BRUXELAS 1 set. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, reunirá na próxima semana líderes políticos e militares de vários países da UE, além do Reino Unido e da Ucrânia, para buscar formas de acelerar a eliminação das lacunas nas capacidades militares convencionais dentro da OTAN, diante do reajuste da presença militar dos Estados Unidos na Europa.
Foi o que anunciou a chefe da diplomacia europeia em uma coletiva de imprensa após a reunião informal de ministros da Defesa realizada nesta terça-feira na Irlanda, na qual explicou que esse novo grupo de alto nível apresentará, em um relatório, soluções que permitam aos países europeus suprir de maneira “mais rápida” e “eficaz” as lacunas de capacidades já identificadas.
A política estoniana destacou que a maioria dos Estados-membros da UE também faz parte da OTAN e que as lacunas existentes nas capacidades convencionais da Aliança obrigam os aliados europeus a investir e avançar de forma coordenada para suprir essas lacunas, especialmente em um contexto de aumento das ameaças.
“A Europa está investindo mais em defesa do que nunca, mas o gasto por si só não garante automaticamente o sucesso. Não fomos suficientemente rápidos para colmatar as lacunas no poder convencional da Europa dentro da OTAN que identificamos”, reconheceu.
Por isso, Kallas explicou que o objetivo do novo grupo não será identificar novamente quais são as lacunas militares dos aliados europeus, mas buscar fórmulas “fora do convencional” para preenchê-las “no menor prazo possível” e da maneira “mais eficaz”.
“A ideia é olhar além das instituições e reunir algumas das mentes mais brilhantes para que contribuam com ideias, não sobre onde estão as lacunas, mas sobre como podemos preenchê-las no menor prazo possível”, destacou, ressaltando que também serão consideradas propostas provenientes do setor privado.
Nesse sentido, Kallas destacou que a Ucrânia fará parte do grupo devido à experiência adquirida durante a guerra contra a Rússia, enquanto as conclusões e propostas que surgirem dos trabalhos serão direcionadas tanto aos Estados-membros da UE quanto a outras instituições, como a OTAN.
Questionada sobre quem participará dessa reunião de alto nível, a chefe da diplomacia comunitária evitou, por enquanto, revelar os nomes e indicou que eles serão divulgados no evento de lançamento na próxima semana, embora tenha assegurado que há “muito interesse” em contribuir para os trabalhos.
O REAJUSTE DOS EUA OBRIGA A EUROPA A COBERIR CAPACIDADES
A iniciativa surge em pleno reajuste da presença militar dos Estados Unidos na Europa e diante dos repetidos apelos de Washington para que os aliados europeus assumam maior responsabilidade pela própria defesa e aumentem sua contribuição para as capacidades convencionais da OTAN.
Precisamente, Kallas situou a criação do novo grupo na necessidade de os aliados europeus acelerarem seus esforços para preencher as lacunas de capacidade já identificadas dentro da OTAN, embora não tenha vinculado diretamente a iniciativa às decisões adotadas por Washington sobre seu destacamento militar na Europa.
Na semana passada, após uma reunião no nível de embaixadores da Aliança, na qual também esteve presente o “número dois” do Pentágono, Elbridge Colby, este qualificou de “extraordinário” o progresso alcançado pelos aliados europeus para compensar o reajuste militar de seu país na Europa, ao constatar que “eles já estão assumindo” a responsabilidade por sua própria defesa convencional.
“A Europa, que obviamente é um continente muito rico, pode assumir e já está assumindo a responsabilidade principal por sua própria defesa convencional”, afirmou, agradecendo ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao chefe da Aliança, Mark Rutte, por incentivarem a Europa a assumir o controle de sua defesa.
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