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MADRID 31 maio (EUROPA PRESS) -
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia rejeitou neste sábado as acusações formuladas pela Rússia sobre um suposto ataque ucraniano contra a usina nuclear de Zaporizhia e denunciou que se trata de uma nova campanha de desinformação cujo objetivo é ocultar o que Kiev considera a verdadeira ameaça à segurança nuclear na região: a ocupação russa das instalações da usina.
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia afirmou que as denúncias divulgadas por representantes da empresa estatal russa Rosatom carecem de fundamento e já foram desmentidas pelas Forças de Defesa da Ucrânia.
Nesse sentido, sustentou que as acusações são contraditórias, ao considerar que não há motivo para a Ucrânia atacar uma usina localizada em seu próprio território e cuja recuperação reivindica sob sua soberania.
Segundo Kiev, a Rússia tenta impor a narrativa de que a Ucrânia estaria atacando suas próprias infraestruturas nucleares, enquanto Moscou atua como garante de sua segurança. “O simples fato de ser necessário repetir essa tese já indica sua insustentabilidade”, assinalou o Ministério.
Além disso, as autoridades ucranianas acusaram a Rússia de obstruir, durante anos, o trabalho dos especialistas internacionais destacados na usina. Em particular, denunciaram que os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não tiveram acesso total a determinadas zonas das instalações, incluindo partes das salas de turbinas, devido às restrições impostas pela parte russa.
Kiev alertou ainda que essas acusações ocorrem de forma recorrente antes das reuniões do Conselho de Governadores da AIEA e relacionou a atual polêmica com a sessão prevista para junho, na qual serão examinados documentos que, segundo a Ucrânia, reafirmarão mais uma vez que a usina de Zaporizhia continua sendo uma instalação nuclear ucraniana sob ocupação ilegal russa.
Nesse contexto, o Ministério defendeu que a AIEA não reconhece nenhuma reivindicação de soberania da Rússia sobre a usina nem sobre outras instalações nucleares ucranianas localizadas em territórios ocupados. “Nenhuma campanha de informação mudará o fato principal: a usina nuclear de Zaporizhia foi, é e continuará sendo uma usina nuclear ucraniana”, sublinhou.
Diante disso, a Ucrânia instou os 34 membros do Conselho de Governadores da AIEA a adotarem medidas concretas contra Moscou e a não se limitarem a emitir declarações de preocupação. Na mesma linha, pediu expressamente que não se apoie a concessão de um assento à Rússia nesse órgão durante a sessão de junho.
As declarações de Kiev surgem depois que as autoridades da usina nuclear de Zaporizhia, sob controle russo, denunciaram na sexta-feira o impacto de um drone contra o prédio da turbina da Unidade 6 da usina.
Segundo a direção da instalação, o aparelho atingiu a parede da sala de turbinas sem causar vítimas nem danos considerados críticos. Por sua vez, a AIEA expressou sua “grave preocupação” com o incidente, indicando que o ataque teria provocado “um buraco na parede” do prédio afetado.
Nesse contexto, o diretor-geral da agência, Rafael Grossi, lembrou que “não deve haver nenhum ataque de qualquer tipo, nem a partir de nem contra” a usina e alertou que agir contra instalações nucleares equivale a “brincar com fogo”. Além disso, ele indicou que a equipe da AIEA destacada na usina havia solicitado acesso para inspecionar diretamente a área afetada.
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