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MADRID, 25 mar. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral do partido-milícia xiita Hezbollah, Naim Qasem, enfatizou nesta quarta-feira que negociar com Israel enquanto este mantém sua ofensiva contra o Líbano equivaleria a “uma rendição”, rejeitando assim a iniciativa do presidente libanês, Joseph Aoun, de iniciar um processo de conversações com o país vizinho, que lançou nas últimas semanas uma nova invasão do território libanês.
“Quando se propõem negociações sob fogo cruzado com o inimigo israelense, isso equivale a impor uma rendição e a pilhagem de todas as capacidades do Líbano”, afirmou, antes de destacar que “é inaceitável, por princípio, negociar com um inimigo que ocupa território e lança ataques diariamente”.
Assim, ele reiterou que o Exército israelense não respeitou o cessar-fogo alcançado em novembro de 2024 e lembrou que as forças de Israel continuaram lançando ataques “ininterrupidamente durante 15 meses”, ao mesmo tempo em que enfatizou que “já não é segredo que existe um perigoso projeto americano-israelense para o ‘Grande Israel’, baseado na ocupação e expansão do Eufrates ao Nilo”.
“Ficou evidente que enfrentamos duas opções: ou a rendição e a renúncia à terra, à dignidade, à soberania e ao futuro de nossas gerações, ou o inevitável confronto e a resistência à ocupação para impedir que ela alcance seus objetivos”, destacou Qasem, segundo reportagem da emissora de televisão libanesa Al Manar, ligada ao grupo.
Nesse sentido, ele defendeu a decisão do Hezbollah de lançar mísseis contra Israel em resposta à ofensiva israelo-americana contra o Irã, lançada em 28 de fevereiro, e argumentou que “assim privou o inimigo israelense da oportunidade de surpreender” o grupo. “Os pretextos não fazem sentido quando a agressão já dura 15 meses”, reiterou.
Qasem afirmou que os membros do Hezbollah “estão decididos a continuar (a batalha) sem limites e dispostos a se sacrificar sem reservas”. “A agressão é o problema e o perigo; a resistência é a esperança e a libertação”, acrescentou, antes de falar de “uma responsabilidade nacional” na hora de “enfrentar a agressão” por parte de Israel.
APELO À “UNIDADE NACIONAL”
“A agressão israelo-americana visa privar o Líbano de sua força e controlar suas políticas, bem como o futuro de seu povo”, reiterou, razão pela qual fez um apelo à “responsabilidade nacional” para impedir os planos de “arrancar do Líbano sua soberania e independência por meio de exigências destinadas a incitar a sedição e a discórdia interna”.
Nessa linha, ele voltou a rejeitar os apelos para que o Hezbollah entregue as armas e destacou que “quando se levanta a questão do monopólio das armas (por parte do Estado) para satisfazer as exigências de Israel enquanto a ocupação e a agressão continuam, dá-se um passo em direção ao desaparecimento do Líbano e à realização do sonho do ‘Grande Israel’”.
“Estamos travando uma batalha defensiva pelo Líbano e seus cidadãos”, defendeu Qasem, que pediu “unidade nacional contra o inimigo” sob “uma única bandeira” com o objetivo de alcançar “o fim da agressão para a libertação da terra e de seu povo”. “Todas as outras questões podem ser discutidas posteriormente”, precisou.
“A unidade nacional priva nosso inimigo de toda esperança de ocupar nosso país. A unidade nacional nos permite superar esta etapa dolorosa por meio da solidariedade e do apoio mútuo, o que nos ajuda a construir nosso país juntos”, disse o líder do Hezbollah, que exigiu que o governo “se abstenha de tomar decisões que atendam à agenda israelense, mesmo que involuntariamente”.
Por fim, ele destacou que “a resistência não será derrotada, assim como seu povo”. “Estamos serenos e confiantes de que não seremos vencidos, quaisquer que sejam os sacrifícios”, precisou ele, antes de aprofundar que a guerra contra o Irã “é uma lição para refletir”. “Saibam que toda vitória contra os Estados Unidos e Israel traz consigo o bem que beneficia a todos”, concluiu.
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