Publicado 16/09/2026 08:36

Kiev afirma que Putin busca “incentivar” a migração para a Europa e aponta para a “exploração” da crise em Ceuta

15 de setembro de 2026, Kiev, Ucrânia: O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, participa de uma coletiva de imprensa conjunta com o ministro das Relações Exteriores e Cooperação do Principado de Mônaco, presidente do Comitê de Minist
Marianna Kotyk / Zuma Press / Europa Press

Sibiga acusa Moscou de tentar “desestabilizar a Europa”, especialmente com vistas às eleições de 2027 em vários países da UE

MADRID, 16 set. (EUROPA PRESS) -

O governo da Ucrânia denunciou nesta quarta-feira que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, busca “fomentar” uma onda migratória rumo à Europa e afirmou que Moscou tem como objetivo “desestabilizar” os países do continente com vistas às eleições do próximo ano em vários deles, entre eles a Espanha, citando como exemplo a “exploração” da crise em Ceuta após a entrada de milhares de migrantes de forma irregular vindos de Marrocos no final de julho.

“Putin busca fomentar a migração para a Europa, e o bloqueio do Mar Negro faz parte de seu plano”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andri Sibiga, que destacou que “o terror da Rússia não se limita à Ucrânia, mas também ameaça países da África, do Oriente Médio e da Ásia”.

“As famílias vulneráveis dos países dependentes de importações de alimentos sofrerão as consequências das ações de Moscou de forma mais direta: por meio do aumento dos preços dos alimentos e da escassez, fatores que provocam desnutrição e fome”, explicou ele em uma mensagem publicada nas redes sociais.

O chefe da diplomacia ucraniana afirmou que Moscou busca, com isso, “desestabilizar a Europa”, antes de destacar que “Putin aposta que a fome e a escassez de alimentos podem provocar um afluxo de migrantes”. “É exatamente isso que ele busca, sobretudo de vista às eleições que serão realizadas no próximo ano nos Estados-membros da União Europeia (UE)”, alertou.

Em 2027, estão previstas eleições legislativas na Espanha, Estônia, Finlândia, Grécia, Eslováquia, Polônia e Itália, além das eleições presidenciais que ocorrerão na França. A isso se somam as eleições de presidentes pelos parlamentos da Alemanha, Letônia e Eslovênia.

“Putin sabe que a migração é uma das questões mais delicadas e polêmicas nas campanhas eleitorais europeias, especialmente depois de constatar a eficácia com que redes ligadas à Rússia exploraram a recente crise de Ceuta”, afirmou Sibiga, que reiterou que a Rússia “usará todos os meios ao seu alcance para aumentar a migração para a Europa”.

Assim, ele também apontou a Bielorrússia como parte dessa suposta estratégia de Moscou e destacou que “a Lituânia descobriu recentemente vários túneis clandestinos escavados a partir da Bielorrússia, destinados a introduzir migrantes ilegalmente através da fronteira”.

“Moscou acredita que sua estratégia gerará tensões, semeará a divisão, fortalecerá os movimentos radicais antieuropeus e, em última instância, enfraquecerá o apoio da Europa à Ucrânia”, afirmou, antes de enfatizar que “apoiar as exportações agrícolas da Ucrânia e restabelecer a liberdade de navegação no Mar Negro tem um valor estratégico e existencial tanto para a UE quanto para a comunidade internacional como um todo”.

Por isso, Sibiga enfatizou que “é necessária uma ação urgente para garantir o transporte marítimo comercial ininterrupto a partir dos portos ucranianos, desenvolver todas as rotas e mecanismos alternativos possíveis para o transporte de mercadorias pela UE e oferecer o máximo apoio aos agricultores ucranianos nesta situação difícil”.

“Outra prioridade fundamental é desenvolver e implementar conjuntamente uma estratégia europeia para combater as campanhas de desinformação, interferência e manipulação da Rússia. A Ucrânia está disposta a contribuir com sua valiosa experiência”, acrescentou o ministro das Relações Exteriores ucraniano.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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