Propõe que países grandes como Alemanha, França, Espanha ou Polônia tenham representação permanente e que os demais se revezem
BRUXELAS, 14 out. (EUROPA PRESS) -
O comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, propôs nesta quarta-feira a criação de um Conselho Europeu de Segurança inspirado no das Nações Unidas, com membros permanentes e rotativos, para agilizar a tomada de decisões em matéria de defesa e reforçar a capacidade de resposta do continente diante das ameaças à sua segurança.
Foi o que ele afirmou durante sua intervenção na quinta edição do “Forum on the Future of the EU”, organizado pela Equipo Europa em Bruxelas, na qual propôs que Espanha, França, Alemanha, Itália, Polônia e, eventualmente, Reino Unido ou Ucrânia, tenham um assento permanente nesse órgão, enquanto os demais países participariam de forma rotativa para garantir uma representação mais ampla da Europa.
“Assim, haveria de fato uma plataforma que permitisse tomar decisões rápidas sobre as questões mais importantes (...) Vejo a necessidade de compreender que as instituições e os mecanismos de decisão que criamos até agora já não servem (para o que está por vir). Precisamos encontrar outra arquitetura”, afirmou o comissário durante sua intervenção.
A proposta, confessou Kubilius, já havia sido apresentada há anos pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e a então chanceler alemã, Angela Merkel, para estabelecer um órgão reduzido, semelhante ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, que reunisse as principais potências europeias juntamente com outros países que participariam de forma rotativa, sem a necessidade dos Vinte e Sete da UE para a tomada de decisões.
Kubilius apoiou, assim, a ideia proposta em setembro pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que anunciou sua intenção de promover um Conselho Europeu de Segurança que reúna os líderes europeus com parceiros como o Reino Unido, o Canadá, a Noruega ou a Ucrânia para coordenar as respostas às ameaças contra o continente, embora, na ocasião, não tenha especificado sua composição nem os mecanismos de tomada de decisão.
“Eu chamo isso de União Europeia de Defesa, mas seja qual for o nome (...) na minha opinião, talvez precisássemos de um novo tratado intergovernamental”, acrescentou ele, explicando que sua proposta prevê uma estrutura de dois níveis, com uma espécie de assembleia geral na qual todos os países participantes estariam representados e um conselho mais restrito, composto por membros permanentes e rotativos, cujas decisões poderiam, em determinados casos, exigir a aprovação do órgão mais amplo.
EXIGE MAIS LIDERANÇA DAS GRANDES POTÊNCIAS
Questionado sobre se a criação de um Conselho Europeu de Segurança com membros permanentes poderia discriminar os Estados de menor porte, especialmente os países bálticos devido à sua proximidade com a Rússia, Kubilius rejeitou essa tese e defendeu que uma maior capacidade de decisão coletiva também reforçaria a segurança desses países.
“Não me preocupa que os países maiores assumam responsabilidades específicas na defesa coletiva europeia. O que me preocupa é que eles não estejam exercendo essa liderança”, afirmou o comissário, originário de um país pequeno como a Lituânia. Por isso, ele alertou que a Europa precisa de uma liderança política capaz de tomar decisões conjuntas e superar a fragmentação de suas políticas de defesa.
Por fim, Kubilius ilustrou a fragmentação da defesa europeia com uma comparação com os Estados Unidos, questionando o que aconteceria se Washington decidisse abrir mão de seu Exército federal e substituí-lo por 50 exércitos estaduais, cada um com suas próprias políticas e orçamentos de defesa.
“Os Estados Unidos ficariam mais fortes ou mais fracos em termos de defesa? Minha resposta é muito clara: mais fracos”, afirmou ele, defendendo que a Europa deve avançar rumo a uma maior integração militar e a uma liderança política comum que permita superar a fragmentação de suas capacidades de defesa.
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