Kim Jae-Hwan / Zuma Press / Europa Press - Arquivo
A irmã de Kim Jong Un acusa Washington de usar os exercícios militares na Ásia-Pacífico para ampliar sua hegemonia
MADRID, 18 set. (EUROPA PRESS) -
Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, criticou duramente nesta sexta-feira os Estados Unidos pela realização do exercício naval multinacional “Pacific Vanguard 2026” e alertou que Pyongyang continuará fortalecendo sua capacidade militar, incluindo a dissuasão nuclear, para enfrentar o que ela classificou como manobras de “jogo de guerra” por parte de Washington.
Kim denunciou que a Casa Branca está promovendo uma atividade militar crescente na Ásia-Pacífico com o objetivo de alterar o equilíbrio regional e assegurou que as Forças Armadas norte-coreanas estão dispostas a empregar todos os meios disponíveis caso considerem que seus interesses estratégicos ou sua segurança estejam “seriamente ameaçados”, segundo um comunicado divulgado pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA).
Segundo sua interpretação, a realização reiterada de exercícios militares, sejam eles de grande ou pequena escala, reflete a intenção dos Estados Unidos de preservar sua posição dominante diante das principais potências da região.
Essas declarações ocorrem após o término, na semana passada, do “Pacific Vanguard 2026”, uma série de manobras marítimas multinacionais realizadas durante treze dias em águas próximas a Guam e das quais participaram países aliados dos Estados Unidos, entre eles a Coreia do Sul e o Japão.
A esse respeito, Kim denunciou que, durante mais de dez dias, foram realizados treinamentos focados em cenários de guerra antinavio, defesa antiaérea e operações submarinas.
“Durante o exercício de guerra, foram realizados intensivamente, por mais de dez dias, diversos exercícios navais focados na guerra antinavio, antiaérea e antissubmarina, com o objetivo de proteger os Estados Unidos”, destacou a irmã do líder norte-coreano, que descreveu as manobras como “mais um ‘jogo de guerra’ ameaçador, idealizado pelos Estados Unidos para provocar confrontos entre facções na região”.
A líder norte-coreana também associou esses exercícios à estratégia de Washington de manter sua influência na Ásia-Pacífico por meio de alianças militares. “Isso faz parte do plano político e militar dos Estados Unidos para prolongar sua hegemonia, apoiando-se na força militar do bloco exclusivo na região da Ásia-Pacífico, onde há muitas grandes potências consideradas seus principais rivais”, afirmou ela.
Kim não apenas criticou o aumento progressivo do número de participantes nas manobras realizadas no âmbito da “Pacific Vanguard”, mas também estendeu suas críticas a toda a atividade militar dos Estados Unidos na região.
Na opinião da líder norte-coreana, os argumentos utilizados para justificar essas operações militares também revelam as intenções estratégicas de Washington. Nesse sentido, o comunicado faz referência a objetivos declarados como “reforçar as capacidades de resposta conjunta diante de ameaças marítimas” e “testar as capacidades operacionais combinadas em um ambiente complexo de operações aéreas”.
“BATENDO RECORDES EM AÇÕES DE RESPOSTA”
A participação da Coreia do Sul e do Japão nessas manobras também ocupou um lugar central nas denúncias de Kim. A líder considera que a presença de ambos os países nesse tipo de atividade demonstra o fortalecimento da cooperação militar trilateral entre Washington, Tóquio e Seul. Segundo sua declaração, essa estrutura tem como principal alvo a Coreia do Norte.
“É inevitável que a maior ameaça que os agentes externos representam para nossa segurança nacional faça com que nosso poder militar cresça incessantemente de forma proporcional”, afirmou Kim, insistindo que Pyongyang deve responder ao que considera um aumento da hostilidade com medidas de magnitude equivalente ou superior.
Nesse sentido, ele destacou que as ações militares de seus adversários estão obrigando a Coreia do Norte a elevar continuamente suas capacidades defensivas. “Precisamos bater recordes em nossa ação de resposta, que seja proporcional ou de natureza mais ofensiva”, declarou.
Kim também apresentou a pressão militar externa como uma justificativa para manter e desenvolver a política de defesa norte-coreana e argumentou que as situações de instabilidade geradas pelas atividades de outros países não fazem senão demonstrar a necessidade de renovar permanentemente suas capacidades militares.
A esse respeito, chegou até a afirmar que os adversários do país proporcionam à Coreia do Norte uma “excelente ‘ajuda’” ao criar as condições que, segundo seu argumento, justificam esse fortalecimento.
SEM MUDANÇA DE RUMO NA POLÍTICA NUCLEAR
Nesse contexto, uma de suas advertências mais contundentes foi a relacionada à capacidade nuclear norte-coreana.
Kim garantiu que o país não alterará o rumo de sua política de defesa e que continuará reforçando seus meios de dissuasão diante de uma eventual guerra nuclear. “Nossa vontade de defender nossa soberania se expressará em ações mais claras, e nunca haverá qualquer mudança no rumo que tomamos para intensificar a dissuasão da guerra nuclear”, afirmou.
Na mesma linha, a líder lançou uma advertência sobre uma eventual resposta militar. De acordo com o comunicado da KCNA, se Pyongyang determinar que manobras estrangeiras estão afetando gravemente os interesses fundamentais do Estado, sua soberania militar ou as condições de segurança na região, as Forças Armadas norte-coreanas agirão de acordo com as disposições previstas na Constituição.
“As Forças Armadas da Coreia do Norte invocarão as disposições pertinentes, em cumprimento às suas obrigações constitucionais, e mobilizarão todos os meios ao seu alcance para fazer face à situação”, esclareceu.
Essa declaração constitui a segunda intervenção pública de Kim Yo Jong em apenas dois dias. Em sua declaração anterior, a líder rejeitou os apelos internacionais pela desnuclearização da Coreia do Norte formulados durante a 70ª sessão ordinária da Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), realizada atualmente em Viena, na Áustria.
Agora, Kim volta a colocar os exercícios militares conjuntos e a política nuclear norte-coreana no centro da resposta de Pyongyang às atividades militares dos Estados Unidos e de seus aliados na Ásia-Pacífico.
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