Publicado 30/04/2026 11:30

Kallas questiona as ligações entre Trump e Putin: “Elas sempre deixam muitas perguntas sem resposta”

Ela defende que a UE não deve “humilhar-se” implorando à Rússia por negociações de paz que ela, na verdade, não deseja

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, em uma coletiva de imprensa em Kuressaare, na Estônia
GINTS IVUSKANS

BRUXELAS, 30 abr. (EUROPA PRESS) -

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, questionou a utilidade das ligações entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, observando que “elas sempre deixam muitas perguntas sem resposta”.

Questionada em declarações à imprensa após participar, na Estônia, de uma reunião de oito ministros das Relações Exteriores de países nórdicos e bálticos sobre a conversa telefônica que Trump e Putin mantiveram nesta quarta-feira para discutir um cessar-fogo na Ucrânia, Kallas destacou que as negociações de paz “estão realmente estagnadas” e que a ligação não esclareceu as dúvidas sobre um possível fim da guerra.

“Quando vemos essas ligações entre o presidente Trump e o presidente Putin, sempre ficam muitas perguntas sem resposta, especialmente considerando que a Rússia está elogiando abertamente a ‘batalha heróica’ que o Irã está travando contra os Estados Unidos”, afirmou a chefe da diplomacia europeia.

Kallas questionou se o apoio de Moscou a Teerã não deveria levar Washington a aumentar a pressão sobre a Rússia, já que “está ajudando o Irã a lutar contra eles”. “Gostaríamos de ver também essa pressão, e não a vimos nessa ligação”, acrescentou.

Ela também descartou que a União Europeia tenha perdido uma oportunidade de negociação em 2022, quando teve início a guerra de agressão russa, lembrando que, em dezembro de 2021, a Rússia já havia apresentado exigências à Europa que afetavam todos os países nórdicos e bálticos, como que a OTAN recuasse às suas fronteiras de 1997, entre outras coisas.

“Dizer algo assim é claramente cair nas armadilhas russas. Os russos sempre exigem o máximo, pedem algo que nunca foi deles, lançam ameaças e ultimatos, e no final sempre haverá pessoas no Ocidente dispostas a oferecer-lhes algo. Não caiamos nessa armadilha”, respondeu ela em relação a declarações à imprensa do presidente de seu país (Estônia), Alar Karis.

Questionada sobre o risco de outros países iniciarem conversações com a Rússia em termos desfavoráveis para a Europa caso a União Europeia não tome a iniciativa, Kallas assinalou que Moscou “não quer iniciar qualquer tipo de diálogo”.

“Não devemos nos humilhar implorando para que conversem conosco. Devemos colocá-los em uma posição em que deixem de fingir que estão negociando para realmente negociar”, afirmou, detalhando que, em uma reunião de ministros das Relações Exteriores que ocorrerá em maio em Chipre, os Vinte e Sete analisarão as exigências a serem feitas a Moscou para que ela não represente uma ameaça assim que sua invasão da Ucrânia termine.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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