CARLOS LUJAN/EUROPA PRESS
Ele afirma que o Cartel of the Suns não é uma estrutura criminosa paralela na Venezuela, mas "o próprio Estado".
MADRID, 20 set. (EUROPA PRESS) -
O líder da oposição venezuelana, Leopoldo López, pediu abertamente uma intervenção militar dos EUA na Venezuela, um cenário que ele considera "absolutamente legítimo", dado o "golpe de Estado" que, em sua opinião, foi perpetrado pelo presidente Nicolás Maduro nas eleições de julho de 2024.
"Apoiamos qualquer cenário que nos ajude a avançar em direção à democracia", disse López em uma entrevista à Europa Press, na qual enfatizou que, a partir de hoje, a "saída" de Maduro do poder "representa o maior ponto de encontro entre os venezuelanos".
O retorno de Donald Trump à Casa Branca levou a um endurecimento da pressão política e econômica dos Estados Unidos sobre a Venezuela, a ponto de Maduro e outros líderes chavistas de alto escalão terem convocado a mobilização dos cidadãos em antecipação a uma possível "invasão".
O líder do Voluntad Popular, uma figura-chave nos protestos anti-Chávez de 2014 - ele foi condenado a quase 14 anos de prisão - argumentou que Maduro, como presidente, é "ilegítimo", portanto, qualquer cenário agora seria válido.
Ele apoiou abertamente o atual destacamento militar dos EUA na região e, quando perguntado se também apoiaria uma intervenção direta, respondeu com um categórico "sim", prevendo que qualquer iniciativa desse calibre teria "uma resposta maciça" da sociedade venezuelana.
"Foi assim que a independência da Venezuela foi conquistada na América Latina. É a história do povo que, quando todas as portas estão fechadas, os caminhos para a liberdade estão abertos", disse López, que chegou à Espanha em outubro de 2020 depois de passar quase sete anos na prisão.
Ele até isenta as autoridades dos EUA de responsabilidade em relação à morte de cidadãos venezuelanos devido ao bombardeio de vários barcos com supostos traficantes de drogas. Ele considera "lamentável" que pessoas tenham sido capturadas por esses grupos, mas acredita que a "principal responsabilidade" por suas mortes é do "regime".
"Como eles foram interceptados pelo destacamento dos EUA, poderiam perfeitamente ter sido interceptados há muito tempo pelo Estado venezuelano", que, em vez disso, optaria pela "cumplicidade", funcionando, para todos os efeitos, como uma "estrutura criminosa".
O governo de Maduro respondeu às últimas ações dos EUA com o envio de tropas para a fronteira com a Colômbia e o recrutamento maciço de milicianos em nome da segurança nacional, mas, de acordo com López, esse apelo à mobilização foi um "fracasso". Ele não vê risco de conflito armado, apesar da "ameaça" recorrente das autoridades.
O CARTEL DOS SÓIS
Na Venezuela, "não se pode separar a estrutura política, humanitária, da estrutura criminosa", uma visão que López vincula ao Cartel dos Sóis, uma suposta conspiração no topo da qual Washington coloca o próprio Maduro. Diferentemente de outros grupos criminosos, ele destacou que o Cartel dos Sóis "não é uma estrutura paralela", é "o próprio Estado".
Por esse motivo, ele aplaudiu a resolução aprovada na semana passada no Parlamento Europeu que pede aos Estados membros da UE que classifiquem essa organização como terrorista, como a administração Trump já fez, e espera que o debate seja agora transferido para as câmaras legislativas nacionais, incluindo as da Espanha.
López afirmou que a Espanha sabe, por sua própria história, que "os ditadores se agarram ao poder" e que a Venezuela é atualmente um ponto de saída para as drogas, já que parte delas acaba em território espanhol. Para o líder da oposição, não há espaço para qualquer posição que possa "legitimar a ditadura" e é hora de romper relações políticas e econômicas.
O apelo se estende ao governo, mas também às empresas, incluindo as principais companhias de petróleo, com base na premissa de que uma Venezuela "livre e democrática" teria "muito mais estabilidade" e implicaria "mais crescimento e oportunidades". "Ninguém vai investir em um país onde não existe um estado de direito", acrescentou.
CONTRA OPOSITORES QUE SE CONTENTAM COM "MIGALHAS".
A oposição estima que haja mais de 900 presos políticos nas cadeias do país sul-americano, aos quais devem ser acrescentadas as figuras públicas que, como López, vivem no exílio sob ameaça de serem presas se retornarem. Na mesma situação está o ex-candidato à presidência, Edmundo González, que também está asilado na Espanha.
López considera González "o presidente constitucional da Venezuela", já que os registros da oposição mostram que ele obteve mais de 70% dos votos nas eleições de 2024. "Ele representa a legalidade, a legitimidade e a esperança de uma transição democrática estável", enfatizou.
Com relação a María Corina Machado, a candidata inicial da oposição para as últimas eleições, López continua a vê-la "sem dúvida" como o principal ponto de referência para a dissidência. No caso de Machado, a líder da Vente Venezuela ainda está no país, embora seu paradeiro seja desconhecido porque ela também está enfrentando acusações que podem levá-la à prisão.
López elogiou o papel de González e Machado em contraste com outras figuras da oposição que, como Henrique Capriles, decidiram "dançar conforme a melodia cantada pela ditadura", uma oposição "feita sob medida" que acaba se contentando com as "migalhas" oferecidas pelo governo. Isso "não é muito digno", em sua opinião, e "não tem impacto sobre as aspirações coletivas da grande maioria dos venezuelanos".
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