Publicado 05/03/2025 14:52

Líderes da UE buscarão o endosso do "rearmamento" da Europa amanhã, após a crise de Trump e o boicote de Orbán

Zelenski participará da reunião, na qual não se espera nenhuma medida para aumentar a ajuda militar à Ucrânia.

Archivo - Arquivo - Reunião do Conselho Europeu em 19 de dezembro de 2024 em Bruxelas, Bélgica. Os líderes da União Europeia (UE) se reuniram em uma cúpula em apoio à Ucrânia com o objetivo de aumentar seu poder no caso de negociações com a Ucrânia.
Pool Moncloa/Borja Puig de la Bellacasa - Arquivo

BRUXELAS, 5 mar. (EUROPA PRESS) -

Os chefes de Estado e de governo da União Europeia tentarão na quinta-feira enviar uma mensagem de apoio inabalável à determinação de "rearmar a Europa" e apoiar a Ucrânia diante da aproximação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o regime russo de Vladimir Putin, em uma primeira reunião de 27 que o líder húngaro, Viktor Orbán, está ameaçando boicotar se eles se concentrarem no apoio militar a Kiev.

A reunião em Bruxelas segue os contatos dos líderes europeus nas últimas semanas em Paris e Londres e é marcada pela proposta da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, de mobilizar 150 bilhões de euros em empréstimos para aumentar os gastos com defesa na União Europeia, dentro da estrutura de um plano de rearmamento para alocar até 800 bilhões de euros para a defesa na próxima década, embora a maior parte desse investimento viesse da realocação de fundos europeus já destinados a outros itens.

Nesse sentido, espera-se que os líderes da UE deem o aval a essa iniciativa de lançar a Europa da Defesa, uma vez que concordem com a necessidade de aumentar os gastos militares e que a Europa assuma maior responsabilidade pela segurança no continente, embora fontes diplomáticas de diferentes capitais alertem que veem a iniciativa de 150 bilhões como um "primeiro passo" ou "ponto de partida" para um investimento que deveria ser muito maior".

Fontes da UE consideram "extremamente importante" que a UE "vire a página" em matéria de defesa e abra um novo capítulo em sua história diante da necessidade de uma era de rearmamento, como definiu Von der Leyen. A iniciativa da conservadora alemã é amplamente apoiada pelos estados-membros, que veem o instrumento como uma ferramenta de investimento significativa para a Europa decolar em questões de defesa e relançar sua indústria militar, avançando assim em direção à sua meta de maior autonomia no campo militar.

Esse debate foi acelerado pelo fato de o presidente dos EUA ter se aproximado da Rússia e suspendido a ajuda militar à Ucrânia, uma medida para pressionar Kiev a sentar-se para negociar que a UE não compartilha, de modo que a reunião também será palco de apoio militar e político ao presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, dada a difícil situação em que o país se encontra.

Apesar da crise nas relações transatlânticas, os líderes europeus insistem que concordam com uma Europa mais soberana, independente e pronta para desenvolver sua força militar. "Há uma clara suposição de que não foi feito o suficiente no passado", admitem fontes da UE, sobre a urgência de acelerar o investimento em defesa, ao mesmo tempo em que reconhecem que a reviravolta de Trump acrescentou urgência ao debate europeu e significa que a UE está enfrentando uma de suas cúpulas "mais cruciais".

De qualquer forma, o instrumento proposto por Von der Leyen para priorizar aquisições militares em áreas como defesas antiaéreas, sistemas de artilharia, munição e sistemas de drones não é visto como a ferramenta definitiva da UE em questões de defesa, e várias fontes europeias apontam que é um primeiro passo na jornada europeia para impulsionar sua estratégia de rearmamento.

Também estará na mesa dos líderes a proposta de nomear um enviado da UE para as negociações sobre a Ucrânia, uma iniciativa bem recebida pelos Estados membros. De qualquer forma, não são esperadas decisões imediatas sobre um cargo que não substituiria os líderes da UE ou das instituições da UE em nível político, dizem fontes europeias. A ideia é garantir que o bloco tenha um papel nas negociações, com um enviado em tempo integral dedicado à questão.

