Maksim Konstantinov / Zuma Press / Europa Press
MADRID 13 set. (EUROPA PRESS) -
O membro do Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen e governador de Marib, Sultão bin Ali al Arada, acusou neste sábado os rebeldes houthis de bloquear o caminho para um acordo de paz e forçar o país a retomar o conflito armado, ao mesmo tempo em que defendeu como objetivo prioritário a recuperação das instituições estatais e da capital, Sanaa.
Em declarações à emissora de televisão iemenita Saba, Al Arada afirmou que as autoridades reconhecidas internacionalmente dedicaram os últimos anos à busca de uma solução negociada para o conflito e aceitaram concessões importantes com o objetivo de interromper os combates, proteger vidas e avançar rumo à estabilidade.
Segundo seu relato, compartilhado nas redes sociais, desde 2022 o Conselho de Liderança Presidencial tem colocado a busca pela paz como eixo central de sua estratégia, contando, para isso, com o apoio das Nações Unidas, da Arábia Saudita, de Omã e de outros países. No entanto, ele acusou os houthis de rejeitar essas iniciativas e de fazer com que o conflito retorne a uma fase marcada pela guerra.
O governador de Marib atribuiu essa postura às posições políticas e militares dos houthis e aos seus laços com o Irã. Diante desse cenário, argumentou ele, as autoridades devem assumir uma nova realidade na qual a prioridade é restabelecer o controle do Estado e pôr fim ao domínio das milícias.
Al Arada afirmou que recuperar as instituições do Estado e libertar o território sob controle dos houthis constitui, atualmente, o principal objetivo das forças alinhadas com o governo e apresentou essa meta como uma reivindicação apoiada por uma parte da população iemenita.
Em relação à situação militar no país, ele defendeu a atuação das Forças Armadas nas diversas frentes e reforçou que estas atuam cumprindo suas funções em apoio às autoridades reconhecidas. O governador antecipou ainda que os próximos dias poderão trazer avanços favoráveis para as forças governamentais.
MARIB, UMA DAS PRINCIPAIS FRENTES
Al Arada classificou a província de Marib entre os principais cenários do conflito e garantiu que as forças ali mobilizadas mantêm como prioridade a vitória e o apoio às demais frentes. Nesse sentido, ele insistiu que a retomada de Sana’a continua sendo o objetivo final das operações militares.
O líder iemenita reconheceu que alcançar essa meta implica arcar com um alto custo em vidas e recursos, mas defendeu que os militares e os responsáveis militares mobilizados nas diversas linhas de combate têm uma responsabilidade histórica na defesa do Estado e do que ele definiu como “dignidade nacional”.
Com relação aos recentes acontecimentos registrados na costa, Al Arada admitiu que se trata de uma situação “dolorosa e lamentável”, embora tenha minimizado seu impacto estratégico, enquadrando-a na dinâmica habitual de um conflito armado, caracterizado por avanços, recuos, derrotas e vitórias.
Nesse contexto, ele ressaltou que os acontecimentos mencionados não devem desviar o objetivo das forças governamentais nem frear sua campanha. Assim, o governador utilizou a expressão “batalha sagrada” para se referir à luta pela recuperação do Estado.
Al Arada também manifestou sua confiança nos comandantes militares encarregados de dirigir as operações e informou sobre a chegada a Marib de efetivos provenientes de outras regiões. Segundo explicou, foi montado um acampamento para eles e foram tomadas medidas para atender às pessoas deslocadas da costa.
Nesse contexto, o governador garantiu que esses deslocados serão acolhidos em Marib e destacou a disposição da população local em lhes prestar apoio. “Entre seus irmãos”, afirmou ao descrever o acolhimento que receberão os recém-chegados, aos quais equiparou aos habitantes da província em termos de direitos e obrigações.
Paralelamente, ele sinalizou que as unidades que abandonaram suas posições na costa estão em processo de reorganização e garantiu que retornarão à linha de frente “de uma forma ou de outra”.
APOIO DA POPULAÇÃO E DA ARÁBIA SAUDITA
O líder iemenita também destacou a participação de setores da população no esforço bélico. Em sua opinião, a mobilização em diferentes províncias demonstra um elevado grau de envolvimento e responsabilidade nacional, já que os cidadãos não se limitam a aguardar a ação das Forças Armadas.
Segundo Al Arada, parte da população contribui diretamente para o esforço de recuperação das instituições estatais por meio do fornecimento de efetivos, armamento, veículos e outros recursos.
Por fim, o governador de Marib destacou o apoio recebido dos países árabes aliados, com menção especial à Arábia Saudita, à qual atribuiu um papel fundamental no apoio ao povo iemenita.
O conflito iemenita opõe, há anos, os houthis — que controlam Sanaa e amplas áreas do norte e do oeste do país — às forças alinhadas com o governo reconhecido internacionalmente e seus aliados. Os esforços diplomáticos para alcançar uma solução negociada têm coexistido com episódios recorrentes de tensão e confrontos.
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