Publicado 21/05/2025 10:48

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, diz que Maduro está "mais fraco do que nunca" e vê "esperança".

A presidente da Fundação Piñera Morel, Magdalena Piñera (à esquerda) e a deputada do PP Cayetana Álvarez de Toledo (à direita), com a intervenção de María Corina Machado, da Venezuela, no Foro Grupo Libertad y Democracia, no Ateneo de Madrid, em 21 de mai
Mateo Lanzuela - Europa Press

Edmundo González adverte sobre as "redes criminosas" que "detêm o poder" na Venezuela

MADRID, 21 maio (EUROPA PRESS) -

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, disse na quarta-feira que o presidente do país caribenho, Nicolás Maduro, está "mais fraco do que nunca" e falou de "esperança" ao considerar que a chegada aos Estados Unidos dos cinco opositores que estavam na Embaixada da Argentina desde março de 2024 dá "confiança" e "esperança" à oposição.

"Isso mostrou que a fratura no aparato repressivo é real, e isso nos deu enorme confiança e entusiasmo", disse ele, referindo-se ao "resgate" dos "cinco reféns" que permaneciam na embaixada graças ao que chamou de "operação impecável" - e que, segundo o governo, foi "negociada". Ele acrescentou que Maduro "não está enfrentando apenas uma crise econômica", mas um "processo de pressão cidadã que mostra que as pessoas estão determinadas a fazer o que tiver que ser feito".

Durante sua intervenção por meios telemáticos no âmbito de um evento organizado pela Fundação Internacional da Liberdade no Ateneu de Madri, Machado defendeu a figura do líder da oposição Edmundo González como "presidente" da Venezuela e enfatizou a existência dessa "profunda divisão" dentro do "regime" venezuelano.

"O terror que eles querem é considerado terrorismo de Estado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos", continuou, ao mesmo tempo em que lamentou que o país, "apesar de ter grandes recursos", tenha a "população mais pobre do continente".

Nesse sentido, assegurou que Maduro "perdeu tudo com sua atitude brutal e criminosa", e acrescentou que a Venezuela "não é uma ditadura convencional, mas uma estrutura criminosa". "Ele é o chefe dessa estrutura", disse Machado, apontando para a perda de apoio de países como China e Rússia, que "podem fazer declarações, mas já não podem lhe dar um centavo".

Com relação à perda da democracia na América Latina, ele alertou sobre a presença de "chefes". "Vemos como aqueles que são inimigos da liberdade se entendem e se apoiam em diferentes níveis. Os recursos do povo venezuelano têm sido usados para enfraquecer e desestabilizar", acrescentou.

É por isso que ele pediu a criação de uma "sociedade formada com valores democráticos, consciente do que significa exercer esses valores" e que seja "organizada, com liderança, pronta para servir ao público". "Precisamos de sociedades estáveis que estejam comprometidas com o crescimento e a prosperidade, e então poderemos defender a democracia", disse ele, antes de esperar que a Venezuela "sirva de exemplo para outros países do mundo".

Da parte da oposição, disse ele, o objetivo é "reconstruir a confiança em nosso poder como cidadãos e em nossas habilidades". "A Venezuela parecia um país sem futuro, ninguém dava nada por nós de fora. Era impossível pensar que o país se levantaria e construiria uma força contra um regime apoiado pela Rússia, China, Irã, Cuba.... Tínhamos a tarefa de buscar a alma dos venezuelanos, o que nos unia e nos fazia sentir orgulhosos (...) e nos encontramos nesses valores", concluiu.

EDMUNDO GONZÁLEZ

Por sua vez, o líder da oposição e ex-candidato à Presidência da Venezuela, Edmundo González, advertiu que são as "redes criminosas" que "detêm o poder" na Venezuela e não as "estruturas governamentais legítimas". Por isso, ele disse que o mundo latino-americano "está enfrentando novas ameaças, mais sutis, mas igualmente corrosivas".

"Pensávamos ter superado as velhas formas de autoritarismo, mas surgiram outras mais complexas que minam o princípio do Estado de Direito e da soberania popular. Também estamos vivendo em tempos de profundas transformações globais. A ordem internacional que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, baseada em regras e instituições, está mostrando sinais de enfraquecimento", disse ele durante seu discurso no evento.

Nesse sentido, ele denunciou o surgimento de "formas de poder que priorizam interesses imediatos em detrimento de princípios universais" e lembrou que "os venezuelanos tiveram que experimentar essa realidade em primeira mão".

"Por mais de duas décadas, enfrentamos o desmantelamento das instituições, a cooptação da economia e a perseguição da dissidência (...) Também aprendemos que a sociedade venezuelana demonstrou uma capacidade de resistência que merece reconhecimento", declarou.

González enfatizou que a população buscou "caminhos pacíficos e constitucionais, e entendeu que a defesa da democracia exige perseverança e unidade". "Os desafios são enormes, o espaço de manobra está diminuindo, mas não devemos nos render. Pelo contrário, devemos agir com mais clareza e responsabilidade", disse ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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