Publicado 19/03/2026 07:10

Kallas, sobre o veto de Orbán ao empréstimo à Ucrânia: “Em época de eleições, as pessoas não são tão racionais”

16 de março de 2026: Kaja Kallas, Alta Representante para os Assuntos Externos e a Política de Segurança e vice-presidente da Comissão Europeia, chega para uma reunião do Conselho de Relações Externas da União Europeia no edifício Europa, em Bruxelas, Bél
Wiktor Dabkowski / Zuma Press / ContactoPhoto

BRUXELAS 19 mar. (EUROPA PRESS) -

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, reagiu ao veto do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, ao empréstimo europeu de 90 bilhões de euros à Ucrânia — que o governante afirmou não retirar até que seu país receba petróleo —, garantindo que, “em época de eleições, as pessoas não são racionais”.

Em declarações à imprensa antes de participar do Conselho Europeu, que reúne nesta quinta-feira em Bruxelas os chefes de Estado e de Governo dos 27 países, Kallas relacionou veladamente o bloqueio de Budapeste à ajuda a Kiev, lembrando a proximidade das eleições na Hungria, que realiza eleições parlamentares no próximo dia 12 de abril.

A chefe da diplomacia europeia lembrou à Hungria que, se tiver um problema com o abastecimento de petróleo após a ruptura do oleoduto Druzhba, conta com “sua vizinha Croácia”, que pode fornecer petróleo bruto por meio do oleoduto do Adriático, que está em pleno funcionamento.

“Se tiverem um problema com o petróleo, a vizinha Croácia pode fornecer esse petróleo. É uma postura construtiva (dos Vinte e Sete). Mas suponho que, em época de eleições, as pessoas não sejam racionais”, observou sobre as eleições húngaras, onde o líder da oposição Peter Magyar lidera as pesquisas há meses, um resultado que, se concretizado, poria fim aos 16 anos consecutivos de Viktor Orbán no poder.

Questionada sobre se os Vinte e Sete têm um “plano B” caso não consigam convencer a Hungria, a política estoniana revelou que o presidente do Conselho Europeu, António Costa, está buscando uma solução para convencer o primeiro-ministro húngaro, embora tenha lembrado que “a Hungria já aceitou” o empréstimo à Ucrânia e que deve voltar a uma posição que já expressou.

“É hora de demonstrar nosso apoio à Ucrânia, porque a guerra no Oriente Médio está ligada à guerra na Ucrânia e, infelizmente, a Rússia está se beneficiando desse conflito. Por isso, pôr fim a esta guerra é igualmente importante para alcançar também uma solução para a Ucrânia que não implique uma rendição completa à Rússia”, concluiu.

TUDO O QUE NÃO SEJA PETRÓLEO, “UM CONTO DE FADAS”

Pouco antes de Kallas, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, desafiou os demais líderes da União Europeia, alertando-os de que a única maneira de retirar seu veto ao empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia é que seu país receba o petróleo de que necessita, classificando iniciativas como a missão da UE para inspecionar o oleoduto danificado de Druzhba como “um conto de fadas”.

“A posição da Hungria é muito simples. Estamos prontos para ajudar a Ucrânia quando recebermos nosso petróleo, que está bloqueado por eles. Até lá, não haverá nenhuma decisão favorável à Ucrânia”, afirmou em declarações à imprensa, ressaltando que a insegurança energética “não é brincadeira” e que o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, “deveria entender que isso não é um jogo”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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