Publicado 27/10/2025 08:59

Lidando com o aniversário do dana: autorreflexão e foco no progresso e nas lições aprendidas

A psicóloga da Cruz Vermelha na filial de Chiva, Susana Silva, durante uma de suas visitas.
CRUZ ROJA

"É algo que não será apagado, nem se deve dizer que deve ser esquecido, mas integrado à vida porque foi real", aconselha um especialista.

VALÈNCIA, 27 out. (EUROPA PRESS) -

A chegada do aniversário da trágica enchente de 29 de outubro pode provocar a reativação de sintomas nas vítimas, desde a nostalgia até a raiva, sentimentos normais após um trauma, mas é "muito importante não se deixar levar" por eles, e sim aproveitar a oportunidade para iniciar um processo de autorreflexão e se concentrar no progresso e no aprendizado obtidos.

Esse é o conselho da psicóloga da Cruz Vermelha da filial de Chiva, Susana Silva, em uma conversa com a Europa Press, na qual ela explica que, dada a presença contínua de informações na mídia devido à comemoração do primeiro aniversário da dana e os comentários entre os afetados, é necessário enfrentar o momento de uma perspectiva "positiva" para que "esses sentimentos que são despertados não causem danos profundos".

O técnico diz aos afetados que essa tragédia é "algo que não será apagado, nem deve ser dito a eles que devem esquecer, mas é algo que deve ser integrado à vida porque foi real, é um evento, mas devemos mudá-lo, passar por ele com uma visão diferente".

Naqueles dias, deve-se iniciar um processo de reavaliação que "não se concentre apenas no que foi perdido, no que não está mais lá, no que faz falta", mas deve-se perguntar a si mesmo: "Bem, pelo que tive de viver, porque foi uma situação descontrolada, que progresso fiz como pessoa, o que ganhei, ver se ganhei resistência, resiliência, talvez até mesmo novos amigos ou novas pessoas que possam me acompanhar em situações de crise, e que lições aprendi, como enfrentar uma catástrofe".

"Quando esses pensamentos perturbadores vierem, não fique remoendo-os, mas reflita sobre o outro lado da moeda, sobre o bem que isso trouxe para mim e para nossa família, a fim de melhorar", recomenda. Assim, quando se consegue "mutar" os pensamentos negativos e "passar por eles com uma visão diferente, no que se tem ou no que é possível, é quando já se está curando".

De qualquer forma, ele ressalva que essa é uma recomendação geral, pois depende muito da situação específica de cada pessoa, das perdas que ela teve, físicas, emocionais ou de um ente querido, que se somam a fardos mais difíceis de administrar. Depende também da experiência anterior em lidar com situações difíceis ou de sua situação de vida, se está sozinho, se vive com a família ou se tem uma rede de apoio externa.

"RESPEITANDO CADA PROCESSO".

Assim, o especialista, que desde dezembro vem prestando acompanhamento na área de Buñol e Xirivella, observa que "cada pessoa é um universo nesse sentido e tem seu próprio processo, e temos que respeitá-lo". Algumas já estão conseguindo avançar funcionalmente, diz ela, embora "ainda não se possa dizer que tenham completado o círculo", enquanto outras, que nem sequer puderam entrar em suas casas, ainda sofrem de desconforto, ansiedade e estresse pós-traumático, que se acentua quando chove, ou mesmo apenas quando veem nuvens.

Daí a importância do apoio psicossocial institucional e das ONGs que acompanham as pessoas afetadas, porque é "muito útil não se sentir sozinho nesse processo, andar de mãos dadas para seguir em frente". Há até casos, diz ela, que os deixam ansiosos para pedir ajuda. "Nunca pedi dinheiro antes, prefiro dormir no chão", dizem.

Por esse motivo, é essencial que, em casos de isolamento por vergonha ou desconhecimento, a rede externa - vizinhos, amigos, familiares - os encaminhe a associações ou instituições para que possam agir e para que ninguém fique sozinho.

"TRISTEZA, IMPOTÊNCIA, DESCONFORTO".

Da região de Chiva, Juan Morea, que está prestes a completar 75 anos, é um dos milhares de valencianos que precisam superar as feridas da dana, materiais e emocionais. E ele tem que enfrentar o processo sozinho, embora sua irmã e sua família vivam perto de sua casa destruída e o apoiem, assim como associações como a Cruz Vermelha.

No barranco, ele perdeu todos os seus pertences pessoais e a maioria de seus animais de estimação, dois cachorros, seu gato domesticado, cinco galinhas e um frango. "Eles não nos avisaram", disse ela à Europa Press. Três gatos, que ela achava que também haviam morrido, apareceram um mês depois, "muito assustados, horrorizados". A água também deixou seu trator inutilizável; sua família cultiva há gerações.

Mas nada aconteceu com ele. A água, que chegou a 2,10 metros, pegou-o de surpresa, atravessou o portão e começou a inundar o andar térreo. As cadeiras bateram em sua cabeça e, com as roupas e botas que usava, ele não conseguia nadar. "Fiquei muito assustado, vi a morte", lembra ele. Eram 6 da tarde.

Ele parou de nadar e conseguiu localizar a escada e subir degrau por degrau. Até o 12º degrau, onde parou de sentir a água. Já estava escuro. E lá ele esperou até que uma patrulha de resgate chegasse por volta das 22 horas.

Um ano depois, ele ainda sente "tristeza, impotência, desconforto" e dorme pior. "Ela critica a burocracia envolvida no recebimento de ajuda para reabilitar sua casa e expressa medo das muitas despesas que ainda tem de enfrentar: ela nem sequer tem uma porta para seu quarto e tem de dormir em uma cama que pegou emprestada da sala de estar. "É uma luta muito feia e vou ter que lutar muito", diz ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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