Carlos Luján - Europa Press
López denuncia que "centenas de milhares" tiveram seus passaportes retirados pela Venezuela
MADRID, 27 out. (EUROPA PRESS) -
O líder opositor Leopoldo López reiterou nesta segunda-feira sua aprovação a "qualquer intervenção", incluindo a intervenção militar dos Estados Unidos, para tirar do poder o presidente venezuelano Nicolás Maduro, a quem se referiu como "chefe do narcotráfico", em resposta à exigência do presidente de retirar sua nacionalidade, justamente por apoiar uma invasão ao país.
López negou que a operação militar dos EUA no Caribe tenha como alvo a Venezuela, mas sim as estruturas do narcotráfico lideradas pelo presidente Maduro e pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello.
"Não é uma operação contra os venezuelanos, mas contra o Trem de Aragua e o Cartel dos Sóis", insistiu López em uma coletiva de imprensa em Madri, na qual definiu as ações dos EUA como uma forma de "reivindicar" a "soberania" que emergiu das eleições de julho.
"Onde está a soberania da Venezuela? Em Nicolás Maduro? Ou nos milhões de venezuelanos que votaram em Edmundo González?", disse o líder oposicionista, para quem os Estados Unidos souberam "enquadrar o problema da Venezuela da maneira correta" e confia que a "solução" permitirá que a "democracia" seja alcançada.
Nesse sentido, ele enfatizou que a administração Trump foi capaz de analisar o que está acontecendo na Venezuela, que vai além da democracia ou de uma crise humanitária e "localiza corretamente" o problema em Nicolás Maduro "como o chefe de uma organização criminosa".
López reiterou que concorda com "qualquer medida de pressão" e expressou sua convicção de que os venezuelanos também concordam. "Não tenho dúvidas", disse ele, insistindo durante toda a coletiva de imprensa sobre a suposta relação entre o governo de Maduro e o Cartel dos Sóis, ou o Trem de Aragua.
"Isso não é um ataque à Venezuela, isso não é uma acusação contra a Venezuela, não é uma acusação contra os venezuelanos, é uma acusação direta contra a estrutura criminosa liderada por Nicolás Maduro", justificou López.
Da mesma forma, ele descartou que Maduro possa ser "canalizado" e censurou aqueles que cometeram o "erro" de acreditar que a situação na Venezuela pode ser mudada por meio de "negociações".
"Nicolás Maduro é um narcotraficante, um criminoso, um repressor que sequestrou o Estado venezuelano e somente com sua saída é possível fazer mudanças na Venezuela. Não há negociação, não há gestão, não há mensagem que possa ser enviada a Maduro para que ele mude seu comportamento", enfatizou.
LÓPEZ ADVERTE QUE ELE É "ALVO" POR "LEVANTAR A VOZ".
López destacou que, embora a ideia de Maduro de retirar sua cidadania não tenha precedentes na história do país, nem seja permitida pela Constituição, há "centenas de milhares" de venezuelanos que tiveram seus passaportes retirados ilegalmente porque tiveram de deixar a Venezuela.
"Isso é feito com a clara intenção de intimidar os venezuelanos", disse ele, afirmando que sua situação legal permanecerá "como a de milhões" de seus compatriotas. O líder da oposição disse que eles buscarão "alternativas" assim que a medida se concretizar, contra a qual ele não planeja recorrer.
"Não faz sentido", disse ele, já que "na Venezuela não há tribunal de justiça, há uma ficção, um prédio, alguns senhores de toga, que emitem sentenças, mas não é um tribunal nem uma corte de justiça. É claro que não esperamos absolutamente nada de nenhuma instituição na Venezuela", concluiu.
"Na Venezuela não há um único juiz, não há um único que seja autônomo. Na Venezuela, não há um único promotor que seja autônomo. Todos eles são uma porca ou um parafuso da máquina da ditadura de Nicolás Maduro", disse ele.
Por outro lado, López também advertiu que, como figura da oposição que "levanta a voz", ele pode ser "alvo" das autoridades venezuelanas e citou o exemplo do tenente venezuelano Ronald Ojeda, "sequestrado, assassinado e desmembrado" em seu exílio no Chile "por ordem de Diosdado Cabello".
Ele também mencionou o caso de dois colegas de seu partido, o Voluntad Popular, que foram baleados recentemente em Bogotá. "Eles foram salvos por um milagre, mas trata-se claramente de uma tentativa de assassinato com motivação política", denunciou.
CRÍTICAS AO PRESIDENTE COLOMBIANO
López, que se exilou na Espanha em 2020, se esquivou de perguntas sobre o tipo de apoio que espera do governo espanhol, embora confie que, como outros Estados do "mundo democrático e livre", o governo apoiará as iniciativas da oposição e de seus aliados em fóruns internacionais.
Ele criticou o presidente colombiano Gustavo Petro, que ele suspeitava estar se beneficiando das "estruturas criminosas" de Maduro, em vista de sua suposta defesa do governo venezuelano.
"Petro se tornou o principal porta-voz internacional em apoio à ditadura de Nicolás Maduro e isso deve ter uma motivação por trás. Ou Petro faz parte da mesma estrutura criminosa, ou se beneficia dessa estrutura, ou tem algum interesse", acusou.
Com relação a María Corina Machado, ele saudou o Prêmio Nobel da Paz que a líder da oposição recebeu há alguns dias como um "reconhecimento extraordinário (...) dessa luta em paz, mas com firmeza" pela democracia.
"É um prêmio que deve ser reconhecido e que nos motiva, a nós venezuelanos, nos aproxima emocionalmente, nos enche de esperança, porque sabemos que a saída de Nicolás Maduro deve ocorrer em breve e esperamos que esse seja o início da melhor etapa da Venezuela", disse ela.
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