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MADRID, 15 abr. (EUROPA PRESS) -
O líder do Renovación Popular nas eleições gerais no Peru, Rafael López Aliaga, liderou nas últimas horas um protesto em frente ao Jurado Nacional de Eleições (JNE) na capital, Lima, de onde deu um prazo de 24 horas às autoridades para anular o processo e ordenar sua repetição, no âmbito de suas denúncias de fraude.
“Senhores do JNE, damos um prazo: vocês têm 24 horas para declarar a nulidade dessa porcaria”, disse ele diante de dezenas de manifestantes. “Se às 20 horas (hora local) de amanhã (quarta-feira), essa porcaria não for declarada nula, convocarei novamente a todos, em nível nacional”, afirmou López Aliaga, que colocou em pauta a convocação de uma “insurreição civil, prevista na Constituição”.
Assim, ele exigiu também ao procurador-geral do Peru e ao chefe da Polícia que “prendam imediatamente” o presidente do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Piero Corvetto, a quem descreveu como “parte de uma engrenagem, de uma estratégia” para perpetrar essa suposta fraude. “Há uma máfia que planejou isso há meses”, argumentou, antes de criticar novamente os atrasos na entrega do material eleitoral e acusar Corvetto de “violar a lei como bem entende”.
“Nem mesmo na Venezuela, na ditadura de (Nicolás) Maduro, se viu essa porcaria”, criticou. “Procurador, cumpra seu dever e não seja cúmplice dessa farsa”, sublinhou o líder do Renovación Popular, que enfatizou que “hoje se sabe quem são os traidores do Peru e quem tem a coragem e o que é preciso para levar este país adiante”.
Nesse sentido, o ex-prefeito de Lima argumentou que “a máfia quer inflar” um segundo candidato “para colocá-lo (no segundo turno) ao lado da senhora de sempre”, em referência à líder da Fuerza Popular, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que concorre às eleições pela quarta vez, tendo chegado ao segundo turno em 2016 e 2021, dos quais saiu derrotada por uma margem mínima e se apresentou como vítima de fraude.
López Aliaga argumentou que esse suposto plano traçado nos bastidores visa colocar Fujimori frente a um rival fraco, “a quem ela vai vencer”, ao mesmo tempo em que criticou o silêncio da líder do Fuerza Popular diante da situação. “A senhora deveria estar aqui, assumindo a responsabilidade e não se escondendo”, destacou, embora tenha enfatizado que, mesmo que seu partido ficasse em segundo lugar após a conclusão da apuração, “não aceitará isso”. “Desta forma, não”, precisou.
Dessa forma, ele sustentou que seu partido sofreu o “roubo” de 1.600.000 votos, sem apresentar dados que comprovem isso, e pediu a seus seguidores que “fiquem alertas”. “Nos declaramos em estado de emergência a partir deste minuto. Se a fraude se concretizar, convocarei uma marcha com antecedência, uma marcha massiva, de todo o Peru. Vamos convocar todo o Peru, assim que tivermos resultados oficiais, para declarar a insurgência civil”, ameaçou.
“Chega de gente indecisa”, destacou, antes de indicar que “a única forma de frear a vontade popular é por meio da fraude” e pedir aos representantes da União Europeia (UE) que abandonem o país por sua inação diante dessa situação. “É preciso ser cego e cúmplice para não perceber que o processo eleitoral... Senhores da UE, vão embora”, reclamou, entre aplausos e vivas dos manifestantes.
Por tudo isso, lamentou que “a festa (da democracia) tenha se transformado em um drama feroz, para levar adiante essa tentativa”. “Eles não vão conseguir. Terão que me matar para conseguir isso”, enfatizou López Aliaga. “Se querem incendiar a pradaria, vamos incendiá-la. Não somos mancos”, advertiu, antes de insistir que seu partido “vai pedir novas eleições”, “sem Corvetto”, mesmo que os resultados definitivos “favorecem” sua formação.
“A democracia tem como eixo fundamental o voto popular, é a essência da democracia. Esse valor, esse direito, foi violado diante de todos nós, de todo o Peru”, destacou. “O que não conseguem ganhar no campo, ganham na mesa, com trapaça”, disse o candidato de direita, que insistiu que sua formação “está claramente acima” do partido de Fujimori.
“Estamos em alerta permanente. O Peru vai enterrar esses traidores e esses grupos de poder. Se for necessário dar a vida, nós o faremos, mas isso não vai ficar assim”, reforçou, depois que a missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) sinalizou na terça-feira que, apesar de as eleições terem ocorrido de forma “pacífica” e “ordenada”, foram registradas falhas logísticas e técnicas, bem como “atrasos consideráveis” que, inclusive, chegaram a alimentar as “narrativas de fraude difundidas em alguns setores políticos” desde a campanha pré-eleitoral.
Com pouco menos de 10% dos votos por apurar, Fujimori está se consolidando como vencedora do primeiro turno das eleições gerais do Peru, com 16,91% dos votos. Segue-se o candidato do Renovación Popular, López Aliaga, com 11,99%; seguido por Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, com 11,88%, e Jorge Nieto, do Partido do Bom Governo, com 11,15%.
À medida que a apuração avança, a candidatura de Roberto Sánchez, líder de esquerda e herdeiro político de Pedro Castillo, vem crescendo em porcentagem de votos, ultrapassando Nieto e ameaçando a posição de López Aliaga em um segundo turno que será disputado em junho.
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