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Jamenei afirma que “os ponteiros do relógio não voltarão atrás” e apela a uma melhoria nas relações com os países da região
MADRID, 26 maio (EUROPA PRESS) -
O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Jamenei, destacou nesta terça-feira que os países do Oriente Médio “não servirão mais de escudo para as bases dos Estados Unidos” e apelou para a melhoria das relações entre os Estados da região após o conflito desencadeado pela ofensiva lançada de surpresa em 28 de fevereiro pelas forças americanas e israelenses contra o país asiático.
“O que é certo é que os ponteiros do relógio não voltarão atrás e que as nações e terras da região não servirão mais de escudo para as bases americanas”, disse Jamenei em uma mensagem escrita por ocasião do início da peregrinação a Meca, divulgada pela rede de televisão pública IRIB.
“Não haverá mais refúgios para o mal nem o estabelecimento de bases militares na região, já que os Estados Unidos se afastam a cada dia de seu status anterior”, assinalou, antes de convidar “sinceramente” “todos os países e governos islâmicos para a amizade e a cooperação” em benefício das comunidades muçulmanas e para “resolver os problemas do mundo islâmico”.
Assim, explicou que “as nações da região têm muitas capacidades e interesses comuns que determinarão a nova ordem e a futura configuração da região e do mundo”, ao mesmo tempo em que elogiou o trabalho das forças do Irã e de outros grupos aliados de Teerã na região por “suas vitórias frente aos exércitos terroristas e fortemente armados dos Estados Unidos e dos sionistas”.
Jamenei destacou ainda a relevância da Revolução Islâmica de 1979, que “derrubou o regime tirânico, ditatorial e dependente dos Pahlavi, cortando as mãos e os pés dos arrogantes e avarentos americanos e eliminando completamente a influência do sionismo (no país asiático)”.
“Foi a arma de ‘Deus é o maior’ que, após a invasão do território iraniano pelo regime baathista de Saddam Hussein, os mujahedin (...) criaram uma epopeia de oito anos de defesa sagrada, continuando sua resistência com firmeza e perseverança durante os anos seguintes diante de bloqueios, golpes, sanções cruéis e inúmeros ataques nos planos político, propagandístico e econômico”, argumentou.
Nesse sentido, ele enfatizou “o fracasso dos inimigos em fazer com que o Irã se rendesse” durante a referida ofensiva e afirmou que “a partir de agora, ‘Morte aos Estados Unidos’ e ‘Morte a Israel’ serão os slogans comuns da nação islâmica e dos povos oprimidos do mundo, especialmente entre os jovens”.
A mensagem foi novamente publicada por escrito, depois que Jamenei não apareceu em público desde sua nomeação à frente do país, substituindo seu pai, o aiatolá Ali Jamenei, assassinado em um bombardeio em 28 de fevereiro, nos primeiros momentos da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel.
O porta-voz do Ministério da Saúde iraniano, Hosein Kermanpur, afirmou na segunda-feira que Jamenei foi internado em um hospital junto com outros feridos no ataque, no qual morreram seu pai e vários de seus familiares, incluindo sua esposa. “Além de ferimentos superficiais no rosto, na cabeça e nas pernas, que não provocaram nenhuma amputação nem um problema médico mais grave”, afirmou.
Anteriormente, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, havia afirmado que o novo líder supremo iraniano ficou “desfigurado” devido ao ataque, em meio a especulações sobre o estado de saúde e o paradeiro de Jamenei, que estaria se comunicando por meio de uma rede de mensageiros para transmitir suas instruções.
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