Publicado 23/01/2026 02:07

O Kremlin descarta uma solução de longo prazo se não ficar com grande parte do Donbass (Ucrânia)

Archivo - Arquivo - RÚSSIA, MOSCOU - 2 DE DEZEMBRO DE 2025: Vladimir Putin, presidente da Rússia, acompanhado por seu assessor Yury Ushakov (à direita, atrás), mantém conversações com Steve Witkoff, enviado especial do presidente dos EUA, no Kremlin, em M
Europa Press/Contacto/Alexander Kazakov - Arquivo

Confirma o encontro com representantes dos EUA e da Ucrânia em Abu Dhabi para esta sexta-feira MADRID 23 jan. (EUROPA PRESS) - O Kremlin indicou na madrugada desta sexta-feira, ao término de uma reunião de cerca de quatro horas com representantes dos Estados Unidos, que não será possível chegar a uma “solução de longo prazo” para a guerra na Ucrânia sem resolver a questão territorial de acordo com a fórmula acordada entre Washington e Moscou em agosto de 2025, que atribuía à Rússia grande parte da região oriental de Donbass (Ucrânia), amplamente ocupada pelas tropas russas.

Isso foi comunicado por Yuri Ushakov, assessor do presidente russo, Vladimir Putin, ao se dirigir à imprensa ao sair de uma reunião realizada em Moscou entre o próprio Putin e o enviado especial dos Estados Unidos, Steven Witkoff, o ex-assessor da Casa Branca Jared Kushner — genro do presidente Donald Trump — e o comissário do Serviço Federal de Aquisições, Joshua Gruenbaum, que “se juntou à equipe americana pela primeira vez”.

“O principal é que, durante as negociações entre nosso presidente e os americanos, foi afirmado mais uma vez que, sem resolver a questão territorial de acordo com a fórmula acordada em Anchorage (Alasca), não há esperança de se chegar a uma solução de longo prazo”, destacou Ushakov, segundo o Kremlin.

Nesse sentido, ele defendeu que o governo russo está “sinceramente interessado em resolver a crise ucraniana por meios políticos e diplomáticos, mas até que isso aconteça, a Rússia continuará perseguindo com firmeza os objetivos da operação militar especial no campo de batalha, onde as Forças Armadas russas têm a iniciativa estratégica”.

Segundo o assessor presidencial russo, a reunião também foi aproveitada para discutir a iniciativa do Conselho de Paz para Gaza, um aspecto em que Putin reiterou sua disposição de “destinar US$ 1 bilhão (855 milhões de euros) dos ativos russos congelados pelo governo anterior dos Estados Unidos (presidido por Joe Biden) ao orçamento desse órgão”, enquanto os fundos restantes “poderiam ser usados para reconstruir os territórios danificados durante os combates após a assinatura de um tratado de paz entre a Rússia e a Ucrânia”.

Além disso, as partes abordaram “questões regionais e a situação em torno da Groenlândia” — território sobre o qual o inquilino da Casa Branca reivindicou uma anexação por supostas questões de segurança face a ameaças, entre as quais estaria a própria Rússia — e o futuro das relações entre Washington e Moscou, “partindo do entendimento de que nossos países têm um enorme potencial de cooperação em uma ampla gama de áreas”. “Os representantes americanos já estão formulando planos específicos que poderiam ser implementados uma vez resolvido o conflito ucraniano”, assegurou Ushakov. CONVERSAS “EXTREMAMENTE FRANCAS E DE CONFIANÇA”

O assessor de Putin destacou que “as negociações duraram aproximadamente quatro horas e foram extremamente informativas, construtivas e, eu diria, extremamente francas e confiáveis”. “Foi útil em todos os sentidos, tanto para nós quanto para a parte americana”, acrescentou pouco depois, após “reconhecer que os americanos fizeram um grande esforço em sua preparação”.

Na reunião, os americanos “compartilharam suas impressões em primeira mão e novas avaliações da reunião do presidente americano com (o presidente ucraniano, Volodimir) Zelenski em Davos", segundo recapitulou Ushakov, que indicou que a conversa "se concentrou especificamente em obter informações sobre os resultados dos contatos americanos com a Ucrânia e os parceiros europeus" para que tanto Washington quanto Moscou possam "determinar os parâmetros para ações futuras".

O próximo passo será a primeira reunião trilateral entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia, que confirmou que terá lugar esta sexta-feira em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), onde, “simultaneamente, os chefes do grupo de trabalho bilateral (o Kremlin e a Casa Branca) sobre assuntos econômicos também se reunirão", incluindo Witkoff e o enviado especial de Putin para Investimentos e Cooperação Econômica, Kiril Dimitriev, conforme indicado por Ushakov.

Em seguida, ele informou que a equipe de negociação russa para a reunião trilateral, que recebeu “instruções específicas” de Putin, inclui “representantes da cúpula do Ministério da Defesa, liderados pelo chefe da Direção Geral do Estado-Maior, o almirante (Igor) Kostiukov”.

A reunião bilateral entre os Estados Unidos e a Rússia chegou ao fim algumas horas depois de Trump reconhecer à imprensa que “não parece” que será possível chegar a um acordo de segurança entre a Rússia e a Ucrânia, embora tenha defendido continuar se reunindo, alegando que, caso contrário, não se alcançaria nenhum avanço, evitando assim minimizar a importância do encontro trilateral em Abu Dhabi.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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