Publicado 28/05/2026 03:09

Kallas pede aos 27 que não "caiam na armadilha" da Rússia, permitindo que ela escolha o interlocutor para negociar a paz

A Alta Representante para a Política Externa da UE, Kaja Kallas,  na sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França)
MATHIEU CUGNOT

A Alta Representante da UE pede que o debate sobre possíveis negociações de paz com Moscou se concentre “no quê, e não em quem”

BRUXELAS, 28 maio (EUROPA PRESS) -

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, advertiu nesta quinta-feira os Estados-membros de que não devem “cair na armadilha” da Rússia, permitindo que Moscou escolha os interlocutores da União Europeia, e defendeu que o bloco deve centrar sua estratégia em definir “a essência” das exigências europeias para a Ucrânia antes de decidir quem se sentará em uma eventual mesa de negociação.

Em declarações à imprensa antes de participar da reunião informal de ministros das Relações Exteriores da UE realizada em Chipre, a chefe da diplomacia comunitária explicou que este encontro é “o lugar para debater os interesses fundamentais” e as exigências da UE à Rússia, tendo em vista possíveis negociações que devem ser abordadas como um “trabalho em equipe” e com uma estratégia conjunta.

“A Rússia quer que caiamos na armadilha de discutir quem fala com eles, escolhendo já quem lhes parece adequado ou não. Não caiamos nessa armadilha. A negociação é sempre um esforço de equipe: há papéis mais rígidos, papéis mais flexíveis e uma estratégia para sentar-se à mesa. Por isso, o conteúdo é muito mais importante do que quem negocia”, defendeu a política estoniana.

Nesse sentido, Kallas defendeu que se responda com uma “abordagem maximalista” às exigências que o Kremlin tem mantido até agora, lembrando que ela própria já apresentou aos ministros, em fevereiro passado, um documento no qual propunha uma série de concessões a exigir de Moscou no caso de possíveis negociações de paz para a Ucrânia.

Entre essas propostas, revelou a alta representante, está a de que qualquer acordo parta do “respeito da Rússia aos acordos internacionais nos quais se comprometeu a não atacar seus vizinhos e a respeitar sua soberania”. Ela também fez referência ao “princípio da reciprocidade militar”: “As concessões que foram exigidas da Ucrânia em matéria de limitação militar devem ser aplicadas de forma espelhada também à Rússia”.

A chefe da diplomacia europeia ampliou o foco das negociações ao afirmar que a estabilidade do continente depende da retirada das tropas russas de outros pontos críticos da região, como a Geórgia ou a Moldávia, além de que a Rússia não interfira “em seus processos eleitorais”.

No entanto, ela rejeitou a ideia de que a presença da UE nas negociações dependa de um convite formal das partes, lembrando que a UE dispõe de instrumentos de pressão fundamentais para Moscou, como o levantamento das sanções. Contudo, ela precisou que todas as questões que dizem respeito a Kiev só podem ser “negociadas e acordadas entre a Ucrânia e a Rússia”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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