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MADRID 14 abr. (EUROPA PRESS) -
Os governos do Líbano e de Israel concordaram nesta terça-feira em dar continuidade às conversações para pôr fim aos confrontos entre o Exército israelense e o partido-milícia xiita Hezbollah, que se reacenderam desde o último dia 2 de março, em uma reunião que ambas as delegações mantiveram sob os auspícios dos Estados Unidos.
É o que consta de um comunicado conjunto divulgado pelo Departamento de Estado, que destacou que foram realizadas conversas “produtivas sobre os passos a serem seguidos para iniciar negociações diretas” entre os dois países.
“Esta reunião representou o primeiro encontro importante de alto nível entre os governos de Israel e do Líbano desde 1993”, afirma o comunicado sobre o encontro, do qual participaram, além do secretário de Estado, Marco Rubio, os embaixadores de Israel e do Líbano em Washington, Yechiel Leiter e Nada Hamadeh Moawad, respectivamente.
Os Estados Unidos parabenizaram ambas as partes por um dia que qualificaram de “marco histórico” e manifestaram sua “esperança” de que as próximas conversas “possam ir além do alcance do acordo de 2024”, em alusão ao cessar-fogo acordado em novembro daquele ano, e dar origem a um “acordo de paz integral”.
Da mesma forma, o governo de Donald Trump manifestou seu apoio à continuidade desses contatos, bem como aos planos anunciados por Beirute para “restabelecer o monopólio da força”, em referência ao desarmamento do Hezbollah, e, conforme indicado pelo departamento, para “pôr fim à influência dominante do Irã” no Líbano.
Nessa linha, reiterou "o direito de Israel de se defender dos contínuos ataques" do grupo xiita. “Qualquer acordo para cessar as hostilidades deve ser alcançado entre os dois governos, com a mediação dos Estados Unidos, e não por meio de qualquer via paralela”, afirmou, antes de salientar que “estas negociações têm o potencial de desbloquear uma importante ajuda à reconstrução e à recuperação econômica do Líbano, bem como de ampliar as oportunidades de investimento para ambos os países”.
Por sua vez, a delegação israelense reiterou “seu apoio ao desarmamento de todos os grupos terroristas não estatais e ao desmantelamento de toda a infraestrutura terrorista” no país vizinho e manifestou sua disposição de “colaborar” com o Executivo libanês para tal. “Israel expressou seu compromisso de iniciar negociações diretas para resolver todas as questões pendentes e alcançar uma paz duradoura que reforce a segurança, a estabilidade e a prosperidade na região”, acrescenta o comunicado conjunto.
Enquanto isso, a equipe de negociação libanesa reafirmou a “necessidade urgente” de que Israel respeite “plenamente” o cessar-fogo alcançado em novembro de 2024 e cesse seus ataques contra o Líbano, invocando os “princípios de integridade territorial e plena soberania estatal”.
Beirute solicitou ainda uma trégua e “medidas concretas para abordar e aliviar a grave crise humanitária” que o país enfrenta como consequência do conflito em curso, desencadeado na sequência da ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
O Líbano havia solicitado em várias ocasiões a Israel a abertura de negociações bilaterais, algo aceito apenas na última quinta-feira pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que ordenou manter negociações diretas com o Líbano para estabelecer “relações pacíficas” e trabalhar em conjunto para “desmantelar” o Hezbollah.
O desarmamento do grupo miliciano também foi exigido pelas autoridades libanesas, diante da recusa do grupo xiita em dar esse passo se Israel não puser fim previamente à sua invasão do país. O conflito no Irã se estendeu ao Líbano depois que o Hezbollah lançou foguetes contra o Exército israelense, que respondeu intensificando os ataques e com um avanço terrestre em território libanês, justificando-o como uma operação para estabelecer uma zona desmilitarizada que melhore sua segurança.
As autoridades libanesas elevaram para quase 2.090 o número de mortos e para mais de 6.700 o de feridos em decorrência dos ataques realizados por Israel desde o último dia 2 de março, incluindo mais de 300 mortos e 1.100 feridos na última quarta-feira, na maior onda de ataques israelenses contra o país vizinho em um único dia.
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