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MADRID 26 maio (EUROPA PRESS) -
O Kremlin criticou nesta terça-feira as políticas da Ucrânia para repatriar os restos mortais de seus líderes históricos, na sequência da cerimônia de reenterro de Andri Melnik, colaborador nazista, realizada na segunda-feira em Kiev.
“Não sei se isso agrada às capitais europeias, mas a nós não agrada de forma alguma”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, que declarou que parece existir na Europa Central “uma glorificação oficial, em nível estatal, de criminosos e colaboradores nazistas”, segundo a agência Interfax.
“Consideramos isso extremamente negativo”, avaliou o porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, que ressaltou que esse tipo de homenagem por parte das autoridades ucranianas reafirma “mais uma vez a validade e a correção” da decisão do governo russo de lançar o que chamam de “operação militar especial”.
A Rússia justificou sua decisão de invadir a Ucrânia em fevereiro de 2022 para proteger as regiões de língua russa no leste e sul do país da perseguição, não apenas estatal, mas também por parte de grupos paramilitares ultranacionalistas que costumavam agir com bastante impunidade, como foi o caso do massacre em Odessa em 2014.
Nesta segunda-feira, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, presidiu a cerimônia de reenterro de Melnik, colaborador da Alemanha nazista, uma semana depois que seus restos mortais, juntamente com os de sua esposa, Sofia, foram repatriados de Luxemburgo.
Melnik fez parte da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (UON) — proibida na Rússia —, uma controversa organização política de tendência fascista, elogiada por sua luta contra o domínio soviético e a ocupação polonesa, tendo sido colaborador da Alemanha nazista durante várias fases da Segunda Guerra Mundial.
Acusado de estar por trás do massacre de judeus e poloneses durante esse período, acabou sendo repudiado pelos próprios nazistas, que se recusavam a reconhecer um Estado ucraniano independente e o mantiveram preso por alguns meses em um campo de concentração em 1944.
Os restos mortais de Melnik fazem parte das políticas de repatriação que o governo de Zelenski planeja implementar, as quais incluem outras figuras controversas do nacionalismo ucraniano, como Yevguén Konovalets.
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