Publicado 12/06/2026 07:59

Leão XIV pede um mundo “sem muros” e exorta as máfias a porem fim ao tráfico de migrantes: “Parem”

O Papa Leão XIV com um bebê durante um encontro sobre as questões relacionadas à integração dos migrantes, na Praça do Cristo de La Laguna, em 12 de junho de 2026, em San Cristóbal de La Laguna, Santa Cruz de Tenerife, Ilhas Canárias (Espanha). Durante o
Eloísa Pérez / ACFI / Europa Press / Pool - Europa

Robert Prevost alerta para o “naufrágio silencioso” daquele que fica “sozinho” numa cidade, sem laços, sem idioma, sem pão e sem teto

LA LAGUNA (TENERIFE), 12 (EUROPA PRESS)

O Papa Leão XIV defendeu nesta sexta-feira um mundo “sem muros” e instou as máfias a acabar com o tráfico de migrantes porque “o dinheiro arrancado da vulnerabilidade dos pobres não trará paz, nem honra, nem futuro”.

"Parem, convertam-se", comentou ele em um evento realizado na Praça do Cristo de La Laguna diante de mais de 2.000 pessoas, no qual ouviu depoimentos de migrantes e de organizações que atuam nas redes de acolhimento e, até mesmo, a dançar o “six-seven” por iniciativa de um jovem senegalês.

Nessa linha, ele insistiu que “por cada vida perdida e cada família enganada” os organizadores do tráfico terão que comparecer perante a “justiça divina”, pelo que os exortou a romper essas “correntes” e “reparar o quanto puderem”, porque “ainda há tempo”.

Para o Papa, “a última palavra não pode ser do medo, da indiferença nem da violência daqueles que negociam com a vida humana”.

Leão XIV comentou que, às vezes, “as barreiras mais difíceis de derrubar nem sempre são de pedra; às vezes estão no olhar, no medo ou na indiferença" e, numa "cidade sem muralhas", como La Laguna, "também o coração é chamado a se abrir para acolhê-las".

Além disso, ele fez uma reflexão sobre a integração, pois “integrar não significa apagar a história de quem chega”, mas é um “caminho recíproco”, , pois quem chega “aprende a habitar uma terra nova” e quem recebe “aprende a ampliar sua própria casa sem diluir sua identidade nem fechar o coração ao encontro”.

Por isso, pediu aos católicos que a integração não se reduza apenas a um trabalho social “por mais necessário que seja”, pois, embora quem chega precise de “pão, teto, língua, trabalho e proteção”, também deve encontrar uma comunidade capaz de “oferecer caminhos para conhecer Jesus Cristo”.

Ele apelou para que se insista que a vida dos migrantes não é um “descarte”, seu sofrimento “não é invisível” e sua dignidade “não se dissolveu” nas águas que atravessaram. “Eles também buscam algo mais, uma possibilidade concreta de recomeçar, de aprender, de trabalhar, de servir, de não ficarem presos para sempre na condição de vítimas”, explicou.

UMA CONSCIÊNCIA CRISTÃ NÃO PODE “PERMANECER INDIFERENTE”

O Papa insistiu que uma “consciência cristã não pode permanecer indiferente” diante das vítimas dos naufrágios e da falta de ajuda diante dos “cemitérios do mar” e alertou para o “naufrágio silencioso” que significa “ficar sozinho” em uma cidade sem conhecer o idioma, sem vínculos e sem trabalho, e exposto à “vulnerabilidade”.

Nessa linha, ele afirmou que “quem chegou como estrangeiro pode reencontrar laços, reconstruir a confiança e sentir-se parte viva de uma comunidade; esta é uma forma preciosa de misericórdia”.

“Integrar é impedir esse segundo naufrágio, é ajudar quem chegou ferido a não ficar preso para sempre à sua dor, mas a poder se reerguer, reconhecer seus dons e oferecê-los à comunidade”, destacou.

Leão XIV lembrou também aos migrantes provenientes da América Latina, das Filipinas e de outras regiões que “fazem parte da comunidade” e “ajudam a renová-la”. “Deixem-se também evangelizar por eles”, indicou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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