Europa Press/Contacto/Yuliia Ovsiannikova
MADRID 7 set. (EUROPA PRESS) -
O enviado especial dos Estados Unidos, Jared Kushner, afirmou neste domingo que Israel está agindo de forma “um tanto irracional” em “certos aspectos” na Faixa de Gaza devido às eleições que serão realizadas no país no próximo dia 27 de outubro, ao mesmo tempo em que afirmou que ambos os países estão “de acordo” quanto ao “status final” do enclave.
“Estamos resolvendo alguns problemas políticos em Israel. Acredito que concordamos com eles quanto ao objetivo final. Eles estão prestes a passar por uma eleição caótica e isso os leva a agir de forma um tanto irracional em certos aspectos. Mas estamos muito determinados e estamos resolvendo essas questões”, afirmou Kushner em entrevista coletiva durante sua visita a Kiev, capital da Ucrânia, que marca sua primeira viagem, ao lado de Steve Witkoff — também enviado de Trump —, ao território ucraniano desde o início da guerra em 2022.
Em seguida, o enviado especial afirmou que Gaza não apenas “há muito, muito tempo não funciona”, mas que se trata de um enclave que “basicamente foi construído por ONGs e terroristas” e que tem sido “um lugar distópico há muito tempo”.
Nesse sentido, o genro do chefe da Casa Branca se gabou de que “durante o último ano” houve “um aumento da ajuda humanitária na antiga zona de guerra”, o que ele definiu como uma “mudança” na forma como a ajuda era prestada ali anteriormente.
“Em Gaza, a ONU gastava três vezes mais por pessoa em ajuda do que na Síria. Por quê? Porque havia se tornado todo um complexo industrial de ajuda e grande parte dela estava sendo desviada para financiar uma organização terrorista. Então, mudamos a forma de prestar ajuda”, gabou-se Kushner, acrescentando — sem fornecer dados específicos — que “agora” Gaza “tem uma das taxas de desnutrição mais baixas do mundo”.
No entanto, no final do mês de junho passado, o diretor de Saúde e Mobilização Social da Médicos do Mundo, Ricardo Angora, alertou que a população de Gaza — além da da Cisjordânia e do Líbano — enfrenta uma “crise sanitária de grandes proporções” em consequência da ofensiva israelense, que está provocando uma situação de insegurança alimentar, hídrica e de más condições sanitárias, além da destruição de hospitais e ataques contra instalações de saúde.
Por fim, o enviado norte-americano voltou a abordar a questão da desmilitarização da Faixa de Gaza, admitindo que isso “não será fácil”. Isso ocorre poucas semanas depois de o próprio Kushner ter previsto “avanços” nessa questão em um prazo de 30 dias, após uma reunião com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que se opôs a esse “roteiro” do Conselho de Paz e a quem o genro de Trump prometeu que a reconstrução do enclave não seria iniciada até que o desarmamento das milícias palestinas fosse concluído.
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