NENHUMA MEDIDA CONCRETA PARA AUMENTAR A AJUDA MILITAR À UCRÂNIA

O debate sobre o rearmamento europeu anda de mãos dadas com a necessidade de reiterar o compromisso com o futuro da Ucrânia e o "roteiro" para fortalecer Kiev para negociações de paz que levem a um acordo de paz justo e sustentável. Zelenski estará presente na reunião, disse uma fonte europeia na quarta-feira.

Assim, em meio à hostilidade de Washington em relação a Kiev, com o confronto público entre Trump e Zelenski no Salão Oval e as medidas tomadas pelos Estados Unidos para suspender a ajuda militar e cortar a cooperação de inteligência, o foco será a resposta da UE ao abandono dos Estados Unidos e como dobrar seu compromisso com a Ucrânia. Embora, por enquanto, o sinal não se materialize em um apoio militar renovado, já que não há unanimidade para aprovar a iniciativa de um novo fundo apresentada pela Alta Representante da UE, Kaja Kallas.

Apesar do lançamento do plano há algumas semanas, o instrumento apresentado ainda não apresenta um valor concreto nem esclarece como a carga será dividida entre os estados-membros, com fontes sugerindo que ela deve chegar a 30 bilhões. De qualquer forma, Bruxelas não considera a proposta morta e espera que mais trabalho seja feito e que, "passo a passo", ela possa ser adotada.

O debate sobre o fundo militar revela as tensões dentro da UE sobre a responsabilidade de redobrar a ajuda militar à Ucrânia. "Muitas vezes, os países que não contribuem com sua parte justa para a Ucrânia são os mesmos que não contribuem com 2% para a defesa. Além disso, em sua defesa, o grupo de países tem enormes problemas fiscais e dívidas elevadas", disse uma fonte europeia sobre um grupo de Estados membros que inclui a Espanha.

Com relação à discussão sobre as garantias de segurança para assegurar o cumprimento de um eventual cessar-fogo ou acordo de paz na Ucrânia, a capital da UE assume que o debate ainda é prematuro, mas saúda a coalizão que emergiu da reunião de Londres convocada pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, para que uma série de países, quando chegar a hora, se envolva na segurança da Ucrânia, embora a medida dependa do apoio de Washington para uma futura missão no local.

Um funcionário europeu reconhece que o debate é "inevitável", dada a velocidade dos acontecimentos na Ucrânia, mas observa que o papel da UE ainda precisa ser definido, seja ele militar, financeiro ou uma decisão de política externa. "Quando chegar a hora, haverá uma coalizão, resta saber qual papel a UE desempenhará", argumenta, deixando o cenário em aberto e ressaltando a estreita cooperação do bloco com parceiros que pensam da mesma forma para os próximos passos na Ucrânia.

AMEAÇA ORBANA

A ameaça de Orbán de romper a unidade europeia em relação à Ucrânia está mais uma vez pairando sobre a cúpula, já que o líder magiar acredita que a UE deve mudar de rumo e negociar diretamente com Vladimir Putin para acabar com a guerra na Ucrânia. Em particular, a Hungria continua desconfiada dos sinais de apoio à Ucrânia nas conclusões da cúpula, depois que Orbán criticou publicamente seus colegas europeus por tentarem "continuar a guerra".

A UE quer deixar claro que qualquer trégua ou cessar-fogo só pode ocorrer como parte do processo que leva a um acordo de paz abrangente, que deve ser apoiado por "garantias de segurança fortes e confiáveis para a Ucrânia que ajudem a impedir futuras agressões russas".

Fontes europeias estão confiantes em salvar a unidade europeia na cúpula, embora uma conclusão final sem a Hungria ou a Eslováquia não esteja descartada, depois que o primeiro-ministro Robert Fico também ameaçou bloquear o texto, que contém uma linguagem mais incisiva em apoio à Ucrânia e defende uma paz dentro dos parâmetros estabelecidos por Zelensky que respeite a "independência, soberania e integridade territorial" da Ucrânia.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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