MADRID, 7 jun. (EUROPA PRESS) -
Leão XIV se tornará nesta segunda-feira o primeiro Papa a proferir um discurso perante deputados e senadores no Palácio do Congresso, e o fará não como Sumo Pontífice, mas como chefe de Estado da Cidade do Vaticano, no âmbito de sua visita oficial à Espanha.
Após semanas de preparação, tudo já está pronto na Câmara dos Deputados para receber o Papa, que estará acompanhado pela delegação oficial do Vaticano. Sua permanência no Palácio do Congresso durará cerca de 50 minutos.
De acordo com a agenda oficial, está previsto que Leão XIV chegue no papamóvel à Carrera de San Jerónimo por volta das 10h30, após se reunir com o presidente do Governo, Pedro Sánchez, na Nunciatura Apostólica.
SAUDAÇÃO AOS TRÊS PODERES E HINOS
À sua chegada, será recebido pelos presidentes do Congresso, a socialista Francina Armengol, e do Senado, o “popular” Pedro Rollán. Após as saudações de praxe, os três se dirigirão ao Pátio de Floridablanca, onde estarão esperando os representantes dos outros dois poderes do Estado: o presidente do Executivo e os presidentes do Supremo Tribunal e do Conselho Geral do Poder Judiciário (CGPJ), Isabel Perelló, e do Tribunal Constitucional, Cándido Conde Pumpido.
Após a saudação de honras, as autoridades do Estado e o Santo Padre ouvirão os hinos da Cidade do Vaticano e da Espanha, que serão interpretados pela Banda Sinfônica da Polícia Nacional.
Precedida pelos cerimonialistas, a comitiva entrará no Palácio e se dirigirá ao Salão de Perdidos, onde o Papa cumprimentará os membros das Mesas do Congresso e do Senado, o líder do principal partido da oposição e presidente do PP, Alberto Núñez Feijóo, e aos porta-vozes dos grupos parlamentares de ambas as Câmaras.
Até o momento, e conforme informaram fontes parlamentares à Europa Press, todos os partidos com representação parlamentar enviarão representantes a esta cerimônia, exceto o Podemos e o BNG. Os “roxos” alegam que o Papa continua sendo “cúmplice” dos abusos na Igreja Católica.
LEVARÁ DOIS INCUNÁBEIS
Concluídas as saudações, Armengol convidará o Papa a assinar o Livro de Honra da Câmara Baixa para dar início à habitual troca de presentes. Especificamente, a presidente do Congresso entregará a Leão XIV uma fac-símile do manuscrito Liber Horarum ou Livro das Horas, um dos livros mais antigos (século XV) e valiosos de seu acervo bibliográfico, e o do Senado, um manuscrito do Beato de Liébana, códice de Fernando I e Doña Sancha.
Em seguida, todos se dirigirão ao Salão de Plenário, ao qual o Papa e os presidentes de ambas as câmaras legislativas entrarão pela escadaria de acesso a partir da Galeria da Ordem do Dia. Uma vez no Hemiciclo, Armengol declarará aberta a sessão e proferirá seu discurso.
Ao término, León XIV tomará a palavra para se dirigir, na qualidade de chefe do Estado do Vaticano, aos deputados, senadores e demais autoridades e convidados, entre os quais se encontram os membros do Governo, presidentes regionais, as presidentes do Conselho de Estado, Carmen Calvo, e do Tribunal de Contas, Enriqueta Chicano, e a procuradora-geral do Estado, Teresa Peramato, bem como ex-presidentes das Câmaras Baixa e Alta.
O Congresso também enviou convites aos ex-presidentes do Governo Felipe González, José María Aznar, José Luis Rodríguez Zapatero e Mariano Rajoy, mas, segundo informaram à Europa Press fontes da organização, apenas os “populares” (Rajoy e Aznar) comparecerão ao evento, pois os dois ex-líderes socialistas já comunicaram que não estarão presentes.
Zapatero justificou sua ausência alegando que deseja se concentrar na preparação de sua defesa após ter sido indiciado por tráfico de influências e falsificação de documentos no “caso Plus Ultra”, conforme informaram à Europa Press fontes próximas a ele.
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