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Aprova seus primeiros seis decretos, focados na segurança das fronteiras, no controle dos gastos públicos e na tramitação de licenças ambientais MADRID 12 mar. (EUROPA PRESS) -
O novo presidente do Chile, o ultradireitista José Antonio Kast, mostrou nesta quarta-feira o apoio ao seu “governo de emergência” em seu primeiro discurso como ocupante do palácio de La Moneda, no qual declarou como “adversários reais” os migrantes irregulares, acusados de entrar no país “para delinquir, para explorar outros ou para converter nosso solo em terra de ninguém”.
“Nos entregam um país em piores condições do que poderíamos imaginar, um país com suas finanças públicas enfraquecidas, um país onde o crime organizado e o narcotráfico avançaram”, declarou em um discurso no qual afirmou que, “para enfrentar essas emergências, o Chile precisa de um governo de emergência, e é isso que vamos ter”, segundo o jornal La Tercera.
Nessa linha, ele defendeu que “um governo de emergência não é um slogan, é ordem onde há caos. É alívio onde há dor. É mão firme onde há impunidade”. Na mesma linha, o líder de extrema direita afirmou que “o Chile tem adversários reais e não são aqueles que pensam diferente” em política ou “aqueles que votam diferente”, em uma intervenção na qual também fez um apelo à “unidade”, enfatizando que “não é momento de rancor. É hora de fazer o que tem que ser feito”. “Há muito a ser feito para gastar energia em trincheiras (...). O Chile é maior do que nossas divisões”, acrescentou. “(Os verdadeiros adversários do Chile) são aqueles que tomaram nossos bairros. São aqueles que corromperam nossos jovens. São aqueles que semearam o terror nas populações. E também são adversários do Chile aqueles que entraram violando nossas fronteiras, para delinquir, para explorar outros ou para converter nosso solo em terra de ninguém”, proclamou.
Nesse contexto, Kast transmitiu aos Carabineros, policiais de investigação, gendarmes e Forças Armadas “que terão todo o apoio da lei, os recursos do Estado e a vontade política que por tanto tempo lhes faltou”.
“Nunca mais um agente da ordem e da segurança enfrentará sozinho a violência enquanto alguns olham para o lado”, acrescentou, horas depois de referir, na sua tomada de posse no Palácio de Cerro Castillo, em Viña del Mar, que o seu governo irá “perseguir, encontrar, julgar e prender” aqueles que atacarem os Carabineros, após o ataque sofrido nesta quarta-feira por um policial em Puerto Varas, que o deixou em morte cerebral. APROVA DECRETOS PARA CONTROLAR AS FRONTEIRAS E REDUZIR OS GASTOS
Momentos antes de aparecer na varanda do Palácio La Moneda e proferir seu discurso, o líder de extrema direita assinou seus seis primeiros decretos como presidente, focados principalmente na segurança das fronteiras, no controle dos gastos públicos e na tramitação de licenças ambientais, a fim de facilitar múltiplos investimentos que dependem dessas licenças.
Kast determinou assim a implementação do chamado plano “Escudo Fronterizo” (Escudo Fronteiriço) na Macrozona Norte, que agrupa as regiões de Arica e Parinacota, Tarapacá, Antofagasta, Atacama e Coquimbo, e nomeou o vice-almirante Alberto Soto Valenzuela como comissário presidencial. O projeto, atribuído ao Exército chileno, prevê um maior destacamento nas zonas limítrofes, a erradicação de passagens não habilitadas, o uso de tecnologia para o controle fronteiriço e novas medidas para combater o crime organizado e a migração irregular.
Além disso, instruiu uma auditoria sobre os gastos públicos — que o presidente pretende reduzir — abrangendo todos os ministérios e instituições estatais, com a qual o presidente pretende “que todos tenham clareza sobre a situação da nação”.
Por outro lado, ordenou resolver os atrasos no processamento de licenças ambientais, das quais, segundo seu gabinete, haveria mais de cinquenta pendentes por investimentos que se aproximam de 16 milhões de dólares (pouco menos de 13,9 milhões de euros) e que Kast pretende resolver “para que o Chile volte a crescer, volte a ter emprego e para que os chilenos tenham dignidade”.
Por último, o novo inquilino de La Moneda decidiu acelerar a construção de moradias nas zonas afetadas pelos graves incêndios que, no final de janeiro, atingiram 64.000 hectares calcinados. “Temos que reconstruir moradias com apoio social”, afirmou, defendendo a assinatura de um decreto para modificar o comitê de reconstrução, responsabilizando o ministro da Habitação e Urbanismo, Iván Poduje, e a titular do Desenvolvimento Social e Família, María Jesús Wulf.
A chegada de Kast ao poder, após três tentativas eleitorais, representa a irrupção do pinochetismo em La Moneda pela primeira vez na democracia, após vencer a segunda volta das eleições presidenciais de dezembro à candidata progressista Jeannette Jara, com 58% dos votos.
Aprendendo com as eleições anteriores, nas quais algumas forças conservadoras chegaram a condicionar seu apoio em troca de compromissos democráticos, desta vez Kast tentou se projetar como uma figura mais moderada, embora sua trajetória fale por si mesma. Em uma campanha completamente estéril em termos políticos, tanto Kast quanto Jara apelaram para os medos do eleitorado. No caso do novo presidente chileno, lançando as mesmas promessas que em seu dia brandiu aquele que reconheceu como referência, o ditador Augusto Pinochet: ordem, mão dura e valores tradicionais.
O novo presidente do Chile é filho de Michael Kast, um nazista alemão filiado ao partido, que, como muitos outros como ele, acabou fugindo para a América Latina, refugiando-se nas ditaduras fascistas que então oprimiam a região.
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