Publicado 21/04/2026 12:06

Kubilius minimiza a "imprevisibilidade" de Trump e aposta em uma relação pragmática com a OTAN

Ele alerta para o risco de os EUA esgotarem suas reservas de armamento devido à guerra no Irã e pede que se retome a produção de mísseis na UE

O comissário europeu para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, em entrevista à European Newsroom (ENR), um grupo de agências europeias do qual faz parte a Europa Press
EUROPEAN NEWSROOM (ENR)

BRUXELAS, 21 abr. (EUROPA PRESS) -

O comissário europeu para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, minimizou a “imprevisibilidade” que caracteriza o governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, apontando que por trás das “declarações e decisões” difíceis de entender por parte da Casa Branca, existe uma “estrutura” com objetivos e uma visão claros.

Foi o que ele afirmou em entrevista à European Newsroom (ENR), um grupo de agências europeias do qual faz parte a Europa Press, ao ser questionado se a União Europeia tem algum plano de contingência caso os Estados Unidos saiam da OTAN, como Trump chegou a ameaçar há algumas semanas para demonstrar sua irritação com os aliados europeus por não participarem da guerra no Irã.

“Talvez já tenhamos tido tempo suficiente para, por assim dizer, nos adaptarmos à forma como a relação transatlântica está evoluindo agora e nos adaptarmos a declarações imprevisíveis. Esse é o estilo do presidente Trump”, afirmou o comissário.

Na sua opinião, das “declarações e decisões” de Trump, a UE “às vezes consegue obter algum benefício”, mas outras, por outro lado, “geram muita confusão e mal-entendidos”, como quando ele ameaçou assumir o controle da Groenlândia, parte do território da Dinamarca, Estado-membro da UE.

Mas, “além disso”, Kubilius afirmou que existe “a estrutura dos Estados Unidos”, que é a responsável, por exemplo, pela estratégia de defesa americana apresentada em outubro de 2025, na qual Washington realizou “com certa racionalidade” uma análise sobre “o que está em jogo e por que propõem” priorizar a defesa no Indo-Pacífico em detrimento da Europa.

“Esse debate baseia-se, na verdade, em como os americanos estão avaliando os desafios geopolíticos, que agora também estão se deslocando para o Indo-Pacífico, e em como estão se preparando”, prosseguiu o comissário, que lembrou que os Estados Unidos vêm pedindo há muito tempo que os europeus assumam “de fato” a responsabilidade por sua defesa convencional.

RELAÇÃO PRAGMÁTICA COM A OTAN

Questionado sobre o estado das relações entre a União Europeia e a OTAN devido ao silêncio de seu secretário-geral, Mark Rutte, diante da crise de Trump com seus parceiros europeus, Kubilius respondeu que “elas são boas”.

“Minhas relações com Mark Rutte são realmente muito boas”, enfatizou, para depois detalhar que também não há divergências em outros âmbitos, como o operacional, já que a OTAN “está desenvolvendo planos militares, planos de defesa e objetivos de capacidades”, enquanto a UE utiliza instrumentos como a política industrial, o financiamento ou algumas regulamentações, bem como a redução de obstáculos burocráticos, para ajudar seus Estados-membros.

Tendo isso como base, Kubilius previu que a Aliança Atlântica “pode passar por algum tipo de mudança interna” e de transformação interna na qual “o pilar europeu da OTAN e a europeização da Aliança” terão papel central. “Se os Estados Unidos reduzirem sua presença, isso sem dúvida ocorrerá”, acrescentou.

O RISCO DE DEPENDER DOS ESTADOS UNIDOS

De fato, o comissário destacou a importância de evitar “algum tipo de evolução caótica” na relação com os Estados Unidos, em que Washington “reduza parte de seus recursos” e os países europeus “ainda não sejam capazes de preencher esse vazio”.

Ele também citou como exemplo o risco de que a guerra no Oriente Médio possa afetar o fornecimento de armamento norte-americano para a Europa e para a Ucrânia, uma vez que, “pelas informações disponíveis”, os Estados Unidos teriam “esvaziado suas reservas de forma bastante significativa”.

“Há quem diga que a indústria de defesa dos Estados Unidos precisará de vários anos, três ou quatro anos, para produzir o necessário para reabastecer esses arsenais. Portanto, temos que entender que precisaremos nos concentrar muito mais em nossa própria produção e em nossos próprios esforços”, acrescentou.

Entre outros exemplos, ele citou a falta de produção de mísseis na União Europeia que, comparada à da Rússia, dá a entender que o bloco comunitário está “claramente atrás” e que teria dificuldades para “fornecer tudo o que a Ucrânia precisa” se, em algum momento, os Estados Unidos não pudessem fazê-lo.

Em seguida, Kubilius apresentou alguns números que, segundo confessou, obteve do ChatGPT: “Não sei quão precisos são (...) mas a Rússia produziu no ano passado 1.000 mísseis de cruzeiro e todos foram direcionados para a Ucrânia; a UE, durante todo o ano passado, conseguiu produzir menos de 300. Quanto aos mísseis balísticos, a Rússia produziu cerca de 1.000, enquanto a União produziu zero”.

Da mesma forma, ele garantiu que a Ucrânia começou no ano passado a produzir mísseis de cruzeiro ‘Flamingo’ e que este ano já planeja fabricar 700, além de prever iniciar em breve a produção de mísseis balísticos. Na sua opinião, essa seria a chave para alcançar “uma paz baseada na força da Ucrânia” e pôr fim à invasão russa iniciada em 2022.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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