivos militares e estratégicos”, intensificou seus ataques a cidades e infraestruturas energéticas, e exigiram que Moscou demonstre “interesse genuíno” pela paz para acordar um cessar-fogo “completo, imediato e incondicional”.
SOLICITAM TRABALHO TÉCNICO CONTRA EX-COMBATENTES RUSSOS
Nesse sentido, os líderes concordaram que a única solução sustentável para a invasão da Ucrânia é uma paz que respeite a “independência, soberania e integridade territorial” da Ucrânia, sendo indispensável que o futuro da Ucrânia “não possa ser decidido” sem Kiev e que a União Europeia “decidirá sobre tudo o que estiver dentro de sua competência ou afetar sua segurança”.
Entre menções ao compromisso da União com as garantias de segurança e a reconstrução da Ucrânia, bem como às condenações aos recentes ataques da Rússia, os líderes também defenderam a liberação do primeiro parcelamento do empréstimo europeu de 90.000 milhões de euros à Ucrânia “antes do final de junho de 2026”, embora não tenham acordado uma data concreta.
Quanto às sanções, os líderes apoiaram a imposição de “maior pressão sobre a Rússia” para levar Moscou à mesa de negociações, apelando à aprovação do 21º pacote de sanções e a medidas restritivas para punir “toda a cadeia” do modelo de negócios das “frotas-fantasma” que a Rússia utiliza para contornar as sanções da União Europeia.
O Conselho Europeu também destacou a importância de coordenar as sanções com os parceiros do G7 e de outros países aliados para reforçá-las e eliminar “lacunas”. Além disso, rejeitou a normalização das relações com Moscou, enquanto durar a guerra, para que o país participe de eventos esportivos e culturais internacionais.
Diante de uma possível ameaça, os líderes também solicitaram ao Conselho da UE que realize um “maior trabalho técnico” para concretizar a proibição de entrada no território comunitário de ex-combatentes russos na guerra da Ucrânia, tomando nota da proposta da Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas.
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