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MADRID 14 out. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro da França, Sébastian Lecornu, anunciou perante o Parlamento uma proposta para suspender a aplicação da reforma previdenciária até depois das eleições presidenciais de 2027, de modo que as mudanças não começarão a ser aplicadas até janeiro do ano seguinte.
Lecornu apresentou essa ideia durante seu tão esperado discurso na Assembleia Nacional, horas depois do primeiro Conselho de Ministros de seu segundo gabinete, no qual foram apresentados o projeto de orçamento geral e o financiamento da seguridade social.
Aprovar essa estrutura antes de 31 de dezembro é fundamental para Lecornu, que alertou os deputados sobre o risco de um "colapso orçamentário" do qual apenas "os inimigos da França desfrutariam". Ele alertou sobre a "urgência" de adotar "o melhor orçamento possível", apelando para os grupos de oposição.
Seu primeiro grande gesto foi direcionado a eles, pois propôs a paralisação da implementação da reforma previdenciária e que nem o atraso na idade geral de aposentadoria para 64 anos nem a extensão do período de contribuição, que permanecerá em 170 trimestres, serão aplicados até o início de 2029.
Entretanto, ele também advertiu que a suspensão, que "beneficiará 3,5 milhões de franceses", deve ser "compensada" de alguma forma nas contas públicas, talvez "por meio de medidas para reduzir os gastos". O governo estima o custo da suspensão em 400 milhões de euros em 2026 e mais 1,8 bilhão de euros em 2027.
"Proponho organizar uma conferência sobre pensões e trabalho nos próximos dias", anunciou da tribuna, enquanto esperava para ver se a concessão convenceria grupos como o Partido Socialista, que pediu expressamente a retirada da reforma previdenciária para não votar a favor de uma moção de censura.
Lecornu também anunciou que seu governo, que ele descreveu como um governo de "renovação", não recorrerá ao artigo 49.3 da Constituição para aprovar leis, como fizeram seus antecessores, e ele expressou sua disposição de "compartilhar o poder com o Parlamento". "Vocês votarão, vocês decidirão", pediu ele aos deputados.
No entanto, várias moções de censura da esquerda e da extrema direita ainda estão pairando sobre o executivo. O presidente francês Emmanuel Macron considera essas iniciativas como "moções de dissolução", o que abre a porta para eleições parlamentares antecipadas, admitiu à mídia a porta-voz do governo Maud Bregeon.
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