Publicado 12/02/2026 09:40

Leopoldo López apoia conversas com Delcy Rodríguez na Venezuela, mas alerta para possíveis "enganos"

O líder opositor venezuelano Leopoldo López durante o debate “Venezuela: E agora?”, na Universidade Camilo José Cela, em 12 de fevereiro de 2026, em Madri (Espanha). O encontro foi organizado pelo Madrid Foro Empresarial.
Diego Radamés - Europa Press

Ele garante que o país caribenho está “muito melhor” agora do que antes do ataque dos EUA e defende que “há trabalho a ser feito”. MADRID 12 fev. (EUROPA PRESS) -

O líder opositor venezuelano Leopoldo López apoiou nesta quinta-feira a ideia de “conversar” com o governo agora liderado pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, mas alertou para possíveis “enganos”, tendo em conta o resultado dos processos de negociação mantidos no passado com Nicolás Maduro.

Em um debate sobre a situação na Venezuela organizado pelo Fórum Empresarial de Madri, López afirmou que “é claro que é preciso dialogar”, embora tenha lamentado que precisamente “a palavra diálogo esteja totalmente desvalorizada na Venezuela”. “Isso pode significar coisas diferentes. (...) Temos uma profunda dúvida quando se fala em processos de diálogo”, explicou.

Por isso, reivindicou a concepção de um “caminho concreto para a democratização”. “Isso vai exigir conversar e ter intercâmbios? Claro que sim, mas o que eu não vejo é um cenário de um processo de diálogo como vimos durante anos com os noruegueses, com os ex-presidentes, com a OEA (Organização dos Estados Americanos)... e não acho que seja necessário”, afirmou, ao mesmo tempo em que negou que a oposição esteja dividida.

“Eu me baseio nos fatos”, disse o opositor venezuelano, antes de enumerar as diferentes frentes comuns protagonizadas por partidos da oposição em diferentes processos eleitorais no passado. “Quando se fazem comentários sobre essas divisões, eles são feitos sem conhecer os detalhes, a dinâmica, os fatos. O setor democrático venezuelano tem estado unificado, há ruído, a ditadura procura dividir e compra vozes, mas isso não significa que haja uma fratura na unidade da oposição”, apontou.

O opositor mostrou-se crítico em relação às conversações internacionais realizadas no passado e afirmou que, embora esses processos internacionais “tenham sido usados para diminuir a tensão”, não serviram para “pressionar por uma solução para o conflito”. “Isso aconteceu, os países da região não acompanharam”, acrescentou.

Na semana passada, sete partidos da oposição, incluindo União e Mudança, do ex-candidato presidencial Henrique Capriles, anunciaram conversas com o governo de Rodríguez, um assunto sobre o qual outras formações, entre elas Vontade Popular, de López, não se pronunciaram oficialmente.

ATAQUE DOS EUA Sobre o ataque perpetrado em 3 de janeiro pelo Exército dos EUA contra o país caribenho, que resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, López disse que “não foi pouca coisa”, avaliando a presença americana. “Isso vai continuar. Estamos falando de uma realidade diferente. Os Estados Unidos têm e continuarão a ter um peso importante neste processo, e esperamos que a democratização do país esteja incluída na agenda dos Estados Unidos. É importante para seus próprios interesses de integração regional”, continuou. Assim, destacou as iniciativas americanas na Venezuela, a ponto de o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, ter se deslocado na quarta-feira. “Antes se falava de um desembarque militar, mas está havendo um desembarque de gravatas”, esclareceu. CAMINHO PARA CELEBRAR ELEIÇÕES

O líder do Voluntad Popular, figura-chave dos protestos antichavistas de 2014, afirmou que “é preciso pensar qual é o caminho para realizar eleições, nomear um conselho eleitoral, legalizar partidos políticos, permitir o retorno dos exilados, abrir o espaço cívico, cessar a censura e permitir o direito de se reunir e se manifestar”.

“Esperamos que todos esses temas sejam incluídos no destino democrático e que sejam parte interessada da agenda dos Estados Unidos”, enfatizou.

Além disso, voltou a sublinhar a importância de realizar um processo eleitoral democrático e garantiu que, nesse caso, a oposição “terá a maturidade de se unir, não só para as eleições presidenciais, mas também para as eleições para a Assembleia”. “Cabe-nos a todos avançar juntos”, acrescentou.

AMNISTIA “INCOMPLETA” Em relação à lei de amnistia, o líder da oposição afirmou que se trata de uma lei “incompleta”, que “deixa muitas lacunas” e que “propõe um procedimento em que é necessário recorrer a um tribunal e que dá discricionariedade ao tribunal”. “Não permitirá a anistia total que todos os venezuelanos esperamos”, argumentou, não sem antes lembrar que este tema é “prioritário para os Estados Unidos”. “Até que os presos sejam libertados, não vamos parar de pressionar”, acrescentou, antes de comentar que a libertação “acontecerá igualmente porque Delcy Rodríguez tem a necessidade política de libertar esses presos”. “Os militares e policiais são os que terão mais problemas para sair, que são mais de 500, mas também são presos políticos e não podemos descansar até que estejam livres”, esclareceu.

No entanto, ele enfatizou que “quem está discutindo essa lei é uma Assembleia ilegítima liderada por Jorge Rodríguez (irmão da própria Delcy)”, em um processo que ele qualificou de “confuso e opaco”. “Pelo que vi, a lei tem alguns processos que não deixam claro como ela é. As duas leis que estão sendo tramadas neste momento têm muitos elementos de opacidade. Uma lei é boa quando é clara nas regras, quando todos os que a buscam têm clareza sobre quais são os procedimentos: nem a lei de hidrocarbonetos nem a de anistia têm isso claro por enquanto”, detalhou. “Também precisamos entender uma coisa. A lei é importante, mas a vontade política é mais importante, e a vontade política hoje vem direcionada pelo governo dos Estados Unidos e não por Miraflores”, enfatizou. Além disso, ele demonstrou seu desejo de voltar “o mais rápido possível” à Venezuela, mas defendeu que “os primeiros que precisam voltar são Edmundo González e María Corina Machado”. “Ambos estão totalmente dispostos a voltar o mais rápido possível, e esperamos que isso faça parte do caminho para a democratização. Há 12 anos não posso andar pelas ruas da Venezuela, mas é cedo para pensar se vamos ou não ser candidatos a alguma coisa. As propostas variam dependendo das eleições”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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