Lorena Sopêna - Europa Press
BARCELONA, 22 abr. (EUROPA PRESS) -
A escritora sul-coreana Han Kang, Prêmio Nobel de Literatura de 2024, afirmou que, diante de um contexto como o atual, é necessário manter a esperança: “A literatura e a arte estão sempre do lado da vida”.
Em uma coletiva de imprensa no Centre de Cultura Contemporània de Barcelona (CCCB), quando questionada sobre o contexto mundial atual, marcado por guerras e pelo auge da extrema direita, ela afirmou que estamos vivendo “tempos sombrios, é uma verdade difícil de negar”.
Han Kang destacou que já se viveram épocas sombrias como esta anteriormente, mas que, desta vez, estamos chegando “a um ponto em que a história está mais sombria”.
No entanto, ela enfatizou que, apesar de vivermos esses tempos tão sombrios, sempre a surpreende o fato de surgirem pessoas que querem “sobreviver, cuidar e curar”, e disse que a esperança não deve ser algo frágil nem tão impossível quando se tem um coração cheio de propósito.
“A arte ou a literatura nos permite estar cheios de esperança. Ser mais empáticos e tolerantes”, sublinhou a autora de ‘A Vegetariana’.
Em sua primeira visita a Barcelona após receber o Prêmio Nobel de Literatura, Han Kang garantiu que o prêmio não “mudou” nada em seu interior e que continua levando a mesma vida, escrevendo e tendo os mesmos pensamentos e sensações de antes.
“Se alguma coisa mudou, é que, de repente, as pessoas na rua falam comigo ou querem me abraçar. É confuso, mas elas fazem isso com boas intenções”, explicou.
SANT JORDI
Han Kang disse estar animada e com “muitas expectativas” para viver o dia de Sant Jordi em Barcelona, com as ruas dedicadas aos livros e à literatura.
“A leitura ocupa grande parte da minha vida”, destacou a escritora, acrescentando que, ao chegar ao CCCB, visitou a exposição sobre Mercè Rodoreda e ganhou três livros, o que lhe pareceu muito interessante para conhecer a obra dela e a história da Catalunha.
Ela destacou que ama tanto os livros que abriu uma livraria em Seul e explicou que, no dia de Sant Jordi, quer visitar livrarias para ver quais livros se destacam: “Para mim, o livro sempre foi importante”.
Han Kang acaba de publicar na Espanha ‘Tinta e Sangue’ (Random House em espanhol e La Magrana em catalão), um romance publicado na Coreia em 2010, com ares de romance policial, no qual uma pintora morre em um acidente de carro e uma amiga inicia uma investigação para desmentir que ela tenha se suicidado.
'Tinta e Sangue' foi publicado logo após 'A Vegetariana', razão pela qual a autora afirmou que procurou que fossem muito diferentes, sem seguir as "pautas tradicionais" do gênero noir, em um romance que, para ela, trata do amor.
A escritora afirmou que, quando escreve, dá muita importância aos sentidos e tenta sentir com o próprio corpo para escrever de forma mais detalhada: “Estamos usando o corpo como ferramenta”, acrescentou.
NOVO ROMANCE
Para a autora, “o romance é o que todo escritor quer escrever” e permite essa liberdade; cada um tem sua maneira de se expressar, de formular as perguntas, e, no caso dela, isso tem variado, observando que, quando relê um romance escrito há anos, como ‘Tinta e Sangue’, percebe o quanto era diferente.
Sem querer dar muitos detalhes para não fazer a magia desaparecer, Han Kang explicou que está no processo de escrever um novo romance, o “mais pessoal” que já escreveu, já que fala sobre sua família.
Ela comemorou o fato de a literatura coreana estar cada vez mais sendo traduzida no mundo, pois isso está permitindo descobrir o “grande valor” que ela tem e que seus autores sejam mais conhecidos.
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