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MADRID, 10 jul. (EUROPA PRESS) -
As autoridades do Líbano afirmaram que a reunião que os presidentes dos Estados Unidos e do Líbano, Donald Trump e Joseph Aoun, respectivamente, manterão no dia 21 de julho em Washington permitirá abordar as relações bilaterais e a “segurança regional”, em meio às negociações entre o Líbano e Israel para tentar chegar a um acordo de paz.
A embaixadora libanesa em Washington, Nada Hamadeh, afirmou em declarações à Europa Press que a viagem de Aoun ocorrerá após “um convite oficial da Casa Branca”, depois que a Presidência dos Estados Unidos confirmou a esta agência que a reunião ocorreria no dia 21 de julho, fato confirmado por Beirute.
“O convite reflete a sólida aliança entre o Líbano e os Estados Unidos e oferece uma oportunidade para que ambos os líderes discutam temas de interesse mútuo, incluindo as relações bilaterais, a segurança regional e o apoio contínuo dos Estados Unidos à soberania, à estabilidade, à integridade territorial e às instituições estatais do Líbano”, afirmou.
Assim, ele detalhou que a viagem de Aoun — que terá, portanto, seu primeiro encontro com Trump desde que ambos assumiram seus respectivos cargos em janeiro de 2025 — ocorrerá “após um intenso período de interações diplomáticas” lideradas pela delegação libanesa, “em estreita coordenação com a Presidência do Líbano e altos funcionários do governo dos Estados Unidos”.
“Ao longo desse processo, a Embaixada trabalhou para fortalecer o diálogo bilateral de alto nível e facilitar os preparativos que culminaram nessa visita oficial”, destacou Hamadeh, que ressaltou que a delegação “está coordenando todos os aspectos da visita” com a Presidência, a Casa Branca e o Departamento de Estado dos Estados Unidos para “garantir um encontro bilateral bem-sucedido”.
O próprio Aoun afirmou na quarta-feira que viajaria para os Estados Unidos e expressou seu desejo de que o encontro com Trump “traga benefícios para o Líbano”, ao mesmo tempo em que destacou que o convite feito pela Casa Branca reflete o “interesse sem precedentes” manifestado por Washington em relação à situação no Líbano.
Nessa linha, ele sustentou que isso também era uma demonstração do “apoio” dos Estados Unidos aos esforços para “encontrar uma solução permanente para a cadeia de guerras e agressões israelenses” contra o país, com o objetivo de alcançar “estabilidade” no Oriente Médio, após a assinatura, no final de junho, de um acordo-quadro entre as autoridades libanesas e israelenses.
REUNIÃO COM O CHEFE DO EXÉRCITO
Nesta sexta-feira, Aoun se reuniu com o chefe do Exército do Líbano, Rudolph Haykal, para “discutir a situação de segurança”, especialmente “no sul do país”, diante dos “ataques israelenses contínuos”, apesar do acordo de cessar-fogo.
“A reunião também abordou os preparativos em andamento para a aplicação do acordo-quadro (com Israel) nas zonas-piloto designadas, a partir das quais o Exército libanês se posicionará simultaneamente à retirada israelense”, especificou a Presidência libanesa em um comunicado publicado nas redes sociais.
Nesse sentido, detalhou que Aoun e Haykal “também discutiram as missões realizadas pelo Exército em todo o Líbano, bem como a situação da instituição militar e as necessidades de seu pessoal”, a poucos dias do encontro previsto entre Israel e o Líbano na capital da Itália, Roma, para dar continuidade às negociações.
Com vistas a esse encontro, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou na terça-feira que o país “busca a paz” com seus vizinhos. “Buscamos a paz com o Líbano. A paz deve se basear na segurança”, disse ele, antes de ressaltar que Israel “não tem ambições territoriais no Líbano” e insistir que “a única forma de alcançar a paz e a estabilidade” é “desmantelar” o partido-milícia xiita Hezbollah.
O acordo alcançado pelo Líbano e por Israel no final de junho foi rejeitado de imediato pelo Hezbollah, que se opõe a qualquer processo de desarmamento enquanto Israel mantiver territórios libaneses ocupados e lembra que o grupo não participou das negociações, mediadas pelas autoridades americanas.
As tensões em torno das ações de Israel no Líbano, acompanhadas de advertências de Teerã de que esses fatos constituem violações do pré-acordo assinado com Washington, têm sido um dos pontos de atrito nos recentes contatos e levaram até mesmo a diversos desentendimentos públicos entre Israel e os Estados Unidos, em meio aos esforços para um acordo de paz no Oriente Médio.
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