A chefe da diplomacia europeia pretendia explorar formas de colmatar lacunas nas capacidades militares da UE
BRUXELAS, 7 set. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, suspendeu a criação do grupo de alto nível com líderes políticos e militares europeus que havia anunciado na semana passada para buscar soluções que acelerassem a eliminação das lacunas nas capacidades militares convencionais da Europa, depois que vários Estados-membros consideraram que essa iniciativa “não era o caminho adequado” a ser seguido.
“Alguns Estados-membros consideraram que esse não era o caminho adequado a seguir neste momento”, explicou nesta segunda-feira, em coletiva de imprensa em Bruxelas, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da UE, Christian Wigand, ao ser questionado sobre o cancelamento do grupo de alto nível, cuja reunião inaugural estava inicialmente prevista para esta manhã.
Segundo ele explicou, após manter conversas com os ministros dos países da UE, Kallas decidiu “não dar continuidade à iniciativa” nos termos inicialmente propostos e está agora buscando “novos caminhos” para abordar a questão com os Vinte e Sete.
Wigand não detalhou quais países demonstraram relutância em relação à criação do grupo nem os motivos concretos de sua oposição, limitando-se a indicar que são esses Estados-membros que estão “em melhor posição para explicar por que não o apoiaram”. Vários países consultados por esta agência, por outro lado, abstiveram-se de fazer comentários a respeito e apenas confirmaram o cancelamento da reunião.
De qualquer forma, o porta-voz da União defendeu que o cancelamento da iniciativa não altera a análise da chefe da diplomacia europeia sobre as deficiências militares do continente. “O que está claro é que o diagnóstico não mudou e a Europa precisa avançar mais rapidamente em matéria de defesa”, ressaltou.
KALLAS BUSCAVA SUBSANAR AS LACUNAS DE DEFESA DA UE
Kallas anunciou na última terça-feira, após a reunião informal de ministros da Defesa realizada na Irlanda, a criação desse grupo de alto nível, que deveria reunir líderes políticos e militares de vários países da UE, além do Reino Unido e da Ucrânia, com o objetivo de propor soluções para colmatar de forma “mais rápida” e “eficaz” as lacunas existentes nas capacidades convencionais europeias no âmbito da OTAN.
A política estoniana defendeu, então, que, embora a Europa esteja investindo em defesa mais do que nunca, o aumento dos gastos, por si só, não garante que os aliados europeus possam suprir a tempo suas carências militares, especialmente diante do reajuste da presença dos Estados Unidos no continente e dos apelos de Washington para que a Europa assuma maior responsabilidade por sua própria defesa.
“A ideia é olhar além das instituições e reunir algumas das mentes mais brilhantes para que contribuam com ideias, não sobre onde estão as lacunas, mas sobre como podemos suprir essas lacunas no menor prazo possível”, explicou Kallas ao apresentar uma iniciativa com a qual pretendia explorar fórmulas “fora do convencional” e também coletar propostas do setor privado.
A chefe da diplomacia europeia havia adiantado, além disso, que a Ucrânia participaria dos trabalhos devido à experiência militar adquirida durante a guerra contra a Rússia e que as conclusões do grupo seriam direcionadas tanto aos Estados-membros quanto a outras instituições, incluindo a OTAN.
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