PRESIDENCIA LIBANESA EN X
MADRID, 17 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou nesta quarta-feira que as negociações em andamento com Israel fazem parte de um processo “independente”, em alusão às negociações entre o Irã e os Estados Unidos, insistindo que qualquer acordo com as autoridades israelenses será realizado com o Estado libanês e “não às suas custas”.
“As garantias que recebemos, e nas quais insistimos, são de que o caminho do Líbano nas negociações é independente, embora certamente sejamos a favor de um cessar-fogo e de qualquer país que nos ajude, incluindo o Irã”, declarou durante um encontro realizado com bispos maronitas da diáspora, noticiado pela agência de notícias estatal NNA.
O chefe de Estado garantiu que “o Estado libanês conduz as negociações” e defendeu que é “soberano em suas decisões”. “Ninguém pode substituí-lo (...) nada nos vincula a nenhum outro país e qualquer acordo será alcançado por nosso intermédio, não às nossas custas”, insistiu.
Aoun voltou a defender as negociações com Israel, descritas como uma “oportunidade”, afirmando que “o povo libanês está cansado da sucessão de guerras, e seu sofrimento tornou-se imenso”. “É verdade que o caminho para a paz (...) pode parecer longo, mas não será melhor que seja longo e sem perdas para o Líbano e seu povo, em vez de curto e oneroso como a guerra?”, questionou.
O líder se referiu a 1969, ano do chamado Acordo do Cairo, que concedeu à Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de Yasser Arafat, o controle de amplas zonas do sul do Líbano, ao considerar que, desde então, o país “tem continuado a pagar o preço das guerras alheias em seu território”.
Assim, ele pediu que não se “esqueça o passado para não repeti-lo no futuro” e apelou à unidade de todos os libaneses, independentemente da comunidade religiosa à qual pertençam: “É uma responsabilidade compartilhada entre todos nós permanecer unidos para construir nosso Estado de uma vez por todas”.
O presidente libanês, em uma mensagem velada ao partido-milícia xiita Hezbollah, advertiu que “aqueles que ameaçam (a paz) se enfraqueceram e buscam aterrorizar quem é diferente para se manter no poder”, embora tenha ressaltado que “ninguém quer voltar às calamidades do passado”.
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