Publicado 22/04/2026 09:52

O Líbano antecipa que proporá a Israel a prorrogação da trégua e exigirá a suspensão das demolições no sul

Israel afirma que não há "desentendimentos graves" com o Líbano, mas insiste em trabalhar em conjunto para desmantelar o Hezbollah

Archivo - Arquivo - 2 de dezembro de 2025, Beirute, Voivodia da Pomerânia, Líbano: O presidente libanês Joseph Khalil Aoun participou da missa solene em Beirute, concelebrada pelo Papa Leão XIV, juntando-se às orações e à atmosfera solene da liturgia.
Europa Press/Contacto/Marek Ladzinski - Arquivo

MADRID, 22 abr. (EUROPA PRESS) -

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, informou nesta quarta-feira que a delegação diplomática que se reunirá com Israel nesta quinta-feira em Washington exigirá a prorrogação do acordo de cessar-fogo firmado na semana passada e que cessem as demolições do Exército israelense no sul do país.

A delegação “levantará a questão da prorrogação do prazo do acordo de cessar-fogo” e colocará sobre a mesa a exigência de que Israel “suspenda as operações de demolição em vilas e localidades do sul”, indicou o presidente libanês em uma mensagem nas redes sociais na véspera do encontro promovido pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que facilita as primeiras negociações diretas entre Israel e o Líbano em mais de 30 anos.

“A orientação do Líbano nas negociações previstas é clara: não haverá concessões, nem compromissos, nem cedências, salvo aquilo que garanta a soberania libanesa e o interesse de todos os libaneses”, advertiu Aoun, que indicou que a delegação mantém contatos preparatórios liderados pela embaixadora do Líbano em Washington, Nada Hamadé Maouad.

Em sua mensagem, o presidente libanês reiterou sua aposta na negociação direta, referindo-se a que as experiências passadas “ensinaram que as guerras só levam à morte, à destruição e ao deslocamento”. “Eu sabia que haveria quem se opusesse, duvidasse e lançasse acusações, mas estou convencido de que esta opção é a mais segura para o Líbano e para os libaneses, independentemente de sua filiação”, enfatizou, em um apelo à unidade nacional diante da situação que o país atravessa e da necessidade de enfrentar negociações com Tel Aviv para restabelecer a estabilidade.

Dessa forma, ele defendeu que somente a “racionalidade nacional” pode “garantir o acompanhamento necessário ao processo de negociações que terá início após a consolidação do cessar-fogo”.

“É importante que os libaneses atuem com uma postura nacional unida para fortalecer a equipe de negociação libanesa diante da delegação israelense, de modo que nenhuma divisão interna seja aproveitada para alcançar seus objetivos”, sublinhou.

ISRAEL AFIRMA QUE NÃO HÁ “DESACORDOS GRAVES”

Antes da nova rodada de contatos, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, também se pronunciou, garantindo que não há “desacordos sérios” com o Líbano em relação às negociações em Washington, após defender a “decisão histórica” de manter uma “negociação direta” com Beirute.

“Infelizmente, o Líbano é um Estado falido. Um Estado que está, de fato, sob ocupação iraniana por meio do Hezbollah. Mas isso também leva a uma conclusão: o Hezbollah é um inimigo comum de Israel e do Líbano”, afirmou Saar, insistindo em sua campanha no país vizinho alegando a presença da milícia xiita, em declarações publicadas pelo jornal “The Times of Israel”.

Dessa forma, o ministro das Relações Exteriores de Israel insistiu que o Hezbollah “ameaça a segurança de Israel, prejudica a soberania do Líbano e coloca em risco seu futuro”, pelo que instou Beirute a “trabalhar em conjunto” contra o “Estado terrorista que o Hezbollah construiu em seu território”. “Essa cooperação é necessária para vocês ainda mais do que para nós. Ela exige clareza moral e a coragem de assumir riscos”, indicou ele, referindo-se às autoridades libanesas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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