Europa Press/Contacto/Wiktor Dabkowski
BRUXELAS 12 fev. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para Política Externa, Kaja Kallas, rejeitou nesta quarta-feira o deslocamento de palestinos e a tomada do território de Gaza, e defendeu a Faixa de Gaza como parte da solução de dois Estados.
"Se os direitos dos palestinos não forem respeitados, também não haverá segurança para Israel. É claro que Gaza também fará parte do futuro Estado palestino", disse o chefe da diplomacia europeia em uma entrevista à European Newsroom (ENR).
Em meio à ofensiva do presidente dos EUA, Donald Trump, para controlar a Faixa de Gaza e transferir a população local para países árabes como Jordânia e Egito, o ex-primeiro-ministro da Estônia insistiu que "as pessoas não podem ser transferidas à força" e que "qualquer apropriação de terras seria ilegal".
"Essa é a nossa posição. Todos os países, inclusive os atores regionais, rejeitaram a ideia", explicou ela, insistindo que a chave agora é que o cessar-fogo se torne a base para a construção de "uma paz sustentável".
Com relação ao futuro da Faixa, ele argumentou que a UE deveria desempenhar um papel na concepção da futura governança de Gaza para garantir que os serviços sejam prestados e que ela não volte a ser um "refúgio para terroristas".
"Como é possível fornecer serviços ao povo palestino quando Israel os bloqueou e quais são as soluções? Tenho insistido para que a UE se sente à mesa, pois somos os maiores apoiadores da UNRWA e da Autoridade Palestina", disse ele, afirmando que a chave é que os serviços realmente cheguem à população de Gaza e que não haja influência de grupos como o Hamas.
MAIS GEOPOLÍTICA COM AJUDA HUMANITÁRIA
Em um momento em que os Estados Unidos estão cortando sua ajuda humanitária no mundo, o Alto Representante indicou que a UE não vai preencher "automaticamente" o espaço deixado por Washington e "preencher o vácuo com dinheiro europeu", argumentando que o bloco deve ser mais estratégico e garantir que ganhe peso geopolítico como ator humanitário.
"Em primeiro lugar, não temos esses fundos. E, em segundo lugar, acho que também é uma oportunidade de aumentar nosso poder geopolítico. Todas essas organizações estão atrás de nossa porta, realmente pedindo apoio. Mas o problema é que elas já recebem muito financiamento da UE, mas ninguém sabe que estamos por trás desse apoio", argumentou.
Kallas defendeu o aumento da presença da UE e "colocar a bandeira europeia" na ajuda humanitária "para que as pessoas saibam disso". Como exemplo, ela lembrou que a UE é o principal apoiador da Autoridade Palestina, algo que, segundo ela, "nem mesmo nossos próprios cidadãos sabem". "Recebemos muitas críticas de que não apoiamos a Palestina o suficiente, embora sejamos nós que apoiamos a Palestina. Não são os países árabes, somos nós em termos de financiamento".
Nesse sentido, o Alto Representante defendeu ser mais "estratégico" e considerar interesses estratégicos quando se trata de reforçar a ajuda humanitária. "E quando fazemos isso, temos que ser mais visíveis e, você sabe, colocar a bandeira europeia para que os países saibam", refletiu, ressaltando que a retirada dos Estados Unidos permite que a UE aumente sua "importância geopolítica".
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