DATI BENDO / EUROPEAN COMMISSION
BRUXELAS, 25 jun. (EUROPA PRESS) -
Os líderes dos países do flanco oriental da União Europeia — aqueles que fazem fronteira com a Rússia, a Bielorrússia e a Ucrânia — exigiram que os demais 27 membros ativem já a iniciativa de defesa e vigilância “Eastern Flank Watch” (Vigilância do Flanco Oriental) diante do aumento das incursões de drones provenientes da guerra na Ucrânia em seus respectivos espaços aéreos e marítimos.
Os chefes de Estado e de Governo da Polônia, Romênia, Lituânia, Letônia, Estônia, Finlândia e Suécia instaram, na segunda reunião da Cúpula do Flanco Oriental, realizada nesta quinta-feira na cidade polonesa de Gdansk, os Estados-membros a darem sua aprovação definitiva à iniciativa para “proteger os céus e as fronteiras do flanco oriental”.
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, que atuou como anfitrião da cúpula, alertou que os países do flanco oriental esperam “uma escalada nas próximas semanas e meses” e destacou que a Polônia destinará este ano 6,9% de seu PIB à defesa, a maior porcentagem de toda a OTAN. “Que isso sirva de sinal de alerta para todos aqueles que planejam algo contra nós”, afirmou.
Por sua vez, o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, exigiu que as capacidades do “Eastern Flank Watch” estejam “operacionais até 2030” e solicitou que o projeto conte com “financiamento substancial” no próximo orçamento plurianual da UE.
O primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, fez uma observação semelhante: embora tenha destacado que a iniciativa “está avançando bem”, ele ressaltou que arcar com os custos da defesa do flanco oriental “é responsabilidade de toda a Europa, não apenas dos países do flanco oriental”.
Além disso, o primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, pediu à UE que “flexibilize as regulamentações e forneça financiamento” para o desenvolvimento de capacidades no flanco oriental, alertando que “a paz requer força e o flanco oriental traça o caminho a seguir para a Europa”.
Seu colega da Estônia, Kristen Michal, pediu mais apoio para o “Eastern Flank Watch”, destacando que trabalhar em conjunto no projeto permite “alcançar mais, mais rápido e com menor custo”.
Enquanto isso, o primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulberg, por sua vez, ressaltou que a Ucrânia deve participar do desenvolvimento do projeto, contribuindo com sua experiência em tecnologias antidrones, “as mais avançadas no campo de batalha”.
O presidente da Romênia, Nicusor Dan, por sua vez, destacou que a cúpula serviu para “verificar os avanços” no programa de equipamento militar e pediu que se incorpore “a experiência da Ucrânia” nos projetos do flanco oriental, incluindo o ‘Eastern Flank Watch’.
BRUXELAS RESPONDE QUE O PROJETO SERÁ APRESENTADO “MUITO EM BREVE”
O comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, presente na cúpula ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o “Eastern Flank Watch” será apresentado “muito em breve” ao Conselho para sua aprovação final como projeto de defesa de interesse comum da UE, o que lhe conferiria “um alto status político europeu”.
“A região precisa, em nossa opinião, de assistência não apenas no desenvolvimento de suas capacidades básicas de defesa, mas também no desenvolvimento de toda a infraestrutura necessária para a preparação: mobilidade militar, segurança no abastecimento energético, preparação na área da saúde e outros aspectos”, afirmou Kubilius durante sua intervenção.
No entanto, ele comemorou que esta cúpula do Flanco Oriental “é muito importante” porque “demonstra uma unidade política muito forte da região”, que pode “gerar novas ideias a partir desta região” para uma cooperação “mais intensa em políticas comuns de defesa”, propostas conjuntas para o desenvolvimento da arquitetura de segurança europeia e de “um mercado de defesa regional integrado, bem como a atração de investimentos para o desenvolvimento de indústrias de defesa modernas na região”.
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