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Ele afirma que a OTAN “não vai durar muito mais” e denuncia o militarismo de Merz como um retorno ao nazismo
MADRID, 3 set. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, referiu-se nesta quinta-feira à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como “fuhrer”, afirmando que Bruxelas tenta concentrar cada vez mais poder e tomar decisões que “nunca foram transferidas” pelos Estados-membros do bloco.
“Chamamos de ‘fuhrer Ursula’ a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Ela está tentando transferir para a Comissão Europeia competências e responsabilidades que, de acordo com as decisões adotadas pela União Europeia como um todo, nunca foram transferidas para Bruxelas e continuam sendo de competência dos governos nacionais”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Rússia em uma intervenção no Fórum Econômico Oriental, realizado na cidade de Vladivostok, no leste da Rússia.
De acordo com as declarações coletadas pela agência TASS, Lavrov criticou o poder centralizador do Executivo comunitário, afirmando que “essa tendência é cada vez mais pronunciada”.
Quanto ao futuro da OTAN, Lavrov previu que a Aliança Atlântica “não vai durar muito mais”, afirmando que ela busca “novas razões para prolongar sua existência”, mas que isso não pode se prolongar por muito mais tempo, ressaltando que agora ela busca se concentrar em conter a ascensão da China.
“A questão de Taiwan continua ganhando força, e esse esforço acabará perdendo fôlego. Mais uma vez, os eleitores perguntarão: ‘O que estamos fazendo lá?’”, indicou.
ASSOCIA MERZ AO NAZISMO
O chefe da diplomacia russa também lançou ataques ao chanceler alemão, Friedrich Merz, criticando as ambições militares de Berlim, após fazer alusão à Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. “Já havíamos visto anteriormente como as metástases do nazismo reapareciam na Alemanha, mas quando o chanceler Merz disse que tornaria a Alemanha novamente a principal potência militar da Europa, fiquei simplesmente horrorizado”, afirmou.
Dessa forma, ele alertou que essa ambição alemã é “muito triste para a Europa e extremamente perigosa”. “A Europa está se tornando, mais uma vez, uma fonte de ideias sobre superioridade nacional e racial”, afirmou.
Lavrov apontou, assim, Merz como o responsável pela ruptura das relações entre a Rússia e a Europa. “A Alemanha está tentando, mais uma vez, colocar todos os demais sob seu controle e frear qualquer iniciativa em direção a relações normais com a Rússia que ainda exista em alguns países da UE, mesmo que sejam muito poucos”, afirmou.
CRISE MIGRATÓRIA NA EUROPA
Ele também criticou o que chamou de política de “portas abertas” da UE, que, em sua opinião, levou a uma crise migratória no continente. “Isso está causando descontentamento entre a população nativa, que se vê obrigada a pagar impostos para sustentar pessoas que chegaram ao país”, afirmou.
Assim, ele destacou que os cidadãos ucranianos, que fugiram da guerra iniciada pela Rússia em 2022, “também se enquadram nessa categoria”. “Os países da UE têm lhes concedido subsídios e benefícios desde o início da operação militar especial, quando fugiram de seu país, e, em alguns casos, esses benefícios superam consideravelmente os auxílios-desemprego disponíveis para os próprios cidadãos desses países”, refletiu.
